Julho Verde: campanha alerta para a prevenção dos cânceres de cabeça e pescoço
Em meio à pandemia, chegamos ao mês de julho e, diante de tantas inseguranças acerca do futuro, existe uma certeza: a prevenção contra o câncer não pode parar. Este mês é chamado, pelos especialistas em Oncologia, de Julho Verde, um alerta para chamar a atenção da população para os cânceres de cabeça e pescoço.
As neoplasias de cabeça e pescoço englobam todos os tumores que surgem nessa região. Os mais comuns são os tumores de orofaringe, de cavidade oral, laringe, hipofaringe e nasofaringe. Segundo o Instituto Nacional do Câncer - Inca, a estimativa é que surjam mais de 15 mil novos casos de câncer da cavidade oral, neoplasia responsável por cerca de 6 mil mortes ao ano. “Na maior parte das vezes, são tumores evitáveis, decorrentes de maus hábitos de vida. Má higiene oral e vírus HPV são outras causas desses tumores”, explica a médica radio-oncologista, Bruna Bonaccorsi.
A maior parte dos pacientes são do sexo masculino e a maioria considerável tem histórico de tabagismo e alcoolismo durante a vida. O risco do câncer da cavidade oral, por exemplo, é 30 vezes maior para quem fuma e ingere álcool.
Sintomas
Muitas vezes, o câncer aparece como uma simples dor de garganta ou uma ferida na boca que não cicatriza. Em alguns casos são percebidos nódulos no pescoço pelo próprio paciente. “Esse perfil de paciente, historicamente, demora a procurar atendimento pelo próprio desconhecimento do risco do surgimento do câncer ou mesmo por descuido”, comenta a médica.
São tumores com grande chance de cura, a maior parte com tratamento cirúrgico, outros curáveis apenas com radioterapia, e há casos em que precisarão também de quimioterapia.
Tratamento com equipe multidisciplinar
O tratamento envolve uma equipe multidisciplinar com cirurgião de cabeça e pescoço, oncologista clínico e radio-oncologista. “O diagnóstico se dá através da anamnese e exame clínico. Quanto mais avançado o diagnóstico, mais penoso será o tratamento, e mais difícil a reabilitação do paciente após o período”, alerta Bruna Bonaccorsi.
Outros profissionais são de extrema importância na reabilitação desses pacientes. O dentista, o fonoaudiólogo e o psicólogo fazem um trabalho em conjunto com os médicos, que é essencial ao paciente com câncer de cabeça e pescoço. “A reabilitação é difícil, mas pode ser alcançada”, afirma a médica.
Cura
A manutenção dos hábitos ruins também contribui para a não obtenção da cura. “Alguns pacientes insistem no tabagismo, por exemplo, o que acaba por diminuir consideravelmente a eficácia do tratamento. Se a causa é o cigarro, continuar fumando é extremamente prejudicial para o paciente”, diz a médica.
O temor pelo tratamento e os efeitos colaterais, e a possibilidade de sequelas permanentes são causas importantes para o paciente também não procurar atendimento médico. “Mas, ressaltando, quanto mais cedo for diagnosticado, menor a chance de complicações”, alerta Bruna.