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Cultura

Professor da UFFS lança livro sobre a vida de Mariano Moreno e a arte de Victor Meirelles

Em entrevista ao Grupo Bom Dia, destacou a importância do resgate histórico de grandes e pequenas personalidades

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Por Carlos Silveira
Foto Carlos Silveira

         A arte é contínua, é mágica e mutável mesmo com o passar dos anos, e o livro também carrega essa essência de perpetuação no tempo e do resgate da história de homens e mulheres que tiveram uma participação da sociedade, seja ela localmente ou de qualquer cidade do mundo.

         O resgate, por sua vez, é essencial para que outros possam conhecer um pouco do trabalho daqueles que fizeram e deram a sua contribuição, de figuras que muitas vezes foram esquecidas pela história, mas que foram essenciais para outras personalidades, e é este o caminho trilhado pelo professor da Universidade Federal da Fronteira Sul, Doutor Fábio Feltrin ao realizar a obra Mariano Moreno que já está na gráfica e com agenda de lançamento em Erechim e em Florianópolis, Santa Catarina.

Victor Meirelles

         Na obra ele retrata a vida do primeiro professor de desenho no Brasil, Victor Meirelles que se inspirou em Mariano Moreno, um trabalho que teve início em 2009 durante a sua tese de doutorado que buscava mapear os exilados argentinos do século 19 em Florianópolis e em todo o Império brasileiro.

Busca de pistas

         “Nesta busca descobri uma pista de que um argentino chamado Mariano Moreno havia passado por Florianópolis e teria sido professor de desenho de Vitor Meireles, um dos grandes pintores brasileiros do século 19, autor da Primeira Missa no Brasil, porém, na época, se possuía poucas evidências e por isso e a minha tese foi para outro lado. Para tanto, juntamente com um professor de História do Campus de Chapecó se buscou recursos da Fapesc para poder mapear a bibliografia de pessoas desconhecidas e anônimas que passaram por Santa Catarina, daí surgiu o convite para a realização desta obra”, destaca.

Obsessão

         Para Feltrin a busca de dados e informações para a realização desta obra foi obsessiva “com esse desejo de ser detetive e de buscar pistas em arquivos, me reconectei com este tema em outubro de 2022, e na medida em que encontrei as cartas fui vendo toda a dificuldade sobre a qual ele e a família dele passaram, realmente foi uma história bastante inspiradora”.

Resgate

Com relação ao resgate de pessoas desconhecidas, ao contrário de grandes personalidades, Fábio destacou que esta é uma questão importante quando o tema é história, pois ao longo do tempo mudou muito o jeito de se fazer história, especialmente no século 19 quando ela se torna uma disciplina acadêmica com formas específicas e regulamentadas. “A bibliografia é muito importante, como todas as vidas são muito importantes e este trabalho de resgatar outras existências, ou seja, pessoas desconhecidas, é muito importante. Nossa tarefa é farejar estes fantasmas que estão esquecidos”, garante.

Lançamento

         Com relação ao lançamento da obra, Fábio destaca que em Erechim deverá acontecer na terceira semana de novembro, como também haverá o lançamento no Museu Victor Meirelles em Florianópolis no dia 05 de dezembro, numa solenidade oficial, além de uma rodada no município de Chapecó.  

Quem foi Victor Meirelles

 De origens humildes, cedo seu talento foi reconhecido, sendo admitido como aluno da Academia Imperial de Belas Artes. Especializou-se no gênero da pintura histórica, e ao ganhar o Prêmio de Viagem ao Exterior da Academia, passou vários anos em aperfeiçoamento na Europa.

 

Primeira Missa no Brasil

Lá pintou sua obra mais conhecida, Primeira Missa no Brasil. Voltando ao Brasil tornou-se um dos pintores preferidos de D. Pedro II, inserindo-se no programa de mecenato do monarca e alinhando-se à sua proposta de renovação da imagem do Brasil através da criação de símbolos visuais de sua história.

Professor

 Tornou-se estimado professor da Academia, formando uma geração de grandes pintores, e continuou seu trabalho pessoal realizando outras pinturas históricas importantes, como a Batalha dos Guararapes, a Moema e o Combate Naval do Riachuelo, bem como retratos e paisagens, onde se destacam o Retrato de Dom Pedro II e os seus três Panoramas.

Principais artistas

Em seu apogeu foi considerado um dos principais artistas do Segundo Reinado, com frequência recebendo rasgados elogios pela perfeição de sua técnica, pela nobreza de sua inspiração e pela qualidade geral de suas monumentais composições, bem como pelo seu caráter ilibado e sua incansável dedicação ao ofício, fez muitos admiradores no Brasil e no estrangeiro, recebeu condecorações imperiais e foi o primeiro dos pintores nacionais a conquistar admissão no Salão de Paris, mas também foi alvo de críticas contundentes, despertando fortes polêmicas num período em que se acendia a disputa entre os acadêmicos e os primeiros modernistas.

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