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Três perdas irreparáveis em uma semana

Por Neivo Zago

Todos nós indistintamente já experimentamos a dor da perda, pois quando perdemos uma pessoa que se nos é cara ela leva parte de nós e deixa a sua parte.

Uma semana distante para espairecer com saída justamente na manhã do dia em que o Internacional jogava no Colosso. Chegando ao destino à noite, via aplicativo com uma conexão intermitente consegui acompanhar parcialmente a partida contra o Inter. Outra vez acometeu-me a frustração e tirou o bom humor de mais um empate e a perda da Recopa Gaúcha nos pênaltis.

Entrementes, no dia seguinte recebo da colega Ilda a triste notícia do passamento da professora Lourdes Caldart Dalfovo que foi a primeira diretora da Escola Estadual Dr. Sidney Guerra, na época uma referência na educação, porque esta instituição oferecia além do ensino das disciplinas consideradas padrão no currículo quatro técnicas devidamente equipadas com os mais modernos equipamentos da época. Em 1978 atendendo o seu convite fiz parte da direção como um dos três vice-diretores durante anos e posteriormente a substitui no cargo de diretor. Foram muitas as experiências, algumas inesquecíveis, vividas em companhia da Lourdes e registradas em fotos. Ela em vida passou por duras provações como a morte trágica de um filho, do marido e da irmã Dulce que também lutou por anos contra a doença que a vitimou. Por tudo que ela representou, por ter sido a primeira diretora da escola, por sua dedicação e por sua trajetória marcante a escola em questão bem que poderia ter o seu nome mudado para Escola Professora Lourdes Caldardt Dalfovo, pois a denominação de Dr. Sidney Guerra que se deu na época da instalação da escola porque o ele era candidato a vice-prefeito e morreu durante a campanha eleitoral. 

Ainda abalado pelo fato, nesse ínterim o Ypiranga jogava no sábado contra o Cruzeiro, e como sempre havia uma esperança de obter um resultado positivo. Ledo engano! Outra derrota ratificou o time na penúltima colocação. A derradeira esperança estava reservada para a partida frente ao Caxias que seria na quarta-feira quando eu já estava “são e salvo” em casa, mas que por uma questão de cansaço pela viagem acrescido da insegurança e incerteza desencorajaram-me de ver in loco a decepção do embate final que decretaria o rebaixamento.  Retornamos outra vez, como costuma dizer o Hamilton: “no inferno da Segundona”. E saber que nos dois últimos anos tudo eram sorrisos, alegrias e comemorações. Perdeu o enlevo passar pelo estádio que pouco anima saber que ainda é um dos mais bonitos e maiores do interior. O Veranópolis tem uma instalação acanhada, mas sempre mantém um bom time. Há mais de duas décadas ascendeu à Série A, e jamais voltou à B. Acho que alguns dirigentes poderiam fazer um estágio lá na terra da longevidade. Já, a maior bola estática instalada na frente do estádio virou bola murcha e tão miúda como uma bolinha de foi o que o Canarinho jogou no certame.

Por fim, no domingo pela manhã confirmou-se o desenlace do padre Ivo Moelecke uma pessoa que também durante anos tivemos a oportunidade mútua de conviver momentos inesquecíveis como o de ele ter sido o padre que realizou o nosso enlace matrimonial. Por ocasião da missa de exéquias o padre Cleocir Bonetti, vigário Geral da Diocese, resumiu com belas palavras e muita propriedade a vida desse clérigo: “Um irmão inteligente, às vezes inconseqüente; travesso, um irmão irreverente, desconcertante, inquieto e inquietante, de coração bom, um amigo. Nas suas fraquezas aprendemos a olhar as nossas fraquezas. Padre Ivo, padre gaiteiro. Ele e suas missas crioulas. Tinha um grande carisma de atrair pessoas e amizades, bem como era envolvido com movimentos sociais”.

Infelizmente, esses últimos dias foram em parte de administração de perdas irreparáveis que, queiramos ou não fazem parte da minha e da nossa existência humana.

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