Euro R$ 3,85 Dólar R$ 3,26

Publicidade

Rural

Chuva em excesso aumenta os prejuízos nas lavouras de trigo e cevada

Por Rosa Liberman - rosa@jornalbomdia.com.br
Foto Antonio Grzybowski

A chuva em excesso no Alto Uruguai, principalmente no mês de outubro, quando foram registrados 58,7% acima da média esperada para o período, ou seja, choveu 282,5mm, sendo que somente entre sexta e domingo foram 135mm, já causa prejuízos nas lavouras. O Escritório Regional da Emater começou a receber os primeiros pedidos de Proagro (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária) em virtude dos danos registrados nas lavouras de trigo e cevada.

De acordo com o agrônomo da Emater, Nilton Cipriano de Souza, ainda não há como mensurar um percentual dos danos ocorridos no Alto Uruguai, mas já são em torno de 40 solicitações de Proagro para lavouras de trigo e mais de 60 para as de cevada.

“Não temos definição de um percentual geral das perdas, vai depender do levantamento de cada município, para avaliarmos um índice geral”, diz.

O município de Aratiba apresenta perdas de 13% na área total cultivada com o trigo e Faxinalzinho de 30%. “O principal dano é perda de qualidade do grão em função do excesso de chuva. Desta forma, o grão fica praticamente inapto para o consumo humano, virando forragem animal”, explica.

O trigo ocupa 29.100 hectares na região e a conseqüência com o excesso de umidade é a redução na produtividade e qualidade do cereal. Até o momento, a área colhida está em torno de 5,7%. O agrônomo ressalta que as condições climáticas estão atrasando o processo, pois cada dia a mais que o grão pronto para colher fica na lavoura vai perdendo qualidade.

O agricultor Armênio Casagrande (54), possui uma área de 550 hectares em Capo-Erê, interior de Erechim. Neste ano ele cultivou 160 hectares com trigo e 150 ha com cevada, uma redução na área em relação à safra passada de 30%. Olhando para a lavoura ele lamenta o resultado que vai obter. A colheita do trigo deve iniciar em 15 dias, mas a expectativa inicial era de obter a mesma produtividade do ano passado, cerca de 80 sacas/hectare. Agora, com o excesso de chuva, Artêmio diz que acabou prejudicando o grão e ocasionando doenças na espiga e a produtividade deve ter significativa quebra. Ele está projetando colher entre 30 a 35 sacas/hectare. “O governo não incentiva os triticultores por causa disso, ano que vem não vou plantar nada no inverno. Vou ter somente cobertura de solo”, diz.

A cevada deve ser colhida em uma semana e a estimativa seria de obter 84sc/ha, mas o agricultor salienta que a umidade nesta época prejudicou a cultura que terá péssima qualidade. “Possivelmente o grão será destinado para forragem, e assim, vou obter um baixo preço”.

Artêmio destaca ainda que para formar a lavoura de inverno os custos são elevados, mas trabalha para obter uma pequena margem de lucro. Já neste ano ele está calculando que terá prejuízo de pelo menos R$ 300 mil.

 

Cevada

Além do trigo, a cevada também está sendo afetada. São cultivados na região 9.517 hectares e a expectativa inicial era de se obter uma produtividade de 3 mil quilos/hectare. Até o momento, 10% da área plantada foi colhida, mas cerca de 70% da área semeada está pronta para ser retirada da lavoura. Entretanto, a umidade impede a entrada de máquinas para efetuar os trabalhos. “A cevada é semeada mais cedo do que o trigo, por isso seus danos são maiores. Um exemplo é o que ocorreu no município de Sertão, que tem perda de 60% na produtividade”, acrescenta o agrônomo da Emater.

O agricultor Tiago Cecconello (30) cultiva 20 hectares de cevada no KM 10, interior de Erechim. A colheita deveria iniciar na próxima sexta-feira, quando as condições do solo estariam adequadas para as máquinas entrarem na lavoura. Mas a previsão é de chuva antes desse dia.

Ele diz que deverá colher a metade do que colheu no ano passado, esperando chegar a 30 sc/ha. “A cevada perde peso e qualidade, pois está pronta para colher. Na verdade já passou do ponto. E dependendo, será destinada para ração, logo, vou receber um valor bem abaixo do que eu estava esperando”, pontua.

 

Soja

Com relação à soja, que deverá ocupar no Alto Uruguai 245 mil hectares, um aumento de área em torno de 4% comparando com a safra passada, agora é o período em que a semeadura se intensifica, seguindo até a primeira quinzena de novembro. Até o momento pouco mais de 10% da área a ser cultivada já foi implantada.

Cipriano diz que se a umidade persistir vai atrasar o processo. A época de plantio segue até 31 de dezembro, mas é nesse período que historicamente se obtém os melhores rendimentos, por isso que os produtores preferem essa época para a semeadura. A expectativa de produtividade é de 3.600 quilos por hectare se as condições climáticas se mantiverem favoráveis ao desenvolvimento da oleaginosa.

 

Antonio Grzybowski

 

 

 

Leia também

Publicidade

Publicidade

Blog dos Colunistas