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Blog de Dennis Allan

Geral

Dennis Allan

Dennis Allan é Formado em Comunicação pela Northern Illinois University (EUA).

Trabalha com ensinamento bíblico (palestras, administração do site www.estudosdabiblia.net, edição de livros e revistas de ensinamento da Bíblia.

É um trabalho independente, não vinculado a nenhuma denominação ou instituição religiosa. Escreve sobre a Bíblia -- história, interpretação e aplicação prática.

  • Salmo 114 - O mar viu isso e fugiu

    Por Dennis Allan
    Foto Divulgação

    A libertação dos israelitas da escravidão no Egito é um tema comum nos Salmos.Marcado pela importantíssima festa da Páscoa, esse momento histórico servia como uma das bases da religião dos judeus. Na saída do Egito e chegada ao monte Sinai, onde receberam a lei do Senhor, os descendentes de Abraão viram o cumprimento da promessa de fazer uma grande nação. Na conquista do território de Canaã, receberam a terra prometida. Desta maneira, duas das três grandes promessas feitas aos Patriarcas foram cumpridas (Gênesis 12:1-3).

    É comum observar essas promessas da perspectiva do povo por elas beneficiado. Deus libertou Israel e entregou a esse povo sua terra, sendo motivo de adoração durante toda a história da aliança especial entre o Senhor e os descendentes de Abraão, Isaque e Jacó. Salmo 114, porém, oferece uma perspectiva diferente, considerando as obras salvadoras de Deus da perspectiva da própria terra. Quando Deus chegou, o mar, o rio e as montanhas reagiram!

    Quando saiu Israel do Egito,e a casa de Jacó, do meio de um povo de língua estranha,Judá se tornou o seu santuário,e Israel, o seu domínio”(versos 1 e 2). Durante gerações, os hebreus foram dominados pelos egípcios, um povo de língua estranha. Depois do Êxodo, porém, não eram mais escravos. Israel se tornou a nação privilegiada em uma relação única com Deus. Mesmo antes de prepararem o tabernáculo (o templo móvel), o povo via a presença de Deus representada em uma coluna de nuvem (durante o dia) e de fogo (de noite). Judá e Israel (nomes que identificam a totalidade da nação) foram o santuário, o local de residência, do próprio Senhor!

    “O mar viu isso e fugiu;o Jordão tornou atrás.Os montes saltaram como carneiros,e as colinas, como cordeiros do rebanho” (versos 3 e 4). Até a própria natureza se assustou com a chegada de Deus e seu povo! O Salmista emprega linguagem poética e simbólica, mas não é difícil ver sua base em acontecimentos literais. O mar fugiu em um sentido literal quando Moisés estendeu sua mão e Deus partiu o mar Vermelho (Êxodo 14). Quarenta anos depois, as águas do rio Jordão pararam no seu lugar para o povo passar (Josué 3). Neste caso, foi exatamente no momento que os sacerdotes chegaram ao rio com a Arca da Aliança (o móvel mais sagrado de Israel, que representava o trono ou a presença de Deus) que as águas pararam de fluir. Deus chegou e as águas fugiram! Considerando a figura de montes e colinas pulando, lembramos que o Monte Sinai estremeceu quando Deus desceu para falar com Israel (Êxodo 19:16-20).

    “Estremece, ó terra, na presença do Senhor,na presença do Deus de Jacó,o qual converteu a rocha em lençol de águae o seixo, em manancial” (versos 7 e 8). Novamente, a linguagem simbólica se baseia em fatos reais. Quando Israel sofria com sede no deserto, Deus trouxe água de rochas para cuidar do seu povo. Temos relatos de duas vezes que Deus fez isso. Logo depois da saída do Egito, ele deu água de uma rocha (Êxodo 17). Em outro momento, Deus deu água de uma rocha ao povo, apesar da exaltação fatal de Moisés (Números 20:2-13).

    Quando refletimos sobre as palavras desse Salmo, naturalmente pensamos na grandeza de Deus. Para nós, mares, rios e montanhas representam características da natureza que são bem mais poderosos do que nós. Admiramos a força das ondas do mar, mas jamais dominamos seu poder. Observamos o fluxo de água de um rio, reconhecendo o perigo que a correnteza apresenta. Ficamos maravilhados com a majestade dos grandes montes. Mas mares e montanhas são pequenos e insignificantes diante de Deus. Ele não fica admirado diante da natureza que ele criou. Pelo contrário, o mar foge e as montanhas tremem na presença do Senhor! O Criador dos céus e da terra habitou, simbolicamente, em um tabernáculo no meio do seu povo, mas ele ocupa seu lugar acima de toda a criação (Salmo 99:1-3).

    O outro fato especialmente importante nesse Salmo é a ênfase, nos primeiros dois versos, na relação de Deus com seus remidos. Ele é o Criador e Soberano sobre todo o Universo, mas ele habita entre os homens! Se mares e montanhas se moveram na presença de Deus quando ele desceu para salvar Israel, nós devemos tremer e temer quando pensamos na vinda de Jesus Cristo: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (João 1:14). 

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