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Blog de Neivo Zago

Geral

Neivo Zago

Neivo Zago, especialista em Língua Inglesa (Unisinos) e mestre em Línguística (UFSM). Professor de português e de inglês desde 1974, ininterruptamente.

Lecionou em escolas estaduais e particulares (curso de inglês). Atualmente trabalha na URI. 

É colaborador assíduo escrevendo às sextas-feiras sobre assuntos gerais, específicos e temas do cotidiano.

  • As pedaladas da fé e da vida

    Por Neivo Zago
    Foto Divulgação

    Pedalar faz bem para o corpo e para a alma, para o bolso e para o meio ambiente; seja individualmente ou em grupo, tanto um ou outro deixa o participante contente.

    Feriado de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do nosso país. Uma manhã promissora e convidativa a sair das quatro paredes para caminhar ou pedalar. Além disso, essa manhã tinha como motivo responder ao convite para participar da 2ª Pedalada da Fé, como parte da programação da 67ª Romaria de Nossa Senhora de Fátima. Uma pena que a topologia da nossa cidade não favorece a prática do ciclismo. Não fosse isso, veríamos inúmeras bicicletas rodando por ai em faixas próprias. Consequentemente, menos carros competindo por espaços e vagas de estacionamento e, melhor poluindo menos o meio ambiente que há muito pede clemência por causa das inúmeras agressões sofridas.

    Dessa forma, motivado subi a avenida pedalando até ao meu destino que era cruzar o viaduto, agora chamativo porque está recebendo pinturas muito sugestivas nas suas paredes laterais - verdadeiras obras de arte. Sentado em um banco à sombra, no canteiro, central fiquei atento para ver a caravana apontar e então eu me juntar a ela. Muitas pessoas naquele horário ainda gozavam de um sono mais espichado devido ao feriado. Poucos carros na avenida; alguns caminhantes solitários, ou acompanhados dos seus cachorros; outros em dupla conversando animadamente quebravam o silêncio daquela manhã especial, mais uma nas suas vidas.

                Uma vez apontando os ciclistas reuni-me a eles avenida abaixo (na descida todos os santos ajudam) e por isso os únicos esforços eram manter a atenção e acionar o freio quando necessário. Decidi acompanhar para a par o carro animador da procissão conduzido pelo Pe. Giovani que acumulava as funções de motoristas e ao mesmo tempo animava, acionando o play de músicas apropriadas intercalando com orações sugestivas para o momento, um esforço quase não correspondido pelos demais ciclistas que desciam praticamente mudos em suas bikes. Nessa e em outras circunstâncias quando constato a indiferença de tantos participantes me lembro de ter lido ou ouvido quando alguém disse: “onde você estiver, esteja por inteiro”.

    Uma pequena concentração em frente à entrada do Santuário, algumas breves palavras do padre antes referido, a bênção coletiva e individual aos ciclistas encerrou a 2ª Pedalada da Fé. Que bom participar de momentos dessa natureza, de procissões e concentrações quando e onde a fé reúne dezenas, centenas ou milhares de fiéis. São momentos de verdadeiro enlevo espiritual. Ademais, escrever sobre a Pedalada da Fé é bem mais gratificante e menos melindroso do que se fosse das “pedaladas fiscais”, expressão usada na administração pública. Ainda, como nós vivemos ainda no momento de disputas eleitorais a minha opinião poderia ser censurada, ou mal interpretada. Por isso, é bem mais fácil e menos comprometedor escrever sobre amenidade e trivialidades do cotidiano. Não provocam polêmicas e são bem mais fáceis de serem digeridas. Do tipo mamão com açúcar. Muito mais exigente do que isso foi o trabalho, a dedicação e a participação dos bispos, padres, voluntários, organizações e todos quantos ajudaram na novena e na romaria. Já escrevi em outros textos: “o trabalho voluntário move o mundo”.

    Pena é que para muitas pessoas ainda não se dão conta que além da sua natureza humana - o cuidado com o corpo físico-biológico, nós temos como completude outras dimensões como é a espiritual. Obviamente, que cada pessoa tem o livre arbítrio e quem sou eu para fazê-las mudar de atitude e nem é essa a minha intenção. Para elas Nossa Senhora Aparecida foi apenas um dia de descanso e nada mais, como nos demais feriados do calendário civil ou religioso: a razão e a origem dos mesmos pouco importa.

                Em outra direção se apresentam oportunidades como as missas, as novenas permanentes todas as quartas-feiras em dois horários e romaria anual. São gratas e gratuitas oportunidades de reflexão e de oração; de encontro comunitário, de caminhadas em procissões.

    É oportuno lembrar que a igreja católica instituiu este, o ano do laicato: sal da terra e luz do mundo. Assim fiel a isso, de alguma forma, como leigos, eu e você somos instados em nossas pedaladas, pernadas, ou movidos por outros meios de locomoção de outras naturezas a fazermos a diferença nas mais diversas atividades do cotidiano. Sermos uma pitada de sal a temperar este mundo insosso e, igualmente, luz a iluminá-lo na sua obscuridade.

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