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Cultura

Hobby que virou profissão

Por Najaska Martins - najaska@jornalbomdia.com.br
Foto arquivo pessoal

Casal de Erechim se mudou para o centro do país para ensinar danças gaúchas em CTGs do MS, MT e GO

Em 2014 Rodrigo Vargas atuava como repórter de esportes e segurança no Jornal Bom Dia e, nas horas vagas, se dedicava a dar aulas de danças gaúchas, uma de suas paixões desde a adolescência. Sua esposa, Marília, então funcionária de uma transportadora, a estas alturas já havia abraçado a arte que o marido sempre gostou e, junto com ele e os dois filhos do casal – Julia e Gabriel – era presença constante no Centro de Tradições Gaúchas. Foi neste contexto que surgiu uma oportunidade que transformaria a vida da família: o convite para dar aulas das danças típicas gaúchas Rio Grande do Sul afora.

Convite aceito, Rodrigo, a esposa e os filhos largaram tudo em Erechim e se mudaram naquele ano para Chapadão do Sul, no Mato Grosso do Sul para dar início a uma nova história para a família. “Avaliamos bem a proposta, pois sabíamos que envolvia uma mudança muito grande para todos nós”, pontua ele. Desde então, a rotina da família se transformou e se baseia em torno do objetivo de levar a cultura gaúcha para outros estados. Depois dessa experiência, os quatro já moraram em Jataí, em Goiás e atualmente residem em Canarana, no Mato Grosso, onde Rodrigo é instrutor de danças no CTG Pioneiros do Centro Oeste.

Cultura gaúcha fora do RS

Conforme Rodrigo e Marília, desde que se desafiaram a levar a dança gaúcha para fora do RS, uma das percepções que ambos tiveram foi a intensidade da cultura do Estado fora dele. “Eu sou contratado por CTGs que estão instalados em outros estados. Logo, quando chego, já há uma comunidade em torno da nossa cultura formada. O mais interessante de tudo é ver o quanto estas comunidades perpetuam essa cultura e a forma como valorizam e vivenciam nossa arte e nossas tradições”, explica Rodrigo.

Marília reforça que um dos motivos para isto é o fato de que são nos CTGs que o povo sul rio-grandense encontra proximidade com o Estado. “Em geral quem frequenta os CTGs são famílias gaúchas que moram fora do RS há muito tempo, então, é nestes espaços que elas têm a oportunidade de vivenciar os costumes e a cultura do seu estado natal. Assim, eles vivenciam de forma muito intensa”, afirma.

O casal explica ainda que também é bastante comum famílias que não tem ligação com o RS frequentarem estes espaços. “O pessoal de fora valoriza muito a cultura gaúcha e principalmente os valores que são ensinados nos CTGs, por isso alguns as vezes matriculam os filhos, que acabam levado os pais e assim todos se reúnem pelo mesmo objetivo, compartilhando as mesmas coisas”, completa.

Rodrigo, que fez curso para se tornar instrutor de danças em 2003, destaca ainda a alegria pelo trabalho que vem realizando. “Nunca pensei que aquilo que eu tinha como um hobby se tornaria minha profissão. É um orgulho imenso poder levar a dança que eu sempre gostei tanto para fora do Estado e perceber a vontade e o carinho que as pessoas têm por esta arte”, pondera, explicando que dá aulas no CTG todas as noites, para grupos de diferentes categorias.

Família mais unida

Da grande mudança da família Vargas, um dos principais resultados que Rodrigo e a esposa se orgulham é a união. “Com certeza sempre nos amamos e nos damos bem, porém, quando estávamos aqui, nossa relação não era tão intensa quanto agora. Desde que nos vimos longe de nossos pais, de nossos irmãos, as crianças distantes dos avós e tios, percebemos que nós nos aproximamos de uma maneira muito especial. Hoje somos unidos, todos temos uns aos outros. Nossa relação de família se tornou muito mais profunda”, pontua Marília, que atua como professora de educação infantil.

Ainda sobre família, Rodrigo destaca que um de seus momentos de maior orgulho foi poder estar com a esposa e com os filhos dançando em festivais. “Quando percebi que estava vivendo da arte que sempre amei, com a esposa do lado e com meus filhos pilchados, dançando juntos, fui às lágrimas, vi que minha felicidade está completa. Uma emoção sem tamanho, que não sei descrever em palavras”, ressaltou.

O instrutor pontua que suas principais metas agora são a conquista de uma premiação com o CTG fora do RS e, na sequência, uma premiação nacional. “Se ensinar a cultura gaúcha dentro do Estado já é gratificante, fora dele é ainda mais especial. Espero agora conseguir uma premiação com o CTG que eu trabalho e, meu sonho mais alto é conquistar um prêmio em um festival nacional”, finaliza.

 

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