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Rural

“A agricultura é o futuro”

Segundo Airton Dirceu Racoski, quem está no campo tem que continuar produzindo alimento

Produtor Airton Dirceu Racoski
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Ígor Dalla Rosa Müller

A preocupação de Airton é saber quem vai produzir os alimentos no futuro, já que o jovem só quer estudar e ir para cidade

A vida toda, Airton Dirceu Racoski da Linha Dois Seção Dourado, Escola Branca, se dedica ao cultivo de alimentos. Assim é a rotina do produtor. “Hoje, a agricultura dá retorno financeiro, mas tem muita coisa para melhorar”, explica.

Airton produz todo tipo de hortifrútis, tomate, saladas e temperos. Ele trabalha na sua propriedade junto com a esposa e mais dois funcionários, já que sozinho não daria conta de todo serviço.  

Segundo ele, de uns anos para cá a agricultura melhorou com o acesso as máquinas e a tecnologia. Isso diminuiu a carga de trabalho sobre o produtor contribuindo para aumento da produção e a qualidade do alimento. “Isso ajudou bastante”, afirma. É muito importante diversificar a produção para manter a renda, por isso, além dos hortifrútis plantados durante o ano, ele cultiva um pouco de soja.

Airton explica que a atividade traz retorno financeiro, mas o custo de produção é caro e só vem aumentando e a margem de lucro está cada vez menor. O produtor destaca que a feira é um importante espaço já que vende direto ao consumidor. “O retorno é maior. Nossos produtos têm boa qualidade e durabilidade, isso é um diferencial que ajuda bastante”, enfatiza.

 “A agricultura é o futuro. Sem comida ninguém vive. Quem está no campo tem que continuar, porque vai ir aonde, na cidade é pior, não tem trabalho. Apesar das dificuldades o campo ainda é melhor. Na agricultura se consegue ter qualidade de vida, acho que com a tecnologia que tem, está melhor no campo do que na cidade. Hoje tem internet, tem tudo, uma vez não tinha, agora tem”, observa.

Conforme Airton, a cultura de hortifrútis tem bastante tecnologia, no entanto, o custo ainda é muito elevado. Mesmo com esses recursos tem bastante coisa para melhorar. Outra questão é que esse tipo de cultura passa necessariamente pelas mãos do produtor.

“É o que mais exige mão de obra e não se acha funcionários novos”, ressalta. E, acrescenta, “tenho dois, um tem 50 anos e outro 45 anos, mais novo não acha. Essa é uma dificuldade do campo, os jovens não querem nem saber da agricultura, está complicado”, salienta.  

O produtor se pergunta como vai ser daqui para frente, já que o jovem só quer estudar e ir para cidade. “Comentamos outro dia aqui na feira, que tem 40 feirantes, que poucos filhos vão exercer o que está aí. O meu tem nove anos e passa o dia inteiro no colégio, nunca vai se interessar pela lavoura”, afirma.  

Airton tem uma filha de 22 anos que casou e não quis ficar na atividade. O menino de nove anos diz para o pai que vai ser agricultor. “Mas é novo ainda e até lá pode mudar. Até pode ser que fique em função da tecnologia”, afirma.

“Três anos atrás, o cara saía da colônia e ia para cidade e ganhava um bom salário. Hoje, é diferente, o emprego da colônia tem salário melhor que na cidade”, comenta. 

Ele lembra que quando era pequeno ficava meio turno na aula e meio-dia trabalhava na roça com os pais. “Às vezes ficava o dia inteiro na roça, isso fez tomar gosto”, observa. E, acrescenta, para produzir alimentos tem que gostar da atividade e se dedicar muito, senão não tem resultado, ainda mais hortifrútis, que exige muito cuidado e precisa trabalhar de sol a sol. “Até que dá vou tocar”, conclui.

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