Blog do Coluna do Leitor

Psicologos

Entre o ideal e o real: os dilemas da maternidade.

Por Coluna do Leitor

Lucas Subtil dos Anjos - Psicólogo CRP 07/ 18388
Ana Carla Risson - Psicóloga CRP 07/18471

 

É no interior do consultório que as inquietações humanas, através do discurso, tomam forma. Na intimidade da sessão os desejos, medos, angústias, aparecem de forma desnuda e nos denunciam como verdadeiros mortais que somos.

Inúmeras são as mulheres que aportam nesse espaço. Chegam por várias vias e tratam acerca de um imenso leque de questões. Casamento/namoro, escolhas profissionais, estudos, mudanças de cidade ou país, oscilação de humor, questões de saúde... Dilemas que acompanham, em maior ou menor grau, a vida de todos nós. E quando estas são mães, o tema da maternidade, em algum momento, é catapultado para o centro do que se vem pensando e trabalhado em terapia.

 “Não sei se fiz certo”, “acho que sou uma péssima mãe”, “me dá uma dica, o que faço com meu filho?”. Esses pensamentos figuram no dia a dia das mães e, por vezes, são silenciados e guardados a sete chaves dentro do peito, como um diário de menina trancado na gaveta.  

Esses questionamentos são, também, reflexo da cobrança social existente. Vivemos numa cultura da perfeição. Devemos ser os melhores em tudo que nos propomos a fazer. Ter uma carreira profissional exitosa, alcançar destaque na área acadêmica, delinear curvas em nosso corpo “a lá Narciso”, usar o tempo da melhor forma, esbanjar potência.  Além disso, a regra contemporânea dita que devemos estar felizes a todo tempo, pois nesse palco não se tolera tristeza e não se é permitido falhar.

Tais exigências, além de ilusórias, tornam-se muito cruéis quando se trata da maternidade. Pois, ser mãe é algo único, uma construção e um caminho subjetivo a ser trilhado. Em se tratando de gente, não existe um passo a passo a ser seguido como numa receita de bolo.

A maternidade é um chamamento constante, uma convocação emocional, independente do momento. Seja num choro de um bebê de poucos meses, numa rebeldia juvenil ou numa crise no casamento do filho de 35 anos, a mãe é mobilizada. Sendo assim, ela se empresta, à sua maneira, para compreender, ligar e acalmar os sentimentos do seu filho. Ela lança mão de tentativas para auxiliá-lo e essas, necessariamente, implicarão em algumas ações sem êxito.

Assim, ser mãe passa, também, por perceber e suportar suas próprias limitações. Ao se colocar como ser humano passível de falhas, auxiliará o filho em sua constituição enquanto gente. Tolerar seus próprios limites, talvez seja o caminho mais assertivo para criar filhos mais humanos.

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