Como está sua saúde digestiva?
Segundo a Federação Brasileira de Gastroenterologia, cerca de 70% da população brasileira possui algum tipo de gastrite. Essa é apenas uma das doenças relacionadas ao sistema digestivo. Comemorado todo dia 29 de maio, o Dia Mundial da Saúde Digestiva foi criado pela instituição World Gastroenterology Organization (WGO) e é propagado, aqui no Brasil, pela Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). Com o intuito de alertar a população sobre a importância do diagnóstico correto e precoce no tratamento das doenças do aparelho digestivo, a data divulga temas anuais, indicados pelo calendário mundial de ações educativas. Este ano, o tema foi a Microbioma Intestinal.
Conhecido como o conjunto de bactérias que habitam diversas partes do nosso organismo, especialmente o intestino, o Microbioma Intestinal ajuda a proteger o nosso corpo contra o ataque de microrganismos nocivos, assim como auxilia na digestão e absorção de nutrientes complexos. De acordo com a WGO, o conjunto de bactérias é um patrimônio genético muitas vezes menosprezado, mas que desempenha um papel primordial na saúde humana.
A médica gastroenterologista e hepatologista, Nilma Lucia Sampaio Ruffeil, destaca a importância da data e cuidados essenciais durante e após a pandemia da Covid-19. “Ao trazer discussões sobre prevenção e cuidados, o Dia Mundial da Saúde Digestiva é extremamente relevante. A data contribui com debates sobre o cenário da área e também sobre temas específicos”, afirma a médica. Nilma revela ainda que, no Brasil, as principais queixas no consultório atualmente estão associadas com refluxo gastresofágico (RGE), constipação intestinal e esteatose hepática (gordura no fígado).
Com base em orientações da especialista, confira alguns dos principais cuidados que são recomendados em consultório, destacando que é fundamental procurar um especialista, pois o diagnóstico de cada pessoa determina um tratamento específico:
• Doenças como RGE, gastrite, úlcera – dieta fracionada, comer lentamente, não se deitar logo após a refeição, não beber água durante as refeições, evitar bebidas gasosas;
• Doenças como esteatose hepática – dieta fracionada, rica em fibras, pobre em açúcares e gorduras, fazer atividade física, evitar consumo de álcool;
• Constipação– aumentar a ingestão de fibras e água na alimentação, fazer atividade física.
“Além dos cuidados já referidos, é importante evitar o excesso de pimenta, não tomar café de estômago vazio, e evitar mascar chicletes. Para as crianças, é importante controlar a ingestão de balas e refrigerante. Já para os idosos que costumam fazer o uso de muitos medicamentos, estes não devem ser tomados em jejum, para prevenir agressão gástrica”, reforça. Segundo a especialista, a alimentação contribui para o bem-estar e, inclusive, pode reduzir as chances de uma pessoa desenvolver diversas doenças.
Mitos sobre a saúde do sistema digestivo
A doutora ainda esclarece dois mitos popularmente conhecidos pelos brasileiros:
“Se eu não tratar essa úlcera, ela pode virar um câncer”. Úlcera não vira câncer, mas câncer pode se manifestar na forma de úlcera; por isso ela deve ser biopsiada para o correto diagnóstico.
“Essa boca amarga é problema de fígado”. Fígado é um órgão que sofre calado, não tem sintomas, exceto em fase avançada de alguma doença. Normalmente, “boca amarga” está associada com presença de refluxo gastresofágico (RGE).
Cuidados e dicas durante a pandemia
A chegada da pandemia da Covid-19 exige um olhar ainda mais cuidadoso para a saúde digestiva. Além das dicas de prevenção mencionadas por Nilma, é preciso prestar atenção aos sintomas que podem estar relacionados à Covid-19.
“Pacientes podem apresentar um quadro com sintomas digestivos por meio de náuseas, anorexia e diarreia, na ausência de manifestações respiratórias. Esse quadro tem uma evolução mais prolongada do que aquela situação de uma gastroenterite comum, sendo algumas vezes associada com perda do paladar e também olfato – é preciso estar atento para fazer o diagnóstico do coronavírus nessas situações”, reforça.