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Cultura

Patrona Liliana Cardoso quer transformar homenagem em espaço de diálogo e de luta e anuncia ações

Liliana Cardoso é natural de Porto Alegre, declamadora, radialista, apresentadora, mestre de cerimônias e ativista cultural

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Divulgação
Por Zeni Bearzi
Foto Divulgação

A Patrona dos Festejos Farroupilhas do Rio Grande do Sul 2021, Liliana Cardoso, quer transformar a homenagem em espaço de diálogo e de luta. Suas raízes enquanto mulher, tradicionalista e negra encontram esteio e inspiração fundamentalmente nos Lanceiros Negros e em Anita Garibaldi. “São dois ícones da nossa história em torno dos quais refletimos sobre o protagonismo feminino, sobre a contribuição do negro para a construção do Rio Grande do Sul e que nos levam ao que idealizamos e buscamos, ou seja, uma sociedade com liberdade, igualdade e humanidade, como tão bem está expresso em nossa bandeira”.

Três ações estão sendo implementadas como um legado da gestão enquanto patrona: uma página nas redes sociais, lives quinzenais e um livro. A página tem como objetivo abrir e sustentar um canal de comunicação permanente entre a patrona e todos os públicos envolvidos com os festejos e com a cultura gaúcha. Também pretende manter os registros da gestão. As lives, “Um mate com a patrona”, receberão convidados especiais para uma prosa descontraída e “de fundamento”, como diz o linguajar típico gaúcho, valorizando a reflexão e a conexão entre gaúchos e gaúchos de nascimento e de coração. O livro, por sua vez, já tem data para ser lançado. Será no dia 20 de setembro, Dia do Gaúcho, e terá como diferencial o elemento de construção compartilhada. “Há muito tempo nós, negros, demandamos o protagonismo na narrativa de nossas histórias. Nós queremos apresentar nossa voz, nossas versões, e desde já convido pesquisadores, estudiosos e pessoas que guardam a memória de nossas raízes para se juntar a esse processo, que terá como grande marca a construção compartilhada”.

Liliana Cardoso é natural de Porto Alegre, declamadora, radialista, apresentadora, mestre de cerimônias e ativista cultural. Atualmente é vice-presidente do Conselho Estadual de Cultura do RS e Patrona dos Festejos Farroupilhas do Rio Grande do Sul 2021. Liliana é a primeira mulher negra a ser homenageada como Patrona dos Festejos Farroupilhas do Rio Grande do Sul.

 

“Lanceira negra contemporânea”

Tatiana Andréia Santin, empresária do Grupo Os Monarcas, Diretora de Cavalgadas e

Produtora Cultural: “Percebo que a fama do gaúcho de ser machista está mudando, pois estamos vivendo um processo evolutivo de valorização da mulher gaúcha.

Liliana foi escolhida por unanimidade, o que não deixa dúvida nenhuma do merecimento desta homenagem. 

A maestria, personalidade, postura e desenvoltura de Liliana se destacam entre tantas Anitas de vários mundos e acredito que, ser escolhida Patrona dos Festejos Farroupilhas é de fato a representatividade de uma trajetória de vida, de um legado, da história de pertencimento as tradições e costumes do povo Rio-grandense. 

Diria que Liliana é uma lanceira negra contemporânea!

Liliana é a representatividade da MULHER gaúcha e negra do estado do Rio Grande do Sul e sim, isso muito me orgulha!

Essa MULHER me representa!”

 

“Que botada!”

Roseli Battisti, empresária, suplente de vereador e Conselheira do Movimento tradicionalista gaúcho-MTG/RS: “A Liliana é voz, é força, é representatividade de tantas mulheres do nosso estado. Este título tão merecido concedido a ela é a valorização e o reconhecimento cada vez maior da força feminina em diversos segmentos e setores. Que a história dela nos inspire a fazer não só um movimento tradicionalista fortalecido com homens e mulheres que amam a cultura, mas de povos unidos que se identificam com o Rio Grande do Sul e a sua essência. Que grande capítulo inesquecível da história do estado está sendo escrito com a Liliana de protagonista. “Que botada”, como ela mesma diz!”

 

“Reconhecimento à cultura negra”

Cleusa Sotoriva, Vice-Presidente do Instituto Cultural Bota Amarela: “Para mim a indicação de Liliana Cardoso, como a 1ª patrona negra da história da nossa cultura e as tradições no Rio Grande do Sul, é o reconhecimento dos Gaúchos à cultura Negra, que tanto honra como outras formas o nosso legado riograndense.

Conhecedora de sua participação como declamadores em vários festivais, conquistando aproximadamente 180 troféus, pela sua belíssima atuação dentro do nosso tradicionalismo, é admirada por todos que amam esta forma de manifestação através da declamação.

Parabéns pela escolha de Liliana a nível Estadual”.

“Luta e representatividade”

Monique Maína Milkiewicz Rosset - Psicóloga e Neuropsicopedagoga; Fundadora e Presidente do MENE - Movimento Étnico Cultural dos Negros de Erechim e Colaboradora da Comissão de Relações Étnico Raciais do CRP-RS: “A história e a importância do negro na formação cultural, histórica e econômica do nosso estado, sempre foi invizibilizada em função do eurocentrismo. A herança negra faz do Rio Grande do Sul o que ele é. Nas Charqueadas, os Lanceiros negros, as religiões de matriz africana, a culinária, a música, dentre vários aspectos onde o negro deixou a sua marca e o seu sangue.

Ter uma mulher negra, é enaltecer essa herança e ao mesmo tempo simbolizar a luta do afro-gaúcho todos os dias contra o racismo, e também como mulher, contra o machismo. Pois, somos o estado com os maiores índices de crimes raciais e de gênero.

Pra mim é muito simbólico, pois minha trajetória dentro do movimento negro se deu através do CTG nos concursos de prenda, onde tive meu primeiro contato com a história do negro em Erechim.

É orgulho, luta e representatividade!”

“Grande empoderamento”

Luísa Fernanda Silva dos Santos, advogada: “As mulheres negras, infelizmente, ainda ocupam a base da pirâmide da desigualdade social, estando abaixo até mesmo dos homens negros, devido ao fato de sofrer dupla opressão, a de gênero e a de raça.

Por isso, na minha opinião, ver uma mulher negra, pela primeira vez na história, representando a Semana Farroupilha é uma conquista muito representativa e de grande empoderamento.

Como mulher negra, Liliana está trazendo toda a representatividade dos Lanceiros Negros, que foram à linha de frente na Revolução Farroupilha e das mulheres negras, que ficaram no campo gerando renda e ajudando a enriquecer o nosso Estado.

Além disso, Liliana traz consigo a demonstração e a certeza de que as mulheres negras podem ser o que quiserem, profissionalmente e culturalmente.

Essa representatividade é muito importante, principalmente em tempos que a presença do racismo é negada enquanto problema social a ser enfrentado”.

 

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