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Especial

Uma história de mudanças, desafios e conquistas

Helena Confortin
Por Amanda Mendes
Foto Divulgação

“Ser a única mulher numa equipe diretiva composta por homens: fazer-me ouvir, ter aceitas as minhas ideias e opiniões, colocar-me em igualdade de condições na gestão e condução da instituição”, esse foi o principal desafio enfrentado pela linguista, Helena Confortin, que exerceu as funções de diretora acadêmica e pró-reitora de ensino na Universidade Regional Integrada (URI).

Natural de Marau, Helena tem uma trajetória extensa no campo da educação e da linguística. Inspirada a buscar o melhor para sua formação, sua vida é marcada por mudanças significativas: a primeira ainda na educação básica, transferindo-se para Erechim, para terminar o 2º grau no Colégio São José e a segunda para a cidade de São Paulo, onde concluiu o doutorado em Letras na Universidade de São Paulo (USP). “Ainda adolescente tive a oportunidade de sair da colônia para estudar em um grande colégio em outra cidade, e, com isso, enfrentei discriminação social, cultural e étnica (em função do meu sotaque italiano de interior). Mais tarde, outro desafio foi sair de uma cidade de interior (Erechim) para ingressar na USP, em uma grande metrópole, sem amigos e conhecidos, ingressando em um meio letrado de alto nível e isso fez eu “correr atrás” para sentir-me inserida, fazer-me aceita, vencer a batalha de vir do interior, novamente com dialeto diferenciado, com formação considerada insuficiente. Em ambos os casos, só venci pela força de vontade, determinação, pela competência e esforço próprio”, pontuou.

Suas escolhas profissionais foram impulsionadas, principalmente, pela família, que sempre à incentivou na leitura. “Meus familiares sempre me auxiliaram a frequentar bibliotecas semanalmente e, assim, sempre tive acesso a uma vasta literatura”, enfatizou Helena.

Nesse percurso, muitas mulheres marcaram sua vida, desde professoras do Colégio São José até suas orientadoras no doutorado da USP, sempre a incentivando na leitura e na escrita.

Com esse currículo, sua ascensão profissional aconteceu de forma natural. “Acredito que as coisas ocorreram como resultado, sobretudo, do meu esforço e da formação pessoal e acadêmica. Como fui a primeira professora da URI no campus de Erechim a ter o título de doutora, logo assumi função diretiva. Assim, já em 1991, fui eleita diretora acadêmica com a responsabilidade de coordenar a criação e implantação de cursos de graduação, de pós-graduação, criar e estimular grupos de pesquisa, incentivar a produção acadêmica e todas as demais atividades de ensino, pesquisa e extensão inerentes à universidade, sempre em parceria com meus colegas de direção, professores, funcionários, sob a orientação da reitoria da instituição”, contou à reportagem do Bom Dia.

Sua atuação como diretora acadêmica a levou a pró-reitora de ensino da URI. “Minha primeira experiência no corpo diretivo exigiu que eu me mantivesse em permanente atualização, estabelecendo contatos e parcerias com outras universidades, com centros de pesquisas nacionais e internacionais, com órgãos educacionais do Ministério da Educação (MEC), do Estado/RS e de municípios. Enfim, ingressei no circuito da universidade (ensino, pesquisa, extensão, produção, gestão) e após 12 anos de direção, coordenei a implantação do Centro de Pós-Graduação da URI e, por quatro anos, fui pró-reitora de ensino”, relatou.

 

Ascensão profissional das mulheres

Para Helena, a presença das mulheres no campo da Educação é muito expressiva e em outras áreas elas também vêm se destacando. “A história comprova que, no decorrer dos tempos, a própria sociedade se encarregou de propiciar às mulheres uma formação que a direcionasse a ser educadora, como complemento do seu papel de mãe e ‘do lar’. Contraditoriamente, as mesmas instituições que tinham como objetivo formar mulheres dóceis, obedientes, religiosas, entre outras, também tinham construído, com seus currículos e normas, programas e professores, exatamente o contrário. Tinham construído as duas coisas: atingido seus objetivos e, também, produzido mulheres que não eram obedientes, que não eram mais submissas, mas que eram lideranças, inovadoras, educadoras.  Hoje, a maioria dos profissionais da educação são mulheres, mas também são elas que constituem a maioria em muitas outras áreas, como por exemplo, na saúde, direito, administração, gestão e outras”, argumentou.

Atualmente, considerando a história de luta das mulheres, Helena observa que elas já possuem certo reconhecimento.  “Após muitas batalhas e conquistas, as mulheres estão sendo reconhecidas, tanto pessoal como profissionalmente. Hoje, citando como exemplo nossa cidade de Erechim, temos um número expressivo de mulheres em cargos de chefia, tais como a presidência da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), delegada de Polícia, promotora de Justiça, juízas, vereadoras, entre muitas outras”, pontuou. Cintando ainda: “Hoje, a mulher está inserida no sistema produtivo, exercendo função de líder em empresas e estabelecimentos comerciais, na política, na educação, na saúde, nas artes. Ela é economicamente ativa e politicamente atuante”, concluiu.

Helena finalizou relembrando palavras da poetisa Cora Coralina para homenagear as mulheres nessa data tão significativa:

Eu sou aquela mulher

a quem o tempo muito ensinou.

Ensinou a amar a vida

e não desistir da luta,

recomeçar na derrota,

renunciar a palavras

e pensamento negativos.

Acreditar nos valores humanos

E ser otimista.

(Cora Coralina)

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