0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Publicidade

Região

Família investe na primeira ordenha robotizada do Alto Uruguai

O grande diferencial é que trouxe mais qualidade de vida para toda a família

Esse é um investimento que se paga a longo prazo
Irma Panassolo Krenczinski e Gabriel Krenczinski; Luana Gabriela Krenczinski, Wilian Fernando Krencz
De acordo com Marcelo, a família está satisfeita com o investimento
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

Ao falar em produção de leite, a primeira imagem que vem à mente é uma rotina com muito trabalho e esforço diário do agricultor. A família Krenczinski, da localidade de Toco Preto, em Barão de Cotegipe, decidiu quebrar alguns 'paradigmas' e mudar o jeito de produzir, tendo como ponto de partida o investimento em alta tecnologia: um sistema de ordenhadeira robotizada. 

Conforme Marcelo Inácio Krenczinski, 43, que nasceu na propriedade e continua na atividade familiar, a decisão para investir aconteceu em razão da falta de mão de obra. "O pai e a mãe ajudam mas ficou só eu, a esposa e dois filhos para o trabalho na propriedade. Além disso, contratar mão de obra é difícil. Conheci esse sistema e me interessou, fui atrás e conseguimos colocar", relata.
A família Krenczinski é a primeira da região Alto Uruguai a implantar um sistema de ordenhadeira robotizada. Marcelo comenta que a produção de leite começou com poucas vacas e ao longo do tempo foi aumentando. Hoje a produção gira em torno de 2 mil litros de leite por dia. Ao todo são ordenhadas 60 vacas, tudo pelo sistema robotizado, tendo uma média de produtividade superior a 30 litros de leite por animal/dia.   

 

Sistema robotizado

A ordenhadeira robotizada é composta por um só box e é projetada para atender de 60 a 70 vacas. O investimento foi de mais de R$ 1 milhão. Parte dos recursos foi financiada e outra se refere a recursos próprios. 

Investimento

Segundo Marcelo, esse é um investimento que "se paga" a longo prazo, em um período médio de 10 anos. O grande diferencial é que trouxe mais qualidade de vida para toda a família. "Tinha que estar aí direto antes, sábado, domingo, sol, chuva, não tinha como sair em um fim de semana. Agora organizamos a comida e podemos sair o dia inteiro e voltar à tarde, pois monitoro pelo celular as vacas e a ordenha", afirma.  

Alimentação

As vacas se alimentam com silagem, feno e ração - em torno de quatro a cinco quilos por vaca - quando estão sendo ordenhadas no robô, sendo complementada a ração na pista. No total, os animais recebem em torno de oito a nove quilos de ração (vaca/dia). 
O sistema de ordenha robotizada está integrado ao confinamento das vacas no Compost Barn. A propriedade tem 90 hectares e usa 30 hectares para fazer silagem, produzir a alimentação das vacas. "A ração vem pronta, é peletizada", diz. 

 

Como funciona

As vacas ordenham conforme a necessidade delas durante o dia, elas vão voluntariamente até o monobox. Existe uma sala de espera e uma porteira de seleção. Quando está no horário de ordenha elas são ordenhadas. Os animais são divididos em três grupos: as vacas de quatro ordenhas, três e duas ordenhas por dia. As vacas de quatro ordenhas tem direito de entrar na sala de espera para ordenhar a cada seis horas. As de três ordenhas o intervalo de horas é maior e as de duas aumenta ainda mais. 

 

Coleira

Marcelo explica que as vacas usam uma coleira com chip para identificar o número e o lote. "As vacas fazem fila para ser ordenhada. Enquanto ela come o sistema libera as teteiras e encaixa uma a uma nos tetos da vaca, faz a limpeza e depois a ordenha. Tudo é controlado pelo computador", diz.

 

Dados no computador

Ele acrescenta que o número da vaca que está sendo ordenhada aparece no computador, entre outros dados, como a previsão de quanto leite vai dar no dia. "O leite bom vai para o resfriador de cinco mil litros que funciona direto, o leite que precisa ser descartado é separado", afirma.  
O sistema de ordenha robotizada coleta e fornece várias informações, e tudo vai para um computador para ser analisado pelo produtor. 

 

Preocupação com alimentação

O agricultor afirma que as vacas ficam confinadas, mas tem acesso à comida e água o dia inteiro. Com a ordenha robotizada o produtor se preocupa mais com a alimentação dos animais e ao monitoramento do rebanho. "Diminui muito a mão de obra, antes nós ficávamos seis horas do dia só para fazer as duas ordenhas diárias", comenta.

 

Outra rotina

A rotina mudou. Antes eram necessárias pelo menos três pessoas para fazer todo o serviço e, hoje, somente uma dá conta do trabalho diário. "Uma pessoa sozinha lida com as vacas no sistema robotizado de ordenha", afirma. 
Conforme Marcelo, a média de ordenha robotizada dura em torno de sete minutos por vaca, e os animais se adaptaram bem ao sistema que iniciou no dia 10 de outubro do ano passado, inclusive registrando aumento de produtividade. 

 

Sanidade

O produtor ressalta que a questão da sanidade dos animais melhorou. "O robô limpa os tetos, ordenha e faz o pós-ordenha, quando tem um problema de mastite já se consegue ver, porque o robô fornece todas essas informações no computador", comenta.

 

Investimento

De acordo com Marcelo, a família está satisfeita com o investimento e esse é o caminho da produção de leite: robotizar a ordenha, em função da falta de mão de obra. "Na Europa já é assim, e esse sistema vem devagar para o Brasil", diz. 
No entanto, ele destaca que é necessário ter um volume maior de leite, porque uma propriedade muito pequena não vai conseguir implantar esse sistema. "O preço do leite teve uma queda e agora começou a reagir. Estou recebendo cerca de R$ 1,50 por litro", diz. 

 

Leia também

Publicidade

Blog dos Colunistas