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Região

Alto Uruguai: chuva foi insuficiente e prejuízos se acumulam

Precipitação de fim de semana ameniza a situação, mas não resolve os problemas da falta de água. No milho, as perdas estão irreversíveis

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Por Ígor Dalla Rosa Müller regiao@jornalbomdia.com.br
Foto Divulgação

As chuvas deste fim de semana no Alto Uruguai amenizaram a situação dramática do setor agrícola nos municípios da região, mas ainda são insuficientes para esboçar uma reação à seca que gera inúmeros prejuízos no campo, de forma generalizada, envolvendo todos segmentos, desde a produção de grãos (milho e soja), leite até carnes. Entre eles, está Cruzaltense, em que as chuvas foram poucas e esparsas e as perdas continuam severas e calculadas em mais de R$ 32 milhões, e o município deve decretar situação de emergência nos próximos dias.

“Choveu pouco e de maneira esparsa”, afirma o secretário de Agricultura de Cruzaltense, Daniel Kraemer, que ressalta que a situação é muito grave, e que a da prefeitura está levando água para 30 famílias no município para atender o consumo dos animais, número que vêm aumentando nos últimos dias.

Segundo o secretário, as perdas na soja estão estimadas em R$ 14 milhões, no milho mais de R$ 15 milhões, milho-silagem mais de R$ 2,2 milhões, feijão, mais de R$ 600 mil e leite também mais de R$ 600 mil.

Alto Uruguai     

Na região Alto Uruguai, as perdas no milho já chegam a mais de 60%, podendo chegar a 70% em âmbito regional. E a soja estima-se aí perdas de no mínimo 15%, com uma pequena área para ser plantada de 3% a 5% da área total, afirma o engenheiro agrônomo, Luiz Ângelo Poletto, assistente técnico regional em Sistemas de Produção Vegetal da Emater/Ascar.

Não resolve 

Segundo ele, a precipitação do fim de semana ameniza a situação, mas não resolve os problemas, principalmente, da soja, mas ainda assim é necessário mais volume de chuva na região. “O milho não tem mais solução, mas somente o fato de realizar o replantio, e aí vem a decisão de plantar ou não”, afirma.

Além disso, a pouca chuva também não resolve o problema de falta de água nas propriedades rurais, já que está secando fontes, córregos, rios, açudes e poços artesianos. “Deverá continuar o transporte de água pelas prefeituras para as propriedades rurais”, comenta.

Precipitações

Poletto comenta que em Sertão choveu 13 milímetros (mm); Jacutinga de 8 a 38 mm; Erechim 18 mm; Benjamin Constant do Sul 12mm; Getúlio Vargas 1,4 mm; Charrua 5 mm; Viadutos 22 mm; Carlos Gomes 20 mm; Barra do Rio Azul (sede) 35 mm; São Valentim 12 mm, mas teve localidades com 2, 10, 20 mm (chuva mal distribuída); Paulo Bento 7 mm; Erebango 7 mm (cidade);  Áurea 20 mm; Gaurama 26 mm; Marcelino Ramos: de três pontos de coleta deu  média de 27,3 mm no total; Campinas do Sul chuvas esparsas entre 7 e 22 mm; Aratiba 40 mm (cidade); Erva Grande 30 mm; Centenário 12 a 20 mm; Barão de Cotegipe 18 a 30 mm; e Estação 6 mm.

Números

A situação como se encontra, com a quebra no milho acima de 60% mais de 29 mil hectares de milho-grão já estão comprometidos de um total de 48.700 hectares plantados no Alto Uruguai, e mais de 9 mil hectares de milho-silagem, dos 15.840 hectares cultivados nesta safra. O mais triste é que o produtor apostou no milho e, neste ano, houve aumento de 2 mil hectares na área cultivada em relação à safra anterior. E, se as perdas já são estimadas em 15% nas lavouras de soja na região, mais de 35 mil hectares da cultura já foram perdidos para a seca, já que a região plantou cerca de 234.300 hectares.

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