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Cultura

Mundo em mudança: 'pensamento elástico' como chave para o sucesso

Stumpf e Mlodinow. Em sua 10ª edição, Fórum Instituto Unimed RS supera as expectativas e consagra ev
Por Salus Loch
Foto Rodrigo Finardi

A Federação Unimed/RS e o Instituto Unimed/RS promoveram mais um Fórum Instituto Unimed/RS. Realizado no Theatro São Pedro, em Porto Alegre, o encontro lotou o espaço para falar sobre o tema "cultura, diversidade e futuro". Na abertura, o diretor administrativo do Instituto, Alcides Mandelli Stumpf - responsável pela organização das atividades - fez um resgate histórico do evento, que chegou à 10ª edição, frisando que o papel do Sistema Unimed-RS, além de cuidar da saúde das pessoas, é colaborar para o desenvolvimento integral da sociedade rio-grandense.

Painéis

Tendo como âncora o jornalista Rodrigo Bocardi, o Fórum teve dois painéis e uma palestra magna. O primeiro versou sobre "Cultura: passado presente e futuro", com a participação do filósofo Luiz Felipe Pondé; do jornalista Juremir Machado da Silva; do presidente da Bienal do Mercosul, Gilberto Schwartsmann; e do presidente da Federação Unimed/RS, Nilson Luiz May. O segundo painel contou com a jornalista Flávia Cintra; a psiquiatra e filósofa Viviane Mosé; o ator Lázaro Ramos; e o próprio Alcides Mandelli Stumpf, que debateram "Diversidade: diálogos sobre a inclusão".

O evento foi encerrado com a palestra "O pensamento flexível", ministrada por Leonard Mlodinow. Físico e escritor americano de best sellers como "Subliminar", ele centrou sua fala no tema do seu livro mais recente, "Elástico". A seguir, o Bom Dia traz trechos de entrevista realizada com Mlodinow (parte do material foi publicada no Caderno de Sábado do Correio do Povo, em 25 de maio).

O que sabe do Brasil e de Porto Alegre?

Venho ao Brasil, em média, uma vez a cada dois anos. Sempre que publico um novo livro, minha editora no País promove ações de lançamento em algumas Capitais. Gosto daqui. Das pessoas, do clima, da comida. Em relação a Porto Alegre, é a segunda vez que estou na cidade. A Orla do Guaíba me impressionou, e me diverti no estádio do Internacional, onde fui assistir a um jogo do Campeonato Brasileiro (no domingo, 19/5: Inter 2 a 0 contra o CSA). Aqui perto, o Vale dos Vinhedos, também me encantou.  

Pelo visto sua agenda foi movimentada...

Sim. Sempre procuro aproveitar o tempo para conhecer o máximo possível das coisas ao meu redor. Assim, alimento o pensamento elástico.

Vamos falar sobre pensamento elástico. Como o Sr o define?

Para prosperar em um mundo em mudança constante, onde temos de ser resolvedores de problemas, é necessário ter pensamento flexível - que é o oposto do pensamento analítico ou lógico, pelo qual resolvemos problemas já vistos ou situações conhecidas fazendo sempre a mesma coisa. O 'cérebro elástico' ou flexível é o que você precisa quando está lidando com circunstâncias novas; não se trata de seguir regras, mas de criá-las diante de uma situação inédita, gerando processo e resultado a partir do zero. Felizmente, essa é uma habilidade que pode ser construída.

Como se dá essa construção?

Costumo dizer que o pensamento elástico é um ativo que pode ser afinado com algumas ferramentas e exercícios. A capacidade de estar aberto a novas ideias (neofilia) rompendo com conceitos confortáveis e antigas crenças é uma das principais alternativas. Conversar com quem tenha um pensamento diferente do meu também funciona. Por exemplo, pessoas que apoiam o governo Bolsonaro deveriam conversar com quem é contra, e vice-versa. Precisamos, ainda, saber reenquadrar as perguntas, confiar na imaginação tanto quanto na lógica e estar disposto a experimentar. Por fim, ser tolerante ao fracasso é vital. Todos podem fazer isso.

O Sr fala que quando esgotamos nosso cérebro analítico é hora de relaxar e deixar o pensamento flexível fluir. Como?

Você ficou em cima do problema duas, três, quatro horas e nada. Faça uma pausa e tire o raciocínio lógico do foco. Simplesmente deixe sua mente elástica trabalhar. Vá e medite. Pense calma e abertamente sobre suas suposições. Deite olhando para as estrelas ou para o teto. Se preferir, vá correr. Sua mente elástica continuará trabalhando e a resposta virá. Leonardo Da Vinci fazia longas pausas durante seus trabalhos. Isso funciona para enigmas, para a arte e para a vida.

O pensar elástico pode eliminar o raciocínio analítico?

Não. Precisamos de ambos, por isso existem filtros em nosso cérebro. Se você não tem nenhuma função executiva ordenando os pensamentos, você não será funcional, pois as ideias virão tão rápido e de forma tão desconectada que você não pode fazer nada.

Máquinas poderão exercitar o pensamento elástico?

Os computadores são ótimos para o pensamento analítico de cima para baixo, programado e ordenado, mas acredito que estão distantes de conseguirem desenvolver o pensamento de baixo para cima, cooperativo, elástico e com emoções. Os cientistas do Google que ligaram mil computadores em uma rede neural realizaram uma façanha impressionante e promissora, mas nosso cérebro faz coisas muitíssimos mais impressionantes, formando redes de bilhões de células, cada uma conectada a milhares de outras. Por enquanto, estamos salvos.

O Sr é otimista em relação ao futuro?

Não sou pessimista nem otimista. Acredito que teremos bons e maus momentos, enfrentando situações capazes de tornar a vida mais saudável e feliz e, ao mesmo tempo, problemas que farão a existência mais difícil e até mesmo provocando sofrimento. Tudo ocorrerá em paralelo.

Em breve devem ser lançados dois novos livros de sua autoria: um que trata de emoções e uma coletânea de memórias de sua relação profissional com Stephen Hawking. Como está a construção deste último?

Stephen sempre foi alguém que preferiu defender suas próprias opiniões, sem aceitar ideias prontas. Era o autêntico 'pensador elástico'. Aprendi muito com ele, embora nem sempre concordássemos. A proposta do livro é contar um pouco desta relação e aquilo que construímos juntos.   

Como sobreviver ao ataque de 11 de setembro de 2001, estando no World Trade Center, alterou sua percepção de mundo?

A vida pode mudar num instante e não estamos no domínio de nada. No caso concreto, toda minha família foi impactada. Trocamos Nova York pela Califórnia, onde decidi escrever livros como profissão a fim de tornar a ciência mais acessível e, quem sabe, inspirar pessoas.

Por ser judeu e filho de sobreviventes do Holocausto, qual sua opinião a respeito da onda antissemita no mundo.

Este é um tema que deveria preocupar a todos. Precisamos aprender a respeitar e ouvir mais o outro, apesar das diferenças.

De onde veio a inspiração para escrever roteiros em séries como MacGyver ou Jornada nas Estrelas?

De dentro. Este é o melhor tipo de inspiração.

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