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Blog de Dad Squarisi

Dad Squarisi

Dad Squarisi fez curso de letras na UnB. Tem especialização em linguística e mestrado em teoria da literatura. É editora de Opinião do Correio Braziliense e comentarista da TV Brasília.

  • Diquinhas daqui e dali

    Por Dad Squarisi
    Foto Divulgação

    Recado

    “Fuja do discurso oco e vazio, que só leva a uma linguagem de adorno, pomposa e ineficaz.”

     Guia Publifolha

     

    Alguém disse que a língua é um sistema de ciladas. Tem tantas regras e exceções que nos desafiam sem compaixão. Verdade? Talvez sim. Mas não arranquemos os cabelos nem percamos a razão. Temos saídas. Uma delas: recorrer a dicionários e gramáticas. Outra: dar uma olhada nas diquinhas apresentadas. Elas tiram pedras do caminho.  

    Ordem e representação

    Mandado ou mandato? Depende. Mandado vem de mando. Trata-se de ordem judicial (mandado de segurança, mandado de prisão). Mandato é representação, delegação: O mandato de deputado é de quatro anos.

    De batom e salto alto

    Sabia? Mascote é feminina: O tatu-bola foi a mascote da Copa do Brasil. O lobo foi a mascote da Copa da Rússia.

    Sem indigestão

    O queijinho gostoso que acompanha a pizza? É muçarela — com ç.

    Agradeça com classe

    Agradeço-o? Nãooooo! Agradeça com elegância. O verbo pede objeto direto de coisa e indireto de pessoa. Assim: Agradeceu o presente. Agradeceu ao pai. Agradeceu o presente ao pai.  

    Na substituição do alguém pelo pronome, é a vez do lhe: Agradeço-lhe pela colaboração. Agradeço-lhe a atenção. Agradeci-lhe os cuidados com as crianças.

    É assim

    Marcha a ré se escreve desse jeitinho.

    Vem, contrário

    Como não confundir mal e mau? Mal é o contrário de bem. Mau, o oposto de bom. Na dúvida, apele para o troca-troca: mal-humorado (bem humorado), mal-estar (bem-estar), mau humor (bom humor), mau português (bom português).

    Salada

    Alface é feminina e não abre: a alface, alface crespa, alface americana.

    Diga o suficiente

    Há pleonasmos e pleonasmos. Alguns estão na cara. É o caso de subir pra cima, descer pra baixo, entrar pra dentro, sair pra fora. Outros não parecem, mas são. Um deles: panorama geral. Todo panorama é geral. Basta panorama. Outro: pequeno detalhe. Todo detalhe é pequeno. Basta detalhe. Mais um: planos para o futuro. Todo plano é para o futuro. Basta planos. Outros: elo de ligação, país do mundo, ainda continua, manter a mesma. Elo, país, continua e manter dão o recado no tamanho certo — sem mais nem menos.

    É assim

    Pôr em xeque se escreve assim — sem tirar nem pôr.

    Pronúncia

    Subsídio? O s soa como o de subsolo. Nobel? Rima com cruel e papel. E gratuito? Joga no time de circuito e fortuito.

    Intolerância

    Olho vivo! "Vigir" não existe. A forma é viger. Intolerante, ele odeia o a e o o. Por isso só se conjuga nas formas em que essas vogais não aparecem depois do g. A 1ª pessoa do presente do indicativo (eu vigo) não tem vez. Nem o presente do subjuntivo. Que eu viga? Uhhhhhhhh! Nas demais, é regular. Conjuga-se como viver: vives (viges), vive (vige), vivemos (vigemos), vivem (vigem), vivi (vigi), vivia (vigia). Etc. e tal.

    A fortona

    Rubrica e fabrica são irmãzinhas inseparáveis. A força delas mora na casa do meio — bri.

    Sem bobeira

    Olho vivo! Muita gente escreve "possue". Bobeia. Melhor abrir os olhos: eu possuo, ele possui, nós possuímos, eles possuem. (A regra vale para a turma uir. Entre eles, contribuir e retribuir: contribui, retribui).

    Tal pai, tal filho

    Intervir é filhote de vir. Ambos se conjugam do mesmo jeitinho: venho (intervenho), vem (intervém), vimos (intervimos), vêm (intervêm); vim (intervim), veio (interveio), viemos (interviemos), vieram (intervieram). E por aí vai.

    Raridade

    Onde ou aonde? Quase sempre onde. Aonde só se usa com verbo de movimento que exige a preposição a: Onde você mora? Aonde ele foi? Não sei aonde ele foi. Você sabe aonde ele foi?

    Metade de hora

    Que horas são? É meio-dia e meia (hora)

    Leitor pergunta

    Azul-marinho se flexiona?

    Denis Alves, BH

    Flexionar azul-marinho rouba pontos e compromete reputações. A duplinha é invariável: calça azul-marinho, calças azul-marinho, sapato azul-marinho, sapatos azul-marinho; carro marinho, carros marinho, bicicleta marinho, bicicletas marinho.

  • Dicas de Português para quarta-feira

    O vocativo é o marginal da oração. Não faz parte dos termos essenciais, integrantes ou acessórios. Por isso vem sempre – sempre mesmo – separado por vírgula.

  • Por causa de uma vírgula (3)

    A cena é familiar. Alguém vai andando galhardamente. Cabeça erguida, ombros eretos, barriga chupada, bumbum encaixado. De repente, não mais que de repente, tropeça. Levanta-se rápido. Desconfiado, olha pra lá e pra cá. Continua a marcha como se nada tivesse acontecido. Mas o estrago está feito. A frase também tropeça. Basta pôr certa vírgula em certo lugar. Mais precisamente: basta provocar o adjunto adverbial que está quietinho, lá no fim da oração.

  • Dicas de português para quarta-feira

    Pulga atrás da orelha “Temperamento é calcanhar de Aquiles de Joaquim Barbosa”, escreveu a Folha de S.Paulo. Leitores leram e releram a frase. Respiraram fundo. Tentaram mudar de assunto. Em vão. Uma pulga teimava em lhes cutucar a orelha. A causa não tinha nada a ver com política. A razão do incômodo era linguística. Em bom português: o emprego da inicial maiúscula.

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