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Ensino

Um dia em defesa da educação

Instituições públicas de Erechim aderem à paralisação nacional contra o contingenciamento orçamentário anunciado pelo Ministério da Educação (MEC)

Paralisação das atividades acadêmicas levou estudantes e professores às praças de Erechim
Paralisação das atividades acadêmicas levou estudantes e professores às praças de Erechim
Por Amanda Mendes
Foto Amanda Mendes

Três turnos com atividades em ruas e praças para sensibilizar a população e a administração pública acerca da importância dos recursos para a manutenção do ensino público de qualidade. Assim foi a quarta-feira (15) em todos os estados brasileiros, bem como, no Distrito Federal. As instituições de Erechim também aderiram à paralisação e tomaram os espaços da cidade promovendo aulas públicas, marchas, com o objetivo de chamar a atenção sobre o assunto.  
Preocupados com o cenário atual que indica o contingenciamento de 30% nos orçamentos da universidades e institutos federais, anunciado pelo Ministério da Educação (MEC), todas as instituições públicas de ensino superior do município participaram da movimentação, bem como, a rede de escolas estaduais, por meio do 15ª núcleo do Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (Cpers). 
Para além de reivindicar a reversão no bloqueio orçamentário, o dia foi dedicado à defesa do direito constitucional que prevê o acesso à educação. A avaliação foi do diretor do campus de Erechim do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), Eduardo Predebon. "O ato é muito importante, não apenas para demonstrar a mobilização das instituições federais, mas para assegurar um direito de todos os cidadãos que é de ter uma educação pública, gratuita e de qualidade. O cenário com os cortes irá inviabilizar a continuidade das atividades dos institutos, os quais prestam um serviço de excelência e não só aqui na região Alto Uruguai, mas em todo o País. Se as instituições fecharem suas portas, trará prejuízos para toda a comunidade acadêmica e principalmente para a região que há uma década não contava com nenhum instituto ou universidade federal", pontuou. 
Neste sentido, o professor de Economia do IFRS/Erechim, Carlos Cunha, ressaltou como esses bloqueios poderão implicar no desenvolvimento do Brasil. "Essa manifestação vem ao encontro do interesse da educação pública de qualidade no Estado e em todo o País. Não podemos aceitar essa restrição orçamentária que está impondo, pois, essa ação prejudicará nosso trabalho, a qualidade do ensino, e, principalmente o desenvolvimento nacional". 
Para a coordenadora acadêmica do campus Erechim da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Juçara Spinelli, a comunidade deve abraçar a pauta em defesa da educação. "Entendemos que a comunidade precisa ter conhecimento sobre nossa produção científica, saber de forma clara o que temos feito e os benefícios que nossas atividades têm no cotidiano da cidade e da região. Também vale destacar que uma instituição de ensino superior, além de trazer para a comunidade o desenvolvimento científico e tecnológico e qualificação para o trabalho, promovendo significativos impactos na economia local, considerando que os estudantes e servidores vêm de diversas regiões para estudar e trabalhar em Erechim, fato que movimenta o mercado imobiliário, o comércio, a arrecadação municipal, enfim, os benefícios são muitos", reforçou a docente. 

Todos pela educação 
Em Erechim, a paralisação ganhou mais forças com o apoio de instituições estaduais, como é o caso da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs). Conforme o diretor regional do campus, Jeronimo Prado, o contingenciamento também está ocorrendo no Estado. "A Uergs foi sacrificada com cerca de 35% do orçamento, que já é uma verba precária há últimos anos. Diante disso, é muito importante a participação da Uergs apoiando o ato, justamente porque estamos aqui defendendo a educação de qualidade", pontuou. 
Para a diretora do 15ª núcleo do sindicato dos professores da educação básica estadual, Marisa Betiatto, o momento pede união. "O Cpers está envolvido nessa pauta, reivindicando o 'não corte das verbas' no ensino superior, pois se tratando em educação nós precisamos estar unidos, seja na esfera estadual ou federal, pois estamos defendendo nossa bandeira". 

No país
Todas as capitais participaram dos atos que, além de lutar contra o bloqueio, também questionaram o congelamento de bolsas de pesquisas nas pós-graduação. 
Ainda na quarta-feira (15), o ministro da Educação, Abraham Weintraub, foi convocado na Câmara dos Deputados para prestar esclarecimentos sobre o contingenciamento orçamentário. Conforme publicado pela Agência Brasil, Weintraub está aberto ao diálogo. O ministro disse que os problemas do Brasil começam na alfabetização. Ele citou três grandes "ondas de fracasso" (no 3º ano, 6º ano e no ensino médio). Weintraub também afirmou que o governo vai priorizar o ensino técnico e que os números estão abaixo das metas do PNE.

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