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Blog de Dad Squarisi

Dad Squarisi

Dad Squarisi fez curso de letras na UnB. Tem especialização em linguística e mestrado em teoria da literatura. É editora de Opinião do Correio Braziliense e comentarista da TV Brasília.

  • O dito cujo

    Por Dad Squarisi
    Foto Divulgação

    Recado

    “Desconfio dos que usam a mesóclise.”

    Tancredo Neves

     

    O dito cujo

    Vamos combinar? O cujo é pra lá de sofisticado. Pronome relativo, pertence à família de que, o qual, onde. Requintado, impõe três regras pra ser empregado. Pra atendê-las, basta manter as antenas ligadas e a preguiça adormecida em berço esplêndido.

     

    Primeira exigência

    Tenha cuidado com a separação das sílabas: ele morre de vergonha de ficar com um pedaço lá e outro cá. É justo. A primeira sílaba, no fim da linha, vira palavrão (cu-jo). Feito o estrago, o constrangido só encontra uma saída. Consola-se com federal (fede-ral). Os dois se abraçam e choram. Depois se vingam. Cobrem o autor de vexames.

     

    Segunda exigência

    Deixe o artigo pra lá. Cujo tem aversão a o, a, os, as. Nunca escreva cujo o, cuja a. O casamento pega mal como bater em mulher, cuspir no chão ou passar a criança pra trás na fila. Melhor manter o elitista sozinho, sem companhia: O governo sancionou a lei cujo objetivo é aumentar o controle de atos ilícitos.

     

    Terceira exigência

    Dê atenção à posse. O cujo, como todo pronome relativo, tem uma função: junta frases. No caso, uma delas tem de indicar posse. A presença do dissílabo evita a repetição de palavras. O enunciado fica chique como pérolas negras. Veja:

     

    O governo sancionou a lei. O objetivo da lei é aumentar o controle de atos ilícitos.

     

    Feio, não? A repetição torna o enunciado monótono. O jeito? Recorrer à bondade do relativo. Pra dar ideia de posse, o glorioso cujo pede passagem:

     

    O governo sancionou a lei cujo objetivo é aumentar o controle de atos ilícitos.

     

    Outros exemplos

     

    A mãe pediu indenização ao Estado. O filho da mãe (= dela) morreu em confronto com a polícia.

    A mãe cujo filho morreu em confronto com a política pediu indenização ao Estado.

    *

    O escritor conversou com os estudantes. O livro do escritor (= dele) foi adotado.

    O escritor cujo livro foi adotado conversou com os estudantes.

    *

    O jornalista chama-se João da Silva. A reportagem de João da Silva (= dele) foi premiada.

    O jornalista cuja reportagem foi premiada chama-se João da Silva.

     

    Tropeços comuns

    O brasileiro morre de medo do cujo. Mas, orgulhoso, esconde a verdade. Alega feiura do coitadinho. Mentira tem perna curta. Volta e meia, aparecem mostrengos como estes:

    A mulher que o filho morreu vai deixar a cidade.

    Paulo Coelho, que os livros fazem sucesso no mundo, é imortal da ABL.

    Vamos à correção: Assim: A mulher cujo filho morreu vai deixar a cidade. Paulo Coelho, cujos livros fazem sucesso no mundo, é imortal da ABL.

     

    Leitor pergunta

    Nada se compara com o tratamento especial do meu tio? Nada se compara ao tratamento especial do meu tio? Qual a regência nota 10?

    Liana Cobra, BH

    Relaxe, Liana. O dicionário de regência verbal dá nota 10 às duas construções. Escolha a que lhe soa melhor. O resultado é um só — acertar ou acertar.

     

    Li no jornal: “Fiscais extorquiram comerciante”. Certo?

    Cilene Costa, Porto Alegre

    Não. Extorquir não é lá coisa boa. Significa obter por violência, ameaças ou ardis. O verbo tem uma manha. Seu objeto direito tem de ser coisa. Nunca pessoa. Extorque-se alguma coisa. Não alguém: Fiscais extorquiram dinheiro de comerciante. A polícia tentou extorquir o segredo. Extorquiram a fórmula ao cientista.

     

    Seção ou sessão?

    Marcelo Saraiva, Recife

    Seção é a parte de um todo. Quer dizer divisão: seção de eletrodomésticos, seção eleitoral, seção de perdidos e achados.

    Sessão é o todo. Dá nome ao tempo que dura uma reunião, um espetáculo, um trabalho: sessão de cinema, sessão de terapia, sessão do Congresso.

    Superdica: o todo é maior que a parte. Por isso, sessão tem seis letras. Seção, cinco.

  • Russo e ruço

    Com a Copa do Mundo, não dá outra. O país sede vira notícia. Este ano é a Rússia. Com ela, o adjetivo pátrio — russo. Escrita assim, com dois ss, a palavra diz que se refere à terra dos czares. Mas a danada tem uma homófona. É ruço. Ambas se pronunciam do mesmo jeitinho, mas o significado de uma e de outra não se conhece nem de elevador

  • O Dia dos Namorados vem aí

    Terça é Dia dos Namorados. Flores e presentes farão a festa. Lojas e restaurantes se preparam pra grande festa. Deuses, ninfas, serafins e mortais marcarão presença. Alguns curtirão a data no planeta Terra. Outros assistirão às homenagens de longe, lá do Olimpo. Um deles é Cupido, o responsável pelos encontros e desencontros do coração.

  • Do fundão da Terra

    Ops! A montanha se mexeu. Da boca enorme, saíram lavras ferventes. É o Vulcão de Fogo, lá da Guatemala

  • Adeus, maio. Bem-vindo, junho

    Maio se foi. Com ele, a deusa Maia dá adeus a 2018. Ela se identifica com a primavera no Hemisfério Norte. As comemorações que se faziam depois do frio e da neve reverenciavam Maia e Flora — divindadesrelacionadas ao crescimento de plantas e flores. Daí o nome do mês que se despediu na quinta-feira. Até 2019

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