22°C
Erechim,RS
Previsão completa
Euro R$ 4,37 Dólar R$ 3,89
22°C
Erechim,RS
Previsão completa
Euro R$ 4,37 Dólar R$ 3,89

Publicidade

Blog de Igor Dalla Rosa Muller

  • É preciso fortalecer o poder econômico do cidadão

    Por Igor Dalla Rosa Muller

    Não é possível mais pensar, projetar e construir o Brasil, isoladamente. As políticas que regem tanto a economia, setores industriais, agrícolas, educacionais precisam ser estruturadas conjuntamente, numa visão que envolva, principalmente, a necessidade da população. Sem definir como prioritárias as pessoas e suas necessidades nada vai se sustentar, não tem como avançar. Aliás, só vamos retroceder. O Brasil tem que ser projetado a partir dos municípios, da base, de onde vivem as pessoas. Enquanto perdurar a concepção de país tendo como centro o umbigo de Brasília, nada vai dar certo. É triste, mas essa é a realidade. E porque falar em economia? Porque no final de contas, a questão sempre é sobre dinheiro.

    Estagnação

    Segundo o economista Amir Khair, o país ao invés de crescer nesse primeiro trimestre está perdendo 0,2% de atividade econômica. Mas o que significa esse 0,2% de queda? A previsão dos analistas em termos gerais é que o crescimento econômico, deste ano, fique abaixo de 1%. Qual é o impacto disso na sociedade? “É continuar a perda de empregos, vagas, principalmente, com carteira assinada”, diz. Ele acrescenta que a maneira que está sendo conduzida a economia vai aprofundar o processo de regressão da atividade econômica.

    Corte de gastos

    O economista afirma que pode-se ter uma política de corte de gastos, mas tem que se saber aonde cortar para surtir efeitos.  

    Uma das áreas que poderia se cortar são os gastos supérfluos do governo, desvios, roubos, “tudo que é tipo de situação estranha às finalidades do setor público”.

    Segundo Amir, poderia também diminuir o excesso de funcionários públicos que estão em áreas políticas e que não tem justificativa de estar ali. Reduzir a burocracia política que existe no país, como o excesso de deputados, senadores, parlamentares de toda a ordem.

    “E o pior, cada deputado e senador tem uma estrutura de apoio, de funcionários absurdamente elevada, ou seja, um parlamentar que tem um salário da ordem de R$ 30 mil custa aos cofres públicos, ele e mais seus assessores, mais de R$ 300 mil todo mês, e essa é a conta que cada um de nós tem que pagar”, observa.

    Aumentar a arrecadação

    Ele chama atenção para duas outras questões, na sua visão é muito mais importante do que cortar despesas, aumentar a arrecadação pública e reduzir a conta dos juros.

    Juros

    “Embora não se fale, os juros representam 80% do déficit público do país. As altas taxas de juros deveriam ser atacadas, elas recaem e atentam contra os interesses da população. Porque é dinheiro rasgado, dinheiro perdido”, comenta.

    Crescimento econômico

    O economista explica que a arrecadação está muito ligada ao crescimento econômico, a queda forte da arrecadação é que gera todo o problema fiscal do país. “Não é o aumento de despesas, mas, principalmente, a queda de arrecadação”, observa.

    Amir ressalta que o Brasil não vai sair desse “lamaçal” em que se encontra a economia, enquanto não tiver políticas claras de crescimento econômico. “Isso significa fortalecer e não enfraquecer o poder aquisitivo da população”, diz.

    Ele afirma que 93% das pessoas que estão na Previdência Social ganham salário mínimo, então, uma política que tenha como valor absoluto a reforma da Previdência, “está dando um golpe no poder aquisitivo da população. É essa questão do ponto de vista de impacto na questão econômica”.      

    Outro ponto que ele destaca é que se tem uma economia em que uma parte importante da população, cerca de 70 milhões de pessoas estão negativadas no Serasa, e mais 29 milhões de pessoas que estão fora do mercado de trabalho, afastados e que desistiram de procurar emprego, ou vivem de bicos com recursos eventuais ao longo do mês. “Essa situação delicada vai piorar ao longo do ano, não pela minha visão, mas pela visão de todos analistas”, diz.

    Cortes

    Segundo Amir, quando se segura as despesas que vai para a área social, ou seja, “o andar de baixo”, se corta automaticamente a arrecadação pública. “Quando se retira direitos de quem ganha até três salários mínimos, isso repercute na questão fiscal, porque diminui o consumo das pessoas. Consequentemente, o faturamento das empresas, e aí resulta em menor arrecadação, agravando ainda mais a questão fiscal, independente da questão da Previdência Social”, observa.

    Desemprego e queda da renda

    O economista, Waldir José de Quadros, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em entrevista para a IHU On-Line, afirma que os dados da Pnad indicam que a crise econômica gerou pelo menos três consequências: desemprego; queda da renda dos trabalhadores; e, aumento do número de desempregados com ensino superior completo.

    “É assustadora a bomba-relógio que temos pela frente. Considerando os dados do quarto trimestre de 2018 da Pnad Contínua, é possível observar que dos 5,8 milhões de ocupados com ensino superior incompleto, 4,6 milhões são ‘pobres’. Mais grave ainda: 8,3 milhões de ocupados que estão classificados na categoria ‘pobres’ têm ensino superior completo. Se juntarmos aqueles que têm ensino superior incompleto e aqueles que têm ensino superior completo, temos 12,9 milhões de trabalhadores ‘pobres’ com nível superior”, afirma

    Segundo Waldir, tanto os desempregados quanto os ocupados que têm nível superior completo “estão vivendo num nível social muito inferior, o qual é incompatível com o que se espera de alguém que tem ensino superior”.

    De acordo com o economista, olhando os dados recentes, como os do último trimestre de 2018, percebe-se que 80% dos ocupados são classificados em alguma das categorias a seguir: “40% estão na camada superior dos pobres, 27% na camada dos pobres e 13% na camada dos miseráveis. A camada “superior dos pobres” tem uma renda média mensal de 1.700 reais, os “pobres” recebem 920 reais mensais e os “miseráveis”, 310 reais mensais”, diz.  

    Para ele a reforma da Previdência não vai melhorar a economia. “A economia está parada porque ninguém tem renda. O consumo está baixo, estagnado e a reforma não vai mudar nada. Por que os empresários vão investir? Só porque agora tem uma reforma? Não. Essa é uma demanda do setor financeiro”, afirma. E, acrescenta, “é claro que é preciso uma reforma da Previdência, porque a atual é cheia de privilégios, mas a reforma proposta não mexe nos privilégios”.

Blog dos Colunistas

Publicidade

Horóscopo

Gêmeos
21/05 até 20/06
Só aceite novas ideias se essas forem postas em...

Ver todos os signos