21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Publicidade

Saúde

Divulgação

Anticoncepcional: mitos e verdades sobre a pílula

Por Izabel Seehaber
Foto Izabel Seehaber

Médico erechinense afirma que todo medicamento pode causar reações e por isso é fundamental a orientação de um médico

Entre os métodos contraceptivos, a pílula é ainda o mais utilizado. No mundo são 100 milhões de mulheres que aderem ao método. No Brasil em torno de 10 milhões. Mas quando o assunto são os riscos e benefícios, o médico ginecologista e obstetra, André Detoni, que atua na Gineclínica, em Erechim, afirma que a questão é muito ampla e apresenta os dois lados: pode causar uma tromboembofilia e também pode proteger o organismo da mulher. Sim, o que parece uma contradição, a medicina pode explicar.

A origem da pílula

A pílula foi criada na década de 60 e o objetivo de funcionamento é o aumento dos hormônios femininos (estrógeno e progesterona). Diante disso, Detoni comenta que a atuação é igual ou semelhante a uma gravidez, sendo assim, muitas mulheres que começam a tomar a pílula, podem ter sintomas como dor de cabeça, enjoo. “É como se “enganássemos” o organismo da mulher e isso inibe a ovulação. Com isso, a mulher não engravida. É um mecanismo simples e que apresenta uma taxa de eficácia muito alta. A chance de engravidar fazendo uso da pílula gira em torno de 0,3%”, pontua.

No entanto, se ocorrem esquecimentos, além do caso de pessoas que tomam outro remédio junto com a pílula, a taxa de gravidez pode aumentar para 8% ao ano, sendo que a maioria é em razão de esquecer de tomar o comprimido.

Evolução

Com o passar do tempo, as questões sobre a pílula foram evoluindo. O medicamento que inicialmente continha uma dosagem hormonal muito alta, fazia com que as mulheres tomassem durante três meses, por exemplo, e em seguida muitas tinham que parar outros meses, pois apresentavam muitas reações parecidas com uma gravidez.

As pesquisaram continuaram e foi descoberto que era possível diminuir a dosagem hormonal da pílula. “Ao mesmo tempo, é possível mudar alguns componentes da pílula (a progesterona) e com isso a mulher teria benefícios em relação à pele que pode ter menos espinha, menos oleosidade, algumas formulações atuais podem fazer com que a mulher não tenha tantos inchaços, cólicas”, relata o médico, citando que já tem pílulas que são usadas de maneira contínua, para a mulher que não quer menstruar ou por motivos como TPM ou algum tipo específico de enxaqueca no período menstrual.

“Com a pílula, a mulher escolhe se quer ter um, dois filhos, ou nenhum e tem uma vida sexual normal”, salienta.

Ação e reação

Detoni comenta que todos os medicamentos têm efeito colateral e qualquer remédio que é usado, tem risco e benefício.  No caso da pílula, além da trombose, pode aumentar as chances de câncer hepático, de mama. No entanto, conforme o médico, o percentual é considerado baixo em relação aos benefícios.

Atualmente está muito em voga a questão do tromboembolismo em razão do uso da pílula, o que, segundo o médico, realmente aumenta os riscos da doença.

“No entanto, a chance de uma mulher ter um quadro de tromboembolismo é que, a cada 10 mil mulheres, durante um ano, 10 podem ter a doença, ou seja, o risco é de aproximadamente 0,001%. Se a mulher não toma pílula e engravidar, a chance de ter tromboembolismo é de 1 caso para cada 1 mil, ou seja, é 0,002%”, ressalta.

Quer dizer, se observarmos por um lado isolado a questão da pílula, ela aumenta o risco de trombose, porém, se olharmos por outro viés, ela diminui as chances.

Nesse contexto, há alguns fatores particulares que fazem com que esse risco possa aumentar e é aí que entra a questão de procurar a avaliação de um médico para verificar o risco de ter trombose. Outro fator a ser considerado, é que, entre as pílulas, há aquelas que apresentam maior e menor risco, porém entre elas, a diferença é de, em média, 0,2%. “Normalmente as pílulas mais modernas, isso inclui a Drosperinona, pode aumentar o risco. Ao mesmo tempo, representa benefícios, principalmente para a pele e para não inchar. Existem critérios de elegibilidade que são utilizados no momento de receitar a pílula e isso varia de mulher para mulher. Também existem vários tipos de hormônios, além da pílula, que podem ser optados”, reforça.

Dr. André pondera que geralmente o tromboembolismo ocorre nos primeiros meses de uso da pílula. Porém, pacientes obesas, fumantes, com o colesterol alterado, histórico familiar de tromboembolismo, com doenças cardiovasculares, hipertensão, com mais de 35 anos, possuem fatores que aumentam as chances de ocorrer a doença e associado à pílula, o risco é ainda maior. “Sendo assim, também há contraindicações para serem avaliadas, como por exemplo, as pacientes que têm enxaqueca com aura”, esclarece, reforçando ainda, que não há um único tipo de pílula que pode causar tromboembolismo.

Pesquisas

Detoni destaca que as pesquisas vêm evoluindo, porém, o custo para os exames completos para a paciente que vai começar a tomar pílula e quer verificar se há riscos de tromboembofilia, é de cerca de R$ 4 mil e só pode ser feito de forma particular.

Contudo, mesmo para as mulheres que façam todos os exames, não está descartada a possibilidade de sofrer uma tromboembolia.

Orientação

Entre as dicas do especialista, é que não se pode criar um pavor diante desse assunto e um médico deve ser procurado para orientar o uso da pílula.

“O maior vigilante da saúde é a própria mulher. Não fume, cuide do peso, pratique exercícios físicos e mantenha uma vida saudável”.

Leia também

;