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A AMAU tem papel relevante para o desenvolvimento regional não ser esquartejado

Por Rodrigo Finardi
Foto Rodrigo Finardi

Hoje é o primeiro dia do segundo mês do ano de 2018. Faltam pouco mais de oito meses para as eleições gerais de 7 de outubro que escolherá presidente da República, governadores, senadores e deputados federais e estaduais. Será uma eleição diferente, pós lava-jato. E se tem uma grande expectativa sobre como será a escolha por parte do leitor e quais os critérios que irão adotar. E antes do período eleitoral temos o Carnaval, Páscoa, 100 anos de Erechim e Copa do Mundo e dois feriadão em setembro. Irá passar rápido.   

Não irão votar nos mesmos

Com quem converso, quase de forma unânime ouço que não irão votar nos mesmos, irão buscar outras alternativas, apostar em novos nomes para através de seus representantes mudar a forma de fazer política no país.

Cada eleição, mais distante do poder

E o Alto Uruguai tem que pensar o que quer para o futuro, pois a cada eleição fica mais distante do poder, pois criou uma especialidade em ser mero cabo eleitoral, não votando em seus candidatos. Isso vale para deputado estadual e também federal. 

Falta de comprometimento dos partidos

Os números da último eleição demonstram a falta de comprometimento dos partidos e da própria população com quem resolve concorrer pela região. Apoiam a maioria candidatos de fora, que ficam quatro anos sem pisar por aqui, mas que agora estão com extensos roteiros pela terra onde tudo aceita e se contenta com pouco.

Hora da indignação

Está na hora da indignação. Está na hora de lutarmos pelos nossos representantes. Está na hora de criarmos a conscientização de termos nossos representantes. Aqueles que podemos olhar no olho durante todo mandato e cobrar ações, cobrar comprometimento, exigir as obras estruturantes que há décadas só são prometidas e não saem do papel. E essas promessas estão por aí de novo. E dos mesmos que não vai sair nada. Ou acreditam que quem prometeu antes e não fez, agora fará?

Exercício para a memória

Precisamos exercitar a memória. Precisamos pesquisar o que cada um desses candidatos fizeram pelo Alto Uruguai. E a partir daí definir e criar a consciência da importância que o voto de cada um tem. A região está órfã, ou na melhor das condições, como diz uma amigo “filho de pai sortido”.

“Filho de pai sortido”

E essa brincadeira do “filho de pai sortido” fica séria se analisarmos que nos falta a referência em nomes, termos a certeza que aquele candidato faz parte do DNA do Alto Uruguai. Na hora que precisam, as lideranças da região, principalmente os prefeitos da Associação dos Municípios do Alto Uruguai se reúnem para saber quem procurar para resolver seus problemas. E essa escolha é ‘sortida’, pela falta efetiva de quem nos representa em qualquer das esferas públicas.

Chega de afinidades e amarras

A escolha acaba sendo por afinidade política e começam as amarras. E desta forma vamos minguando, enfraquecendo, nos afastando das grandes decisões. E o resultado disso, todos sabemos: as demandas históricas vão ficando jurássicas.

Os prefeitos e as reais necessidades do Alto Uruguai

A AMAU é uma entidade apartidária formada por prefeitos de vários partidos. Esses 32 prefeitos legitimamente galgados aos cargos pelos cidadãos de seus municípios, precisam ter o entendimento e a dimensão real da necessidade do Alto Uruguai ter seus representantes. Já participei de dezenas de reunião da AMAU, e é normal nos discursos ouvir as palavras ‘desenvolvimento regional’. E na prática como é feito? 

A hora de dar um passo a mais

A AMAU alguns anos atrás, nem tão distante assim, passou por período de total descrédito. De uns anos para cá, melhorou muito sua atuação estando presente nas discussões relevantes, buscando soluções, e isso é louvável. Mas está na hora de dar um passo a mais. Precisa se reinventar, fortalecer sua atuação, e isso passa inegavelmente por ter representantes nossos, pois chegará um momento que a própria população cobrará de seus prefeitos, de seus vereadores.

Que futuro queremos?

E essa discussão é necessária, para termos a consciência de que futuro queremos. Não podemos mais ser um imã de polo idêntico, que repele, e sim de polos opostos para atrair investimentos.

Quem for, precisa o apoio da população

Temos muitos pré-candidatos a deputado estadual e federal. Muitos deles, e é do jogo, estão valorizando seus passes e na hora “H” acabarão não concorrendo. Mas são dignos de aplausos, num momento de descrédito da política ver nomes surgindo. E daqueles que realmente forem para a disputa devem ter o apoio da população e dos políticos da região. Depois não adianta ficar reclamando.

Precisamos mudar nossa vocação

Tudo isso que escrevi, e que aliás venho escrevendo há quase 20 anos, de nossa pouca representatividade, é possível mostrar em números, através dos resultados da última eleição geral em 2014 na Capital da Amizade. E que nossa vocação é dar o voto para candidatos de fora daqui, que acabam não tendo o comprometimento que precisamos.

A distribuição dos votos

Em 2014, excluindo as abstenções, 63.849 eleitores compareceram às urnas em Erechim. Dos mais de 200 mil votos em todo o Alto Uruguai, sobrou menos de 140 mil votos válidos, somados abstenção, branco e nulos. E desses sufrágios que restam é distribuído em centenas de candidatos.

349 estaduais

Para deputado estadual em todo o Rio Grande do Sul tinha 721 candidatos. Destes, 349 conquistaram votos em Erechim. O mais votado foi José Mantovani - PP (9.083 votos). O segundo foi Altemir Tortelli - PT (5.993 votos). Em terceiro Marlon Santos – PDT (3.919 votos). Em quarto Leandro Basso na época no PCdoB (3.634 votos) e em quinto lugar Ale Dal Zotto – PSB (2.668 votos).  

234 federais

Para deputado federal, 328 candidatos estavam aptos a serem votados em todo o estado. E, 234 deles fizeram votos em Erechim. O mais votado foi Ivar Pavan – PT (10.071 votos); em segundo Marco Maia – PT (7.551 votos); em terceiro Danrlei de Deus – PSD (2.510 votos); em quarto Yeda Crusius – PSDB (2.199 votos) e em quinto Márcio Biolchi (2.149 votos).

Pulverização retira chance dos nossos 

Os dois mais votados em Erechim tanto para estadual (Mantovani) como para federal (Ivar Pavan) não se elegeram. E os que se elegeram fica a pergunta. O que trouxeram? E para a região, já que os votos de pulverizam em todas as cidades? Aqui entra a história de se contentar com pequenas emendas e continuamos com um terço da região sem acesso asfáltico.  A história de Erechim e do Alto Uruguai mostra que a cada eleição, os partidos medem força internamente para ver quem tem mais votos para determinado candidato que pouca ou nenhuma relação tem com a região.

Até quando migalhas?

E é essa a nossa sina. Votar em candidatos de fora e depois se contentarmos com migalhas. Creio que a região merece mais. Precisa mais. E necessita criar uma consciência política de votar em candidatos daqui. Caso contrário ficaremos cada vez mais distante de investimentos que poderiam alavancar a região que carece há muito tempo, de obras de infraestrutura, para que se desenvolva numa velocidade razoável.

Precisamos nossos porta-vozes

E qual a vantagem de votar em candidatos da região? Eles conhecem nossas necessidades, dificuldades e reivindicações. Se tornam nossos porta-vozes em defesa de nossas reclamações e pleitos. E se fizerem algo de errado a cobrança será feita olho no olho, pois não são pessoas estranhas aos nossos anseios. E a mudança de conceito eleitoral, de como escolher somente a democracia permite. Através de uma poderosa arma, o voto. 

 

 

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