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Rural

Produtores de leite protestam contra crise

Por Rosa Liberman - rosa@jornalbomdia.com.br
Foto Divulgação/Sutraf/AU

Produtores de leite dos três estados do Sul do país realizaram manifestações nesta quarta-feira (18) visando sensibilizar a sociedade e o governo para a crise enfrentada pelo setor, já que nesta quinta-feira (19) acontece uma audiência das lideranças com ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, para debater a crise.

O preço baixo, o alto custo de produção, a grande oferta, o desestímulo dos produtores e a queda no consumo são as principais reivindicações para uma mudança positiva na atividade.

No início da tarde, cerca de 250 produtores do Alto Uruguai fizeram a distribuição de 470 litros de leite para a comunidade com o propósito de chamar a atenção para o problema. O ato aconteceu em frente ao Santuário Nossa Senhora de Fátima.

Em Erechim, a concentração aconteceu durante toda a manhã no auditório do Santuário Nossa Senhora de Fátima. Cerca de 250 produtores de toda região do Alto Uruguai estiveram presentes nas discussões promovidas pelo Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura Familiar do Alto Uruguai (Sutraf/AU). Representantes de cooperativas também participaram.

De acordo com o coordenador do Sindicato, Douglas Cenci, entre os pontos abordados esteve à suspensão da importação de leite do Uruguai. Mas segundo ele, essa questão não trará muito impacto, pois não chega a 2% do leite consumido.

Outro destaque foi à necessidade de investimento por parte do governo federal, de recursos para a compra de leite, que poderá estocá-lo e distribuir para entidades e famílias carentes. “São várias possibilidades. Também reivindicamos o restabelecimento de uma política econômica que de suporte para a economia voltar a crescer, especialmente abrangendo os programas sociais, pois o investimento nestas áreas tem sido reduzido”, comenta Cenci.

Outro fator importante apontado foi à queda no consumo do leite. O processo foi gradativo desde 2015, mas já chega a 20%. “Precisamos que ele seja restabelecido. Essa queda aconteceu pela diminuição do poder aquisitivo das pessoas e é preciso potencializar o poder de compra novamente, especialmente das pessoas mais pobres”, enfatiza, ressaltando ainda que o governo do Estado editou dois decretos no ano passado e que permitiam que o leite do Uruguai viesse para o Brasil com uma redução de ICMS que chegava a 4%. Um dos decretos foi revogado e outro está suspenso até final de novembro. De acordo com Cenci, as mobilizações visam que o governo suspenda em definitivo esse decreto que ainda está em vigor e que o governo federal limite a importação de leite de outros países, tabelando ou estabelecendo uma quantidade fixa de leite do que pode ser importado do Uruguai que é principal exportador, a exemplo do que já acontece com a Argentina.

Com relação ao preço do litro de leite recebido pelos produtores gira entre R$ 0,60 a R$ 1,10. “A nossa avaliação é que tão cedo não voltará aos patamares recebidos no início do ano, que era em torno de R$ 1,75. Essa reação será a longo prazo”, explica. Diante deste cenário, o impacto que o produtor de leite sofre acaba refletindo em toda economia regional, pois o valor que ele deixa de receber, consequentemente acaba deixando de gastar no comércio, na indústria e serviços. E assim, toda economia é impactada negativamente.

“A renda dos produtores caiu em 40% e é um setor que gera bastante empregos, assim precisamos de uma reação no setor”, conclui.

 

 

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