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Blog de A Voz da Diocese

  • A palavra de Deus e cidadania

    Por A Voz da Diocese
    Foto Rodrigo Finardi

    Estimados diocesanos! Neste mês dedicado à Palavra de Deus, olhando o descrédito do nosso povo em relação aos políticos e às propostas que vêm apresentando, como salvadoras da dura realidade social em que vivemos, marcada pela violência, desemprego e desânimo, corremos o risco de nos tornarmos apáticos e indiferentes diante das nossas responsabilidades de cidadãos deste país. Nesta realidade e frente a tais propostas, cada um de nós é chamado a dar sua parcela de contribuição, de forma responsável, através do voto. É um ato de cidadania para com o país, mas principalmente em relação a nós mesmos, cidadãos desta nação brasileira. O meu pecado de omissão, pode ser a causa da violência e do desemprego que atingem também os meus irmãos e irmãs.

    Onde está a coerência entre a tua fé, a Palavra de Deus e a cidadania? Às vezes somos tentados a nos deixarmos levar por discursos, cheios de propostas pouco “factíveis”, que não trazem presente a realidade e os anseios do povo brasileiro. Ouvimos discursos sobre projetos, que a simples dona de casa, que paga as contas com as moedas contadas a cada mês, sabe que é fruto de demagogia de político querendo voto, mas não têm o mínimo de compromisso com a vida real do povo.

    Apresentar propostas que busquem soluções para os nossos problemas, a curto, médio e longo prazo, parece que não está ao alcance de muitos políticos, porque olham apenas o mandato de quatro anos e não as necessidades do povo e o futuro da nação brasileira. Ás vezes, pode soar difícil de digerir uma proposta realista, não dá voto, porque apresenta uma realidade que nós vemos e nos incomoda, mas não queremos aceitar, ou tomar decisões que tragam mudanças pela participação responsável do voto. Preferimos nos omitir, para depois retomarmos o discurso de que “todo político é corrupto” e esse país não tem jeito.

    Lendo e relendo a Palavra de Deus, na história do povo de Israel, percebemos o quanto foi importante a figura dos profetas, para reconduzir o povo à Aliança com Deus. Os profetas não tinham missão fácil, mas estavam comprometidos com o amor de Deus pela vida e a dignidade do povo. Gostaria de lembrar o profeta Jeremias, que não foi chamado e enviado para anunciar vitórias e um futuro esplêndido para o povo de Israel. Ele tinha a ingrata missão de anunciar algo de muito impopular: que o único caminho para salvar a vida é aceitar passar pelo fracasso, isto é, confrontar-se com a realidade, por mais difícil que ela seja (cf. Jr 21,9; 39,18; 45,5).

    Também na vida pessoal e comunitária, há alguns momentos nos quais não é possível alimentar a esperança em relação ao futuro, a não ser aceitando transpor o tempo da prova e da derrota. Muitas vezes pensamos que a salvação dos nossos problemas brasileiros seja aceitar uma infinidade de propostas apresentadas pelos candidatos à eleição, que jamais serão realizadas, que nos dizem que no final todas as coisas vão estar bem, que todos os problemas serão solucionados se ele eleito for. Mas sabemos que não é assim! Quando fizermos do nosso ato de votar um ato de responsabilidade e cidadania, começaremos a colaborar de forma responsável com a transformação da realidade deste país, que muito falamos e almejamos, mas às vezes não acreditamos que a mudança começa a acontecer quando eu assumo atitudes para mudar. A mudança depende de nós.

    Tende todos um bom domingo.

    Dom José Gislon - Bispo diocesano de Erechim

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