Cerca de 70% do colesterol é fabricado pelo nosso próprio organismo
Fundamental para o funcionamento normal do corpo, e sendo o componente estrutural das nossas células, o colesterol é um tipo de gordura encontrado naturalmente no nosso organismo. Segundo a nutricionista, Tatiana Pacheco Rodrigues, o colesterol está presente no cérebro, nervos, músculos, pele, fígado, intestinos e coração. “Cerca de 70% do colesterol é fabricado pelo nosso próprio organismo, no fígado, enquanto que os outros 30% vêm da dieta”, salienta.
A nutricionista afirma que as principais fontes alimentares são de origem animal: leite integral e derivados, carnes vermelhas gordurosas, peles de aves, bacon, embutidos (presunto, salame, mortadela), gema de ovo, vísceras (fígado, coração) e frutos do mar (lagosta, camarão, ostra, marisco). O corpo humano utiliza o colesterol para produzir alguns hormônios, vitamina D e ácidos biliares que auxiliam na digestão das gorduras.
Tatiana explica que há dois tipos principais de colesterol: LDL (lipoproteína de baixa densidade), com a função de transportar o colesterol do fígado para as células, também conhecido como colesterol ruim, pois seus níveis aumentados na corrente sanguínea estão relacionados com doenças cardíacas e o HDL (lipoproteína de alta densidade), com a função de transportar o colesterol de dentro das artérias de volta ao fígado para ser excretado e, por possuir essa ação antiaterogênica, é conhecido como colesterol bom.
Conforme a atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia, os valores séricos de colesterol total recomendados para uma pessoa adulta, acima de 20 anos, sejam inferiores a 190mg/dL, HDL-colesterol acima de 40mg/dL e LDL-colesterol menores de 130mg/dL. Tatiana ressalta que o colesterol se torna um problema “quando se encontra em níveis elevados no sangue gerando o que chamamos de hipercolesterolemia ou quando os níveis de HDL-colesterol estão reduzidos ou níveis de LDL-colesterol aumentados, o que denominamos de dislipidemias”, avalia. “As dislipidemias principalmente se associadas à obesidade e sedentarismo podem resultar no desenvolvimento de doenças coronarianas ateroscleróticas, como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC)”, pontua.
Alimentação
Tatiana ressalta que além da predisposição genética, o hábito alimentar inadequado também é um fator causador das dislipidemias e consequentemente aumenta o risco de doenças cardiovasculares. “A ingestão excessiva de gorduras, com altos índices de colesterol têm maiores chances de desenvolver a doença”, salienta. Assim, recomenda-se o consumo de alimentos “in natura” ou minimamente processados, como leite e iogurtes desnatados, queijos como o branco fresco, ricota, “cottage” ou light, já que possuem menores teores de gorduras em sua composição, carnes magras, peixes e aves sem pele. “O consumo de alimentos fontes de fibras dietéticas também deve ser incentivado, como frutas, verduras, legumes e cereais integrais, pois apresentam efeitos benéficos sobre os níveis de colesterol”, afirma a nutricionista.
Já os alimentos como bacon, embutidos (presunto, salame, mortadela), gema de ovo, vísceras (fígado, coração) e frutos do mar (lagosta, camarão, ostra, marisco) devem ser evitados, pois possuem um maior teor de gorduras e colesterol. “O tipo de gordura adicionada no preparo dos alimentos também merece uma atenção. Deve-se evitar o tipo saturada, ou seja, o óleo de coco e as gorduras de fonte animal (banha de porco) e preferir a insaturada como óleos vegetais: girassol, milho, canola, oliva, soja, no entanto, o uso deve ser feito com moderação”, orienta Tatiana.
Alimentos como abacate e oleaginosas: amendoins, castanhas, nozes e amêndoas, também possuem gorduras insaturadas, podendo ser consumidas diariamente de forma moderada. “É preferível preparações assadas, cozidas ou grelhadas, evitar frituras e a reutilização do óleo”, recomenda a profissional.
Tatiana relata que a exclusão de gorduras do tipo hidrogenada ou trans da dieta, apresentam impacto positivo, “uma vez que o consumo induz ao aumento das concentrações plasmáticas de LDL-colesterol. Elas estão presentes nos alimentos industrializados, como margarinas duras, sorvetes, chocolates, maionese, empanados, salgadinhos, biscoitos e fast-food, como batata frita, hambúrguer, pizza pronta, entre outros”, explica.
Hábitos saudáveis
Tatiana pontua que a associação de uma alimentação equilibrada com a prática de exercícios físicos diariamente, seguindo orientação médica ou de um educador físico, evitar bebidas alcoólicas e tabagismo, assim como a utilização correta de medicamentos são pontos-chave para redução dos níveis de colesterol total e LDL-colesterol e aumento do HDL-colesterol e consequentemente melhorar a qualidade de vida das pessoas.