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Opinião

Santo Antônio e a COVID-19

Dr. Alcides Mandelli Stumpf Médico e Membro da Academia Erechinense de Letras
Por Alcides Mandelli Stumpf
Foto Rodrigo Finardi

Santo Antônio é um dos santos mais simpáticos e cultuados no mundo do catolicismo. Particularmente no Brasil, por nossa ascendência lusitana ou itálica, possui muitos devotos. Além de casamenteiro, para os fiéis, sua imagem remete à inteligência, oratória brilhante e imensa bondade pessoal.

Por ser conhecido como Santo Antônio de Pádua, é comum pensar que se trata de um italiano, mas de fato, nasceu em Portugal. Breve e canhestramente, relatarei a seguir, a suma de sua história.

Nasceu Fernando Antônio de Bulhões, de família rica e nobre, em Lisboa, a 15 de agosto do ano de 1195. Pelos privilégios da aristocracia, desde criança teve largo acesso ao conhecimento. Alfabetizado na escola da Sé Catedral de Lisboa, ainda na adolescência iniciou estudos teológicos.

Contrário à vontade do pai, militar de alta patente, Fernando, aos 19 anos entrou para o Mosteiro de São Vicente dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho, onde, por dois anos, teve acesso a uma grande biblioteca. Ali, dedicou-se a estudos e orações. Transferido depois para Coimbra, importante centro cultural de Portugal. Lá permaneceu por dez anos e foi ordenado padre.

O dom da palavra transbordava no jovem sacerdote agostiniano, que exalava paixão pelos conhecimentos e incrível poder de pregação, persuasão e encantamento.  Por temperamento vívido, se mostrava inquieto e não adaptado ao ambiente de clausura.

Foi quando o Padre conheceu os freis franciscanos, entusiasmando-se pelo fervor e radicalidade com que estes viviam e praticavam o Evangelho. A postura mais avançada e não convencional o levou a ingressar na Ordem dos Franciscanos. Passou a viver, então, no modesto Eremitério de Santo Antão dos Olivais de Coimbra. Diante da mudança, faz sentido ter abdicado de Fernando para adotar Antônio.

A nova identidade deixou para trás aquilo que vivera e fez renascer com intenso vigor a sua missão espiritual.

Com permissão superior, Antônio dirigiu-se ao violento Marrocos para propagar o evangelho. No caminho, porém, adoeceu gravemente e foi obrigado a retornar à terrinha. Na viagem de volta - conta a tradição - os ventos mudaram o rumo do barco que terminou desviado para o sul da Itália. Na Sicília, à mesma época, ocorria um importante encontro de mais de cinco mil frades franciscanos, e Antônio acabou por conhecer pessoalmente São Francisco de Assis. A mão de Deus o havia guiado por diferentes e abençoados caminhos do mar.

A partir de então, seu destino foi definitivamente transformado. Passou a levar a palavra do Senhor em peregrinações pelas terras de Itália e França. Não mais voltaria à sua pátria natal.

Após a morte de São Francisco, enviado a Roma para tratar de interesses da Ordem, impressionou o Papa Gregório IX, por sua energia, eloquência, além da força irresistível de sua erudição.

Tais virtudes juntavam multidões para ouvir suas palavras. Tornou-se conhecido por ser o protetor das coisas perdidas e dos pobres. Ainda em vida, fez muitos milagres. Nas praças e templos, durante suas falas, enfermos eram curados, cegos passavam a enxergar, surdos a ouvir e coxos a andar.

Redigiu ainda os Sermões, tratados sobre a quaresma e os evangelhos, impressos em dois grandes volumes. Também ficou conhecido como casamenteiro por intervir em uma lei regional italiana que impedia o casamento entre pessoas de classes sociais diferentes, além de intervir em favor dos dotes das noivas.

Santo Antônio morreu em Pádua, na Itália, em 13 de junho de 1231, há exatos setecentos e oitenta e nove anos, com apenas trinta e seis anos de idade. Tão somente nove meses após a morte, foi canonizado.

Passadas quatro décadas, quando da inauguração da Basílica de Pádua, em 1271, o túmulo foi aberto. Houve na ocasião, grande comoção popular, pois a língua do Santo permanecia intacta, em perfeito estado de conservação. Aquele que era seu principal instrumento missionário foi preservado para a eternidade. O órgão, então, foi colocado em um relicário para que os fiéis pudessem cultuá-lo. Há alguns anos recebi a graça de visitar pela segunda vez a majestosa igreja e rezar junto ao sagrado objeto.

Nos tempos de Covid-19, além de casamenteiro, auxiliar no encontro de objetos perdidos e perpétuo defensor da saúde, Santo Antônio pode ser lembrado como um grande líder carismático e atualíssimo, sempre atento às mudanças e constantemente disposto a aprender. Outra qualidade invulgar foi sua capacidade de mobilizar multidões, elevar seus espíritos e encorajar frente as dificuldades terrenas. Para ele, a fé e a verdade deveriam ser proclamadas entre todas as pessoas, mesmo as de pouca instrução – muito diferente do que acontece no momento por aqui.

Portanto, Frei Antônio – sem partido - seria muito bem-vindo entre nós, por sua imensa capacidade de se reinventar e buscar novos métodos e soluções, invariavelmente atento aos divinos pressupostos cristãos de amor e fraternidade universal.

Talvez até colocasse nosso barco no prumo e rumo certo ante a tempestade de desinformações e medo disseminada pela grande imprensa. Certamente, com sua verve magnífica conseguiria fazer entender que estamos todos na mesma nau, e por discordâncias políticas absurdas, à deriva. E mais: se a embarcação afundar, não sobrará ninguém para contar a triste história da pandemia.   

Suas palavras, portanto, seriam benditas e viriam para harmonizar vidas, lares, locais de trabalho e o país, nesse período tão conturbada incerteza.

 Por essa razão, convido aos amigos leitores, neste dia 13 de junho, a orar para que ele interceda por nós. Porque no momento, ante tantas perfídias e ganâncias, sou levado a crer que somente um milagre poderá nos salvar.

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