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Blog de Igor Dalla Rosa Muller

  • Impressões da Copa

    Por Igor Dalla Rosa Muller
    Foto Arquivo BD

    Inverno em Boa Vista de Erechim nos anos de 1935. No canto da foto, a antiga Igreja Matriz embelezava a cidade.  

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    A pausa nos jogos da Copa traz certa abstinência, sensação de vazio durante o dia, uma sensação de que está faltando alguma coisa. E parece que realmente há um vazio. Mas por quê?

    A Copa do Mundo é um evento esportivo, mas também econômico, social e, principalmente, cultural. Uma paixão mundial, que envolve a pluralidade da vida humana, mostrando suas riquezas e mazelas.

    Enfim, é um palco que ali se apresenta o que há de diferente, inusitado, moderno, tradicional e, ao mesmo tempo, normal.

    O futebol é o campo “neutro” que serve para descarregar energias acumuladas, extravasar, discutir, brigar e travar grandes batalhas.

    Ou, por outro olhar, simplesmente, futebol é futebol, significa uma bola rolando no gramado verde com muitos jogadores em busca do gol. Uma competição que desperta emoção, simples alegrias com ou sem arte, com mais ou menos sofrimento.

    De um lado ou de outro, futebol é isso e muito mais, basta saber como se quer olhar para ele. De qualquer forma, acho difícil e há muito tempo não consigo mais olhar para ele com inocência, uma visão desprovida de análise social e econômica. Certo, errado? Não sei.   

    Para sustentar minha atenção diante do jogo até me esforço e busco encontrar arte, mágica nas jogadas de um lado para outro. Mas elas são pontuais, esporádicas, raras, e logo minha atenção se dissipa. Parece não haver mais. A impressão que fica é de um futebol desprovido de emoção, intuição, sem o algo a mais.

    Sem dúvida, pode ser somente a minha impressão, contudo, é a que tenho no momento. Será que perdi a sensibilidade?

  • Batendo cabeça

    O que hoje é um – “gasto” - diria investimento, amanhã pode ser uma indústria cultural

  • Cadê o estadista?

    Cadê o estadista, que chama a responsabilidade para si e vai à luta? Este é o máximo que consegue fazer?

  • Qual é o problema?

    Da onde sai o dinheiro para pagar as contas dos políticos?

  • Para além

    A população brasileira deveria considerar outra opção para além de Lula, para além de Temer e para além da Justiça

  • Complexo de vira-lata

    Buscar reconhecimento numa plateia estrangeira, este é o legítimo complexo de vira-lata

  • Negar e falsificar?

    Acho que não falta opinião nos brasileiros sobre o que é bom para o Brasil e a economia, ou saúde, educação e cultura. Enfim, qualquer assunto. Tem opiniões esdrúxulas, insanas, absurdas, mas se passar a peneira para o que realmente importa, o resultado será útil e positivo, se encontrará comentários relevantes e pertinentes. O problema não está aí. Se prevalecesse a opinião identificada com as necessidades dos brasileiros, e esta avaliação fosse utilizada para decidir sobre as questões mais importantes, o Brasil seria uma nação de primeiro mundo. Não tenho dúvida disso. O reflexo dessa transformação seria construtiva, efetiva e com o passar dos anos avassaladora. O Brasil está travado. Pode até cantar, mas dentro da gaiola, com espaço limitado, restrito, predefinido. Quando se fala em avançar tem que levar junto as correntes, que nos agrilhoam à práticas ultrapassadas, que não estão abertas ao diálogo. Falta a percepção local, a racionalidade brasileira, o sentido da terra, a visão que identifica a mudança, questiona e aponta para o novo. E, de modo algum estou falando em apagar o passado. Muito pelo contrário, valorizá-lo e resgatá-lo cada vez mais. Por exemplo, para a cidade crescer não precisa derrubar os prédios antigos, mas sim, restaurá-los e deixá-los acessíveis ao público, identificando-os como a origem, o começo de tudo, a base para a história atual com seus personagens, curiosidades, razões e sentimentos. Assim como a cultura indígena, presente na nossa alimentação diária. Falta dar crédito à cultura local, à necessidade de cada município e região, mas principalmente, ouvir e agir conforme a avaliação, o conhecimento que analisa pelo ponto de vista do Brasil e indica mudanças construtivas, favoráveis ao país. Outro exemplo é a economia, assunto complexo e abrangente, que aceita muitos pontos de vista e práticas. Área de difícil entendimento e aplicação, mas ainda um fenômeno humano, cultural, que pode ser adequada à realidade brasileira. Décadas se arrastam e o Brasil patina em questões básicas da sociedade? Pessoas vivendo em lixões? Pobreza generalizada? Epidemias? Índice de violência de guerras? Economia estagnada? Falta de infraestrutura? E o Brasil está entre os 10 países mais ricos do mundo. Muita coisa é e já foi dita por especialistas e estudiosos sobre a realidade brasileira, mas o ponto central é qual destes defendem pontos de vista que tem por princípio construir autonomia política, econômica, social e cultural? Este conhecimento existe? Onde está? Por que não é colocado em prática e se entranha nos rumos do país? Nações superdesenvolvidas usam juros baixos ou negativos na economia, por que aqui tem que ser os mais altos do mundo? Por que não há trens para transporte de carga e passageiros? A reforma da Previdência vai corrigir os absurdos e distorções ou vai achatar ainda mais o trabalhador? O que afinal prevalece? Será nosso destino falsificar a realidade e negar cada suspiro de mudança construtiva?

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