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Opinião

Música

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Por Professores Ângela Salete de Azeredo Bortolassi, Marcos Antônio Casanova Junior e Murilo Gustavo Andreolla do Centro de Belas Artes Osvaldo Engel
Foto Ilustrativa

Podemos entender a música como uma das formas de expressão mais antigas. Assim como outras manifestações culturais ou artísticas, ela é capaz de nos acalmar, animar, consolar, lembrar, entristecer, e despertar diversas emoções. Contudo, a música é algo subjetivo, é a soma de uma série de elementos, significados e representações, sendo possível afirmar que cada indivíduo a percebe de forma diferente.

A docente e pesquisadora da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP de Ribeirão Preto, Sílvia Nassif ressalta que a música "acompanha praticamente todos os momentos ritualisticamente importantes nas nossas vidas. Esse fato faz com que sigamos construindo relações de afeto com certos tipos de música, relações essas que são acessadas em presença de determinadas músicas. Podemos dizer que há, portanto, um nível coletivo (grupos culturais com determinadas identidades tendem a ouvir afetivamente de modo semelhante) e um nível individual (experiências pessoais, audições afetivamente individualizadas), nos modos de apreensão emotiva da música".

Assim como em outras artes, a música está constantemente se moldando à realidade de seu tempo, o que de certa forma cultiva uma grande e valiosa diversidade em termos de gêneros, estilos e práxis para a sociedade atual. De fato, vivemos em um momento privilegiado na história, podendo contemplar e usufruir da música que fora produzida em diferentes períodos. Durante esse tempo, houve muitas modificações em relação a como um texto musical pode ser grafado em uma partitura, ou mesmo alterações nas características do som, como altura, intensidade ou timbre. Além disso, podemos citar inovações em relação à instrumentação, e destaco o compositor e multi-instrumentista brasileiro Hermeto Pascoal, que representa muito bem essa mistura entre instrumentos tradicionais como a flauta e o piano, por exemplo, com objetos do cotidiano como pentes, bules, copos de água ou brocas de dentista. Segundo o compositor: “A música pode estar em qualquer lugar, a música pode estar na hora que você respira. ”

"Música é perfume" - Maria Bethânia. Como o perfume, a música nos invade, preenchendo todos os recantos do nosso ser, elevando-nos a planos ainda indecifráveis de luz, criação, inspiração e, às vezes, angústia, drama, nebulosidade e solidão. O dia a dia moderno descreve uma realidade distorcida, uma busca constante por perfeição e aceitação, quando na música se percebe que perfeição não existe. Então por que as pessoas vivem tentando se encaixar em locais e estilos de vida que simplesmente não fazem nenhum sentido para elas? É isso que a música é capaz de fazer, ela consegue demonstrar o real sentido da vida. Ela simplesmente mexe com a alma e dá coragem para os indivíduos seguirem em frente e enfrentar seus medos.

Por fim, se queremos um mundo mais consciente e empático, é preciso que através da autoaceitação haja a compreensão de como somos, para que também entendamos o próximo, relevando o profundo sentido que é “saber viver”. É fundamental construir um ambiente favorável que possibilite aperfeiçoamento, pois do contrário, o que seria do mundo sem diversidade? Então, desconstrua visões limitantes e mostre como uma simples nota musical é capaz de modificar a atmosfera do local. Música é algo surpreendentemente magnífico, não possui uma lógica concreta, somente desperta algo nos seres humanos que não é possível definir apenas em palavras. Portanto, não subestime o valor de uma melodia, ela está refletindo diferentes culturas, crenças e a essência de cada região, história, povo, nação. Música além de despertar sentimentos, desperta lembranças, então reflita: De que forma poderíamos voltar no tempo e nos comunicarmos sem nem ao menos usar uma palavra ou gesto, e também deixarmos nossa marca na história, nossos objetivos e nosso legado para o futuro? A música tem esse poder.

 

Professores Ângela Salete de Azeredo Bortolassi, Marcos Antônio Casanova Junior e Murilo Gustavo Andreolla do Centro de Belas Artes Osvaldo Engel

 

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