Rústico chic, você sabe o que é?
Você abre as revistas, ou vê no seu programa predileto na televisão, e está ali: o in do momento. A moda agora é o tal rústico chique (ou rustic chic, como preferir). Mas o que vem a ser isso?
A arquiteta Joyce Diehl explica que à primeira vista, conceitos antagônicos, conflitantes. “Rústico chique nada mais é que do que uma tendência – coisas que aparecem ao mesmo tempo na moda das vitrines, das ruas, de nossas casas, em nossa mesa, nos festejos, e por ai vai - em que a gente se sente em casa e deixa o outro se sentir assim também”, diz.
Para ela, conforto é a palavra-chave, mas sem deixar de ser elegante, até refinado. “Dois conceitos que podem, ao primeiro olhar, serem até conflitantes, mas que convivem muito bem. Na ambientação, este estilo está presente nos pisos cada vez mais naturais, sejam eles inspirados em pedras, fibras ou em madeiras. E tudo graças a bendita impressão HD (higth definition ou, no bom português, impressão em alta definição) que, aliada a altas técnicas, traz o melhor da natureza em que se inspira”, pontua.
Ela exemplifica destacando que “são porcelanatos que a gente jura que são madeira, laminados que a gente jura que são madeira maciça. Isso sem falar das inúmeras coleções que trazem o melhor do ladrilho hidráulico, da antiga azulejaria – mas tudo com tecnologia de ponta. Trazem o conforto material e emocional (mais este que aquele) do reconhecido como bom”.
Segundo ela, belos exemplos disso tem aparecido em hotéis, como o Fasano Las Piedras em Punta Del Leste, Uruguai, primeiro hotel da rede Fasano fora do Brasil. “O belo projeto de Isay Weinfeld une a rusticidade local, que vem da estância antiga onde foi locado à decoração que faz jus ao seu passado, como luxo e a sofisticação. Une, num só lugar, a elegância rústica campeira uruguaia com a modernidade e descontração próprias de Punta”, pondera.
Outro belíssimo exemplo, conforme Jpyce, é o Villa Naiá, hotel-vila do tipo "pé no chão", mas que não deixa dúvidas – nem que seja pela sofisticação de seus hóspedes – de que ali vivem em bem dosada parceria a simplicidade de uma vila de pescadores com a elegância pedida por quem o frequenta. “E nestes bons exemplos, a dupla rústico e chique vem da arquitetura, passando pela ambientação e chegando, fatalmente, à mesa bem servida”, explica.
Ela salienta ainda que o rústico chique está presente na mistura bem dosada do ontem e do hoje na decoração. “Do ontem presente na aparência de desgastado, usado, amaciado pelo tempo (como nas calças jeans tem o melhor do hoje e do amanhã em termos de tecnologia, usabilidade, manutenção, praticidade e do funcional). Decoração do ontem e do hoje misturada com peças feitas à mão – inclusive pela gente. Está nos revestimentos com cara de antigo, de marcado pelo tempo, de reconhecido, lembrando a casa da avó, de fazenda, do sítio tão sonhado”.
Ela afirma ainda que está presente “no fácil de usar e de se apaixonar. Está no efeito do patchwork, antes colcha de retalho, seja no piso com cara de ladrilho antigo ou nas peças para adoçar e aquecer a casa. Está na lareira da sala em madeira e pedra, no fogão a lenha na cozinha, nos pratos fartos de comida feita em casa”.
Para ela, isso tudo é o rústico. “O chique fica por conta da aparência melhor pensada e acabada, mais detalhada, deixando o que antes era tosco e exageradamente mal talhado mais aceitável e bonito entrar na sua casa, sem necessariamente caber só na casa do campo, de beira de estrada. Deixou de ser só rústico e se tornou chique (ou chic) por mesclar elementos naturais e contemporâneos à decoração, conseguindo ambientes aconchegantes, mas com toques de modernidade. Essa associação de diferentes objetos e cores, com características próprias de cada estilo, denota a personalidade diferenciada do espaço”, destaca.
A arquiteta salienta ainda que o chique é o que vem da procura pelo que é natural, simples, sem frescura e que nos deixa bem à vontade, mas não insensíveis. “Não abrem mão das facilidades modernas mas, ao mesmo tempo, desejam sentir a energia do que é natural, simples e belo, dado pela vida campestre. Isso tudo sem tanta preocupação em apenas agradar, mas preocupados em bem viver. E em bem viver o que realmente somos”, completa.