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Blog de Coluna do Leitor

  • O bioma amazônico e sua importância

    Por Coluna do Leitor

    Neide L. Piran – profª de Geografia (aposentada)

     

    No texto “Ambientalismo em alta. Que bom para a Amazônia” coloquei que no próximo escreveria sobre as chuvas na Amazônia, o porquê de não termos desertos no centro-sul do Brasil e um possível porquê Macron, presidente da França usou a expressão  “A nossa Casa”.

    Iniciando pelas chuvas na Amazônia:

    “O professor de Física da USP, Paulo Artaxo, juntamente com sua equipe, conseguiu desvendar um mistério de mais de 25 anos.  O trabalho, publicado no periódico Nature, chegou à conclusão de que as partículas que alimentam as nuvens de chuva da Amazônia acontecem a 15 mil metros de altitude”.

    Continua: “ [...] a Floresta Amazônica emite compostos orgânicos voláteis (VOCs, em inglês) como terpenos e isoprenos. Quando lançados, os VOCs são carregados pela subida das correntes de ar  e alcançam uma faixa de até 15 mil metros de altitude. Estes (e outros) aerossóis são de grande importância, pois só acontece a  condensação do vapor d’água em torno deles. Ao subirem, sofrem resfriamento e aos poucos vão formando  nuvens. Porém, quando acontece  uma chuva na Amazônia, a presença de aerossóis na atmosfera fica reduzida, quase nula. Assim, aquela massa vegetal trata de repor os VOCs que são transportados até a alta atmosfera e todo o processo de formação das nuvens começa de novo. Essa é a razão da ocorrência de tanta chuva na Amazônia”. Via site da USP.

    Esta recente descoberta está sendo fundamental para que continue a luta contra o desmatamento, para que esse Bioma possa continuar prestando os serviços ambientais já bem conhecidos pelos cientistas e que nós também devemos saber. Ela só pode ser utilizada economicamente de forma sustentável.           

    Quanto à questão dos desertos: no Hemisfério Sul, nas latitudes subtropicais (dos 23º a 30º, aproximadamente) ocorrem, por vários motivos, os desertos de Atacama, Kalahari e vários  australianos. Essas áreas do Globo têm essa vocação à aridez.    E por que as áreas brasileiras de mesma latitude, não? Exatamente porque são os “rios aéreos” provenientes da Amazônia que se dirigem às mesmas e, encontrando-se com as frentes frias, formam as nuvens necessárias para delas cair a chuva que as regará. Portanto, mais uma vez a Amazônia cumpre com seu papel, contrariando a tendência para a aridez das áreas brasileiras que são atravessadas pelo paralelo 30º S (Centro-sul).

    E quanto à “Nossa Casa”?

    Possivelmente Macron usou esta expressão porque uma das últimas Conferências das Partes - a COP 21 - em 2015 foi em Paris. Daí saiu o Acordo do Clima, apoiando esforços para que a temperatura média global não aumento mais que 1,5ºC, entre outros temas.

    Os ambientalistas há muito tempo chamam a Terra de Nossa Casa. O Papa Francisco, ciente da situação porque passa o ambiente terrestre, escreve em sua Encíclica “Louvato’Si”, que a morada terrestre é a “Nossa Casa Comum”.

    Assim, acostumemo-nos com essa expressão, que carrega consigo uma filosofia tão profunda, que impede que nos preocupemos com os possíveis motivos geopolíticos que sempre assombraram a Amazônia.

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