Apenas escravos
O autor do livro de Tiago não se identificou como apóstolo ou presbítero, como alguns dos autores de outros livros no Novo Testamento. Não apresenta sua linhagem como alguns dos profetas do Antigo Testamento. Simplesmente se descreveu como “Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo” (Tiago 1:1).
O autor da pequena carta de Judas se identificou em termos parecidos: “Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago” (Judas 1).
Obviamente, esses dois autores foram conhecidos e respeitados pelos destinatários das suas epístolas. Embora não tenhamos provas absolutas, tradições antigas aceitas por muitos estudiosos identificam esses autores como dois dos quatro irmãos de Jesus citados em Mateus no texto que relata as perguntas de pessoas em Nazaré: “Não é este o filho do carpinteiro? A sua mãe não se chama Maria, e seus irmãos não são Tiago, José, Simão e Judas?” (Mateus 13:55).
Se esse entendimento tradicional for correto, esses autores revelam sua humildade por não se identificarem como irmãos do Filho de Deus, homens criados na mesma casa de Jesus.
Sem poder provar que fossem os mesmos chamados de Tiago e Judas pelos vizinhos da família, ainda percebemos a humildade desses autores pela escolha de uma palavra. Tiago e Judas se descrevem como “servos” de Jesus, a tradução da palavra grega doulos, que significa escravo.
Apresentações de autores nos nossos dias frequentemente enfatizam a importância da pessoa, citando suas realizações acadêmicas e profissionais. As palavras escritas ganham força por causa das qualificações do autor.
Mas Tiago e Judas não se identificaram como homens importantes na igreja, muito menos como irmãos de Jesus. Eles se nomearam escravos do Senhor e apresentaram ensinamentos que vieram de Jesus, não da sua própria sabedoria humana.
Paulo demonstrou a mesma atitude quando falou de todas as suas realizações religiosas e acadêmicas – uma lista impressionante – como perda e lixo. Ele disse: “Mas o que para mim era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo[...], por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor. Por causa dele perdi todas as coisas e as considero como lixo, para ganhar a Cristo [...] O que eu quero é conhecer Cristo e o poder da sua ressurreição, tomar parte nos seus sofrimentos e me tornar como ele na sua morte” (Filipenses 3:7,8,10).
Que aprendamos a servir a Deus com a mesma humildade, pois não passamos de escravos do Senhor!