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Blog de Jaime Folle

Geral

Jaime Folle

Formado em Administração, pós-graduado em Contabilidade e mestre em organização e direção de empresas e em Gestão de Desenvolvimento.

Escritor com três livros publicados, Jaime Folle trabalhou por 30 anos como professor universitário e palestrante. 

 

  • Alguém para alguém

    Por Jaime Folle
    Foto Divulgação

    O que é ser alguém para alguém ou não ser ninguém para ninguém. Se olharmos um pouco para trás, observaremos como as comunidades eram mais organizadas, como se defendia muito a palavra contemplar (culto ao templo), ou seja, ir à igreja com a família inteira. A contemplação era um programa obrigatório aos domingos, e durante a semana, o almoço e o jantar eram um verdadeiro culto ao combustível humano, todos em torno da mesa, um bem sagrado que se agradecia no início e no fim das refeições, externando um louvor meritório à Deus e à quem as preparou com muito amor.

    Nas rodas familiares, trocavam-se experiências, ouviam-se histórias e lendas contadas por alguém mais velho para alguém mais novo, também se brigava e, por fim, sempre tinha alguém para apaziguar e tudo terminava muito bem, no profundo sono da noite. A contemplação no amanhecer, quando ninguém se adiantaria para o café, todos deveriam fazer a principal refeição do dia juntos.

    Daí veio o que se chama de evolução e, com ela, a velocidade dos tempos, o individualismo passou a ser uma marca definitiva e vai se assegurando cada vez mais nos tempos futuros. Vejamos que as rodas de família perderam o seu espaço, parece que ninguém mais é de ninguém, filhos isolados, casais equidistantes, idosos encolhidos nos seus cantos, quanto muito um oi de um filho ou neto e nada mais. No trabalho a tecnologia isolou o calor humano e o convívio dos funcionários, mães se separam de seus filhos, entregando-os nas creches e somente são deles no final do expediente; em muitos casos, somente nos finais de semana.

    Parece que ninguém é de ninguém, pois a autoridade dos pais não se impõe mais sobre os filhos, professores não comandam mais seus alunos, autoridades comunitárias perderam seu espaço, e as bases tribais de comando morreram.  Nas empresas, é uma competição de cães vorazes, onde uns querem engolir os outros, funcionários brigam por cargos e defendem seus territórios, assim como os animais de selva.

    Salve-se quem puder, ninguém mais é de ninguém.

    Posso estar redondamente enganado com este comentário, mas é o sentimento de alguém perceptivo que convive em diversos lugares e em regiões e povos diferentes através das minhas palestras, e o que percebo é que os conceitos estão mudando muito rápido, e que o valor do ser humano está sendo subjugado ou engolido por uma forma de comportamento em que não estamos mais nos valorizando, a não ser por interesses afins.

    Pois é!  Eu pretendo continuar sendo alguém para alguém!

    Até a próxima

     

     

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