Os pais não sabem o que fazer com as crianças dentro de casa
Aproveitando a semana da família. Tem uma coisa que me intriga muito nos últimos anos: como tantos pais estão tendo dificuldade para lidar com as crianças dentro de casa.
Nunca tivemos tantas opções de entretenimento, tantas telas, tantos aparelhos eletrônicos e, ao mesmo tempo, tantas famílias sem saber o que fazer com as crianças dentro de casa. Muitos pais, exaustos pela rotina de trabalho, acabam entregando aos celulares, tablets, videogames e televisões a missão de ocupar o tempo dos filhos. O silêncio da casa parece ser um alívio, mas pode esconder um grande vazio.
Os filhos não precisam apenas de comida na mesa, roupas novas ou uma boa escola. Precisam de presença. Precisam ouvir histórias, brincar, conversar, receber limites, aprender valores e sentir que pertencem a uma família. Nenhuma tecnologia substitui um abraço. Nenhum aplicativo ensina amor. Nenhum vídeo na internet consegue transmitir o exemplo de um pai ou de uma mãe que dedica tempo para estar verdadeiramente presente.
A casa está cheia, mas os filhos estão sozinhos. São tempos de conquistas tecnológicas, de agendas lotadas e de uma corrida incessante por melhores condições de vida. Trabalhamos mais, produzimos mais, compramos mais. Mas, em meio a tudo isso, uma pergunta inquietante precisa ser feita: quem está educando nossos filhos? Crianças que sabem navegar na internet, mas têm dificuldade para conversar olhando nos olhos. Jovens que dominam a tecnologia, mas muitas vezes desconhecem o significado do respeito, da responsabilidade e da convivência.
Talvez seja o momento de desligar um pouco as telas e ligar mais os corações. Sentar à mesa sem o celular, caminhar juntos, brincar, ouvir, ensinar e simplesmente estar presente. Porque os filhos não guardarão na memória o modelo do telefone que receberam, mas jamais esquecerão o tempo que seus pais dedicaram a eles.
A infância passa depressa. O trabalho continuará amanhã. As notificações nunca terão fim. Mas o tempo de formar o caráter de um filho acontece agora. Quem educa hoje transforma o futuro. Quem terceiriza essa missão poderá, mais tarde, lamentar uma oportunidade que nunca voltará.
Até a próxima.