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Saúde

O tabagismo é uma fonte de diversas e complexas toxinas, como a nicotina

Dermatologistas alertam: fumar faz mal à pele, cabelos e unhas

Por Assessoria de Comunicação
Foto Divulgação

Além de prejuízos para o pulmão, o hábito de fumar pode causar manifestações na pele, unhas e couro cabeludo, alertam os dermatologistas da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Essa posição ressalta a preocupação com os efeitos causados por uma prática que tem sido cada vez mais entendida como maléfica para a saúde.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, a partir de pesquisa conduzida em 27 capitais brasileiras, o percentual de adultos fumantes chega a 9,1%, sendo maior no sexo masculino (11,8%) do que no feminino (6,7%). No total da população maior de 18 anos, essa frequência tende a ser menor entre os adultos jovens (antes dos 34 anos de idade) e aqueles com 65 anos e mais. Para alguns, esse índice é baixo, mas as estatísticas indicam que o tabaco é responsável por mais de 8 milhões de mortes por ano no mundo. Até 2030, pode ser a causa de 10% do total de óbitos globais.

Efeitos - O tabagismo é uma fonte de diversas e complexas toxinas, como a nicotina. Essas substâncias produzem diversos efeitos na pele, nos cabelos e nas unhas, muitos deles relacionados à presença de grande quantidade de radicais livres - moléculas instáveis que alteram o funcionamento das células do corpo humano - e decorrente da vasoconstrição - diminuição do aporte sanguíneo aos tecidos. “O fim desse processo será uma produção de colágeno deficitária, uma alteração na hidratação da pele, uma duração do colágeno reduzido e uma perda de elasticidade. Alguns trabalhos recentes também têm associado a presença da nicotina à piora da acne e da oleosidade pela constatação de receptores para a nicotina na unidade produtora do sebo (a glândula sebácea)”, explica o professor Marco Dias da Rocha.

Além de questões relacionadas ao colágeno, o hábito de fumar também provoca uma mudança da cor em diversas partes do corpo: as extremidades dos dedos; lábios, por conta da impregnação de determinadas toxinas, o que deixa também um quadro de palidez e escurecimento; e mudança da tonalidade dos dentes.

O especialista também chama a atenção para os riscos do cigarro eletrônico, que tem se tornado muito popular. “Eles podem ter a molécula nicotina dentro dos diversos sabores que os usuários compram nas lojas, estando envolvida nos danos à pele, cabelos e unhas. Outro dano é que pode levar a queimadura ao redor da boca, além de gerar alterações dentárias, gengivais e nos dedos”, diz Dias Rocha. 

Cabelo - Já em relação ao couro cabeludo, há um envelhecimento também do cabelo, podendo ocorrer ainda canície precoce, alopecia androgenética ou afinamento progressivo dos fios. Isso acontece, pois, fumar leva à isquemia ou redução da vascularização do folículo piloso. Alguns trabalhos científicos mostram também que as fases do ciclo do fio se tornam mais curtas, fazendo com que o cabelo cresça mais fino e por menos tempo. Assim, o couro cabeludo fica mais rarefeito.

Outra questão é que os pacientes que possuem calvície ou alopecia androgenética e fumam têm uma pior resposta ao tratamento em virtude das alterações vasculares no couro cabeludo. A coordenadora do Departamento de Cabelos e Unhas da SBD, Fabiane Brenner, explica ainda que o câncer de couro cabeludo é algo que pode ocorrer com mais frequência em pacientes que fumam. “Trabalhos científicos apontam que existem mais de 4800 químicos no fumar e que isso pode ser tóxico para as células do folículo e podem induzir tumores foliculares com mais frequência. Como os danos ao couro cabeludo não menos visíveis, os pacientes que fumam precisam de um exame cuidadoso”, esclarece.

Cuidados - Mas os problemas não param por aí. Há ainda a questão de cicatrização, que é comprometida em virtude da maior dificuldade de regeneração da pele. Isso acaba prejudicando se o paciente quiser fazer algum procedimento estético invasivo, que tenha grandes cortes na pele. De acordo com a coordenadora do Departamento de Cosmiatria da SBD, Edileia Bagatin, não há, no entanto, nenhuma restrição para fazer procedimentos cosmiátricos não muito agressivos. “A maior questão é: se o que incomoda o paciente são as rugas ao redor da boca e ele não parar de fumar, não adianta fazer nenhum procedimento, porque elas vão voltar. Assim, o paciente vai ter um insucesso ou pode até melhorar por um tempo, mas depois volta tudo. Se o aspecto da pele incomoda a pessoa, ela quer melhorar, ela pode fazer procedimento, mas ela tem que parar de fumar”, exemplifica a especialista. 

Marco Rocha concorda e acrescenta que tratar da pele e hidratá-la garante oxidantes, e ajuda a combater os sinais do envelhecimento provocado pelo tabagismo, mas o mais importante é orientar o paciente a um programa de cessação desse ato de consumir cigarros. “O dermatologista também pode ajudar no combate ao tabagismo. Ele pode fornecer as informações adequadas ao paciente sobre a possibilidade de cânceres até a questão do envelhecimento da pele, do desencadeamento da acne, da alteração de coloração dos tecidos. É importante para trazer para a população uma informação de consistência, que seja embasada e que possa ajudá-la a tomar o primeiro passo ou jamais começar o hábito de fumar”, conclui.

 

 

 

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