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Saúde

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Médicos brasileiros comprovam a não existência da fadiga adrenal

Por Divulgação
Foto Divulgação

Um estudo publicado em uma das maiores revistas científicas de endocrinologia do mundo, a BMC Endocrine Disorders, polemiza sobre um dos diagnósticos mais comuns para o mal estar das pessoas: a fadiga adrenal. Segundo a pesquisa realizada pelos endocrinologistas brasileiros Flavio Cadegiani e Claudio Kater, não há nenhuma evidência científica que comprove o diagnóstico como agente causador do mal estar. Os pesquisadores encontraram fatos que mostram que a glândula, embora possa estar comprometida em casos de extremo cansaço, sofre como consequência deste problema.

A fadiga adrenal é uma doença até então conhecida por gerar cansaço constante, dificuldades de motivação para realizar as tarefas do dia a dia, irritação em demasia, sistema imunológico enfraquecido e baixo poder de concentração. Acreditava-se que o quadro ocorria como consequência de exposições a situações de desconforto psicológico, como estresse no trabalho, emocional ou doença crônica.

Para chegar a essa conclusão, o Dr. Flavio Cadegiani, da Corpometria, disse que o processo foi longo e árduo. “Fizemos uma revisão sistematizada de tudo o que a publicação científica poderia nos fornecer a respeito do assunto, chegando a analisar pesquisas do século XIX. Levamos cerca de 3 anos, examinando 58 estudos, quantificando os dados de todos eles, e não conseguimos encontrar nem sequer um indício de que a glândula adrenal pudesse ser a causa de todos esses sintomas.” O médico salienta a importância desse estudo para se chegar às verdadeiras causas dos sintomas. “Existem literalmente centenas de possibilidades de diagnósticos para os pacientes com fadiga, mas a classe médica não optou por investigar isso, já que era mais fácil jogar a culpa na glândula adrenal.”

O estudo ressalta explicações sobre 15 sintomas que são comumente associados à fadiga adrenal. Entre eles, distúrbios do sono, problemas cardíacos, respiratórios e falta de vitaminas. O endocrinologista afirma que jogar a culpa de todos esses sintomas em uma única causa pode gerar mais problemas no futuro. “O grande problema do diagnóstico errôneo de uma doença que não existe é que o tratamento, embora gere bem estar no início. O uso de corticoide melhora os níveis de energia em qualquer pessoa, com ou sem doença, mas como há um quadro de melhora, passa a creditar que ‘confirmou’ que o diagnóstico. Isso pode causar múltiplos quadros negativos, como doenças cardíacas, psiquiátricas, ósseas, musculares, obesidade e até mesmo diabetes.”

Dr. Cadegiani acredita que a pesquisa pode revolucionar a forma como o meio médico encara o mal-estar dos pacientes, e espera que as novas gerações de médicos a vejam como referência na área. “Precisamos tratar a doença de maneira correta, sem generalizar. Hoje, a fadiga adrenal é encarada da mesma maneira que uma virose, causa de diversos problemas. Só saberemos tratar e curar o mal-estar físico dos pacientes quando sabemos as causas, e acredito que demos um primeiro passo.”

           

 

 

 

 

 

 

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