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Blog de Gleison Wojciekowski

Música

Gleison Wojciekowski

Gleison Juliano Wojciekowski é pianista, regente e professor. Atuou no curso de Música da Universidade de Passo Fundo; foi diretor e vice-diretor da escola Municipal de Belas Artes Osvaldo Engel; e é membro da Academia Erechinense de Letras.

Gleison é mestre em História para Universidade de Passo Fundo; mestrando em Musicologia pela Universidade de Santa Catarina; possui graduação em Música – Habilitação em Piano pela Universidade de Passo Fundo (2007); licenciatura em Música pela mesma universidade; e graduação em Informática pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (2002).

Já ministrou aulas de música em diversas instituições de ensino superior, como Unoesc (SC) e Famper (PR). Atuou como maestro da Orquestra de Câmara da Universidade de Passo Fundo e atua na Orquestra Belas Artes, além de tocar ao lado do acordeonista Oscar dos Reis, com quem gravou um DVD.

  • José Carlos Wicteky: uma paixão muito maior que um hobby

    Por Gleison Wojciekowski

    Gostar de música é algo inerente ao ser humano, tanto que o fato de um ser humano não sentir prazer com essa arte é pode ser considerado como uma doença. De fato, o amor a música pode ser tamanho que algumas pessoas devotam sua vida a ela, mas viver neste país deste amor, a música, ao mesmo tempo é algo extremamente difícil, até mesmo ingrato. Essas dificuldades muitas vezes nos afastam de uma forma ou outra dessa vocação, onde muitas vezes descobrimos outras vocações que também nos dão prazer, esse me parece o caso do músico desta semana, o médico, guitarrista, violonista, cavaquinista e compositor José Carlos Wicteky, conhecido pelos seus pares como "Dr. Wicteky".
    Nascido em Erebango, filho do ferroviário Joaquim Wicteky e de Cezarina Gonçalves Dias Wicteky, (e seus avós paternos vieram da Áustria e enquanto seus avós maternos vieram de Portugal), onde a música entrou em sua vida meio por acaso, quando aos treze anos de idade, ganhou um violão de seu pai, e de forma auto ditada começou a tocar as suas influências da época, que consistiam basicamente da Jovem Guarda (Roberto e Erasmo Carlos, e grupos como Golden Boys, Renato e seus Blue Caps e Os Incríveis) e da banda inglesa The Beatles.
    Com essas influências, de forma autodidata além do violão, Wicteky também aprendeu cavaquinho e harmônica, além de pesquisar sobre harmonia para poder entender o processo musical dos compositores.
    Não demorou muito para que o gosto pelo mesmo tipo de música atraísse outros garotos, formando grupos de amigos interessados em discos, músicos e em discutir sobre seus ídolos, e é claro tocar como eles. Destes amigos nesta fase inicial podemos citar Normides Taglietti, César Tadeu Stanisçuaski (Santa Maria), Telmo Trindade e Wagner Blusamarello.
    Deste grupo de amigos logo surgiria sua primeira banda, o Conjunto Ipanema, grupo este que seria uma iniciativa de Normides Taglietti, César Tadeu Stanisçuaski (Santa Maria) e Wicteky e tocariam juntos por alguns anos e em toda a região além de diversos estados brasileiros.
    Seu segundo grupo musical foi Os Insaciáveis, do qual também faziam parte João David de Souza, Wilmar Neumann e Wagner Blusamarello. Wicteky participou também de alguns festivais universitários de música, em um tempo que os festivais e a própria música aconteciam de uma forma diferente.
    Talvez uma das pessoas que tenham influenciado sua paixão pela música fora sua mãe, que ouvia muita música e vivia cantarolando quando o jovem Wicteky estava por perto, canções como Asa Branca, além de seu irmão Walmor, que posteriormente lhe mostrou um caminho mais vanguardista da música, e que Wicteky cita quatro canções que ilustram bem esse caminho, Carolina e Sem Fantasia, ambas de Chico Buarque de Holanda, Because, da banda The Beatles, além de Panis Et Circenses, de Caetano Veloso e Gilberto Gil, gravada pelos Mutantes no disco que daria nome a um movimento musical brasileiro de grande importância, A Tropicália.
    Esse novo horizonte despertado pela Tropicália, fez com que Wicteky entrasse também no mundo da literatura, da música erudita e do choro, que de certa forma isso se reflete nas suas composições de uma forma natural, essa mistura de elementos, de influências, como o próprio Wicteky nos fala: "quando ouvi Lamentos, de Pixinguinha, achei que ele era um E.T., tamanha a perfeição daquela melodia. Ouvia muito a Tocata e Fuga em Ré menor de J. S. Bach, e acredito que ele influenciou muito os compositores de chorinho. Se Bach fosse brasileiro, certamente seria um chorão."
    Mas a certa altura da vida, Wicteky tem que fazer uma opção, talvez um pouco difícil no início, mas definitiva em sua vida, fazer faculdade de medicina, onde estudou durante seis anos, e seguidos por mais três de especialização em oftalmologia no Instituto Prof. Ivo Corrêa Meyer, em Porto Alegre.
    Para conseguir alguma renda e facilitar a sobrevivência, já que era filho de ferroviário e a vida sempre foi muito batalhada, foi professor de química durante o período que estudou medicina, além disso, também foi vendedor de livros de medicina. Vale citar aqui que Wicteky já tinha trabalhado como bancário antes de fazer medicina, paralelamente a sua vida musical.
    Após a formatura, Wicteky começou a exercer a profissão de oftalmologia, a qual se dedica de corpo e alma, mas a música não ficou esquecida, passou a utilizar a música para sair do consultório e relaxar, refazer as energias para encarar os problemas do cotidiano, como ele próprio relata: "Como músico sinto-me um ser aberto aos sons que nos rodeiam e (ainda) não preciso de tranqüilizantes para viver, porque a música é a minha terapia. Sem ela, certamente eu seria um freqüentador assíduo dos divãs dos psiquiatras. A música me humaniza, me afasta da característica animalesca que todos nós temos."
    Para Wicteky, "ser músico no Brasil hoje é ter muita coragem e disposição para enfrentar desafios e só com amor à arte uma pessoa não desiste dos seus objetivos. É necessário também ter muita paciência, já que a arte no Brasil, como um todo, é considerada coisa supérflua. A mídia em geral não ajuda muito, apostando sempre no descartável e no lucro rápido e fácil. O Brasil ainda esta longe dos países europeus, onde se valoriza a criatividade dos músicos. Temos consciência plena de que tudo isso parte de um processo histórico, uma fase, e como tudo na vida, passará. Dentro de algum tempo entraremos numa fase melhor, certamente. Já tivemos a fase da Bossa Nova e do Tropicalismo, que foi a época mais criativa da música brasileira. Estes altos e baixos são normais numa sociedade em evolução".
    Montou o grupo Etna, com o qual gravou quatro discos, sendo o primeiro em 1997, intitulado "Somos Assim", contendo basicamente versões e covers, o segundo, lançado em 2005, gravou um CD somente com composições de Wicteky, cujo nome é "Cidadão do Mundo", o terceiro foi lançado em 2007, denominado "O Baile" e em 2009 o seu quarto trabalho, chamado "Banda Etna", também com músicas da autoria de Wicteky. O primeiro, segundo e quarto trabalhos foram gravados pela LC Produções e Gravações, enquanto o terceiro foi gravado no estúdio de Benhur Cidade.
    Atualmente Wicteky continua com suas duas profissões, médico e músico, e não tem intenção de desistir de nenhuma delas, pois acredita que elas se encaixem uma na outra perfeitamente como "são como duas células unidas pelas suas membranas".

     

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