Blog do Neivo Zago

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Somos todos acovardados?

Por Neivo Zago

O assunto do momento é tão palpitante e recorrente que não há como nos mantermos alheios, pois de uma ou de outra maneira atinge a todos indistintamente. E, embora eu não seja experto na área também desejo me imiscuir e emitir meu ponto de vista como, aliás, cada qual o faz a toda hora, e até por falta de assunto.

Já há muitos meses o que mais se fala é sobre a operação lava-jato, sobre o liso Eduardo Cunha e seus pares que tomaram e tomam espaços consideráveis na mídia e no meio político. Em detrimento disso, perde-se tempo em resolver assuntos de natureza mais urgente ficam à mercê de soluções. Não seria exagero dizer que o país está estagnado.

Engraçado como as leis e a coisa pública (res publica) são vistas por certos políticos e governantes deste país. As primeiras, muitas vezes são utilizadas de acordo com os interesses pessoais. Por exemplo, os envolvidos na complexa operação lava-jato não levaram em consideração a lei que não autoriza às autoridades e a ninguém se apossar de bens e roubar dinheiro do erário. Já, se servem dela, como se fosse sua última tábua de salvação para tentar se safar de penalizações. É o que o governo atual parece estar tentando fazer argumento ilegalidades das gravações. 
  
No entanto, qualquer menta capta viu e vê que a nomeação do ex-presidente como ministério foi lhe dar abrigo, uma tentativa de poupá-lo de alguma punição, embora, há quem o consideram não apenas sabedor de irregularidades, mas o seu mentor.  Todos nós cansamos de ouvir que ele nunca via nada e nunca sabia de nada. E, assim sendo quem não vê nada, se faz de cego ou é cego e, quem não sabe nada, é burro, o que parece não ser o seu caso. E dentre as evasivas utilizadas pelos que defendem o “erudito”, seu advogado veio com a estapafúrdia desculpa que o juiz Sérgio Moro agindo como age vai provocar convulsão nacional. Ora, nada disso estaria acontecendo se a “presidenta” (termo usado só por eles) não tivesse desmerecido as manifestações contrárias e como que dizer “eu não estou nem aí” e fazendo-nos passar por palhaços. 

Já o vocabulário utilizado pelo então chefe-mor da nação em diálogos gravados, (um ato ilegal?) utilizando linguagem vulgar não se coaduna com quem há não muito tempo atrás se intitulou ser a pessoa mais honesta, íntegra e livre de suspeições que jamais existiu igual, excetuando é claro Jesus Cristo. Ao chamar o judiciário e outros de “acovardados”, dentre outros termos inaceitáveis só adicionou lenha na fornalha. Outra atitude, no mínimo leviana foi a do novo ministro da justiça querer intimidar a polícia. Não diferente se portou o prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes que se portou infantilmente e apesar de suas desculpas não desfazem o equívoco.
 
 O que está no ar e faz transparecer a nós como cidadãos leigos, às instituições acima referidas e criticadas e à opinião pública referendada pela mídia que não há mais como as personalidades-alvo sustentarem as suas defesas. Nós cidadãos merecemos, acima de qualquer predileção ou fanatismo partidário respeito em não ter que aturar o que estamos vendo. Ou quiçá Lula também nos incluiria na lista dos acovardados? Se não, resignados muitas vezes somos, pois não sabemos a força que um povo unido pode ter. Ao menos os milhões que foram às ruas parecem não o ser. Ainda, vale lembrar (e era a sua máxima) que o partido surgiu como o ideal, livre de vícios e máculas e que viria e veio para salvar a pátria. E o que estamos vendo? De pouco ou nada adianta alguém querer rebuscar o passado, falar dos acontecimentos de 64 aqui e acolá. Um erro não justifica outro. O que vale é o agora. Da mesma forma, não se sustenta querer culpar os outros pela crise econômica. É no mínimo tentar tapar o sol com a peneira. 

Corrobora este ponto de vista o jornalista David Coimbra que foi muito feliz em seu artigo (ZH – 21-03) quando sugere que Lula, Dilma, Renan, Cunha e Temer renunciem. “Os cinco deveriam estabelecer um pacto e renunciar em grupo”. Se o fizessem, mas jamais o farão, eles estariam prestando um serviço à pátria. “Se for para o bem da nação, nós renunciaremos”. E nós em troca diríamos. “Já vão tarde”, mas “antes tarde do que nunca”. O pior é que assim continuando não vai ser tão simples consertar o estrago que parece ser tão avassalador quanto o rompimento da barragem da Samarco. É lama que não acaba.

P.S.: Quem sabe este tempo pascal sirva para todos nós refletirmos e revisarmos nossos conceitos individuais e coletivos sobre cidadania, comportamentos. Os que mais deveriam fazer isso, penso, seriam as personalidades alvo deste texto. Feliz Páscoa.    

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