O trono eterno
Tenho dedicado algumas das reflexões recentes às citações dos Salmos no livro de Hebreus. O autor desse livro, dedicado à defesa da posição exaltada de Jesus, cita Salmo 45:6-7 para introduzir uma série de profecias daquele livro: “Mas, a respeito do Filho, diz: ‘O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre; cetro de justiça é o cetro do teu reino. Amaste a justiça e odiaste a iniquidade; por isso, Deus, o teu Deus, te ungiu com o óleo de alegria como a nenhum dos teus companheiros’” (Hebreus 1:8-9). Por séculos, estudiosos têm debatido questões de tradução e interpretação do Salmo 45. Alguns acreditam que o Salmo fala apenas de um rei humano (Davi ou um descendente), mas a afirmação do autor de Hebreus nos conduz à interpretação messiânica, pelo menos dos versos citados.
Essa parte do Salmo 45 frisa o conceito de um reino eterno, um fato sobre o reino messiânico já previsto na profecia de Natã sobre o descendente de Davi: “...estabelecerei para sempre o trono do seu reino” (2 Samuel 7:12-13). Salmo 110:4 fala do sacerdócio perpétuo do rei messiânico. Daniel, cujas profecias provavelmente fossem escritas depois do Salmo 45, falou do reino inabalável (Daniel 2:44) e disse que o Ancião de Dias daria ao Filho um “domínio eterno”, um reino que jamais seria destruído (Daniel 7:13-14). O texto citado no Salmo 45 também enfatiza a justiça perfeita desse Rei, que é superior a todos os seus companheiros.
As características de um reino eterno e justo são importantes no argumento do autor de Hebreus, mas o ponto maior é a linguagem do Salmo citado que chama esse rei de “Deus” (Hebreus 1:8-9). Observamos nos versículos anteriores que adoração é atribuída a Jesus, e no texto posterior, que ainda pretendo examinar em outra reflexão, o título mais exaltado do Antigo Testamento é aplicado a Jesus. O argumento de Hebreus 1 não se limita às qualidades do reino, o autor frisa os atributos do Rei. Ao afirmar que Salmo 45:6 e 7 falam sobre Jesus, ele reforça suas afirmações sobre a divindade de Jesus.
Deus abençoou Davi e alguns dos seus descendentes, mas o exaltado e perfeito Rei é “o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi” que recebe “o louvor, a honra, a glória e o domínio para todo o sempre” (Apocalipse 5:5,11-14).
Jesus é superior aos anjos porque ele é Deus, o Rei eterno e perfeitamente justo que merece a adoração das suas criaturas. Vamos reconhecer a exaltação dele e permitir que ele governe nas nossas vidas!