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Rural

Pedidos de Proagro apontam frustração de safra

Por Rosa Liberman - rosa@jornalbomdia.com.br
Foto Antonio Grzybowski

No início da semana eram em torno de 100 solicitações de Proagro (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária) por agricultores do Alto Uruguai devido às perdas nas lavouras de trigo e cevada. Isso em virtude das condições climáticas, especialmente pelo excesso de chuva que acabou causando danos nos grãos e provocando o surgimento de doenças. Três dias depois, o número chega a 350 solicitações e a expectativa, de acordo com o agrônomo da Emater, Luiz Angelo Poletto, é de que este número se intensifique ainda mais nos próximos dias.

O crescimento nos números acontece dia a dia porque, depois dos danos ocorridos nas lavouras os agricultores comunicam as instituições financiadoras e então, é realizado o laudo com levantamento dos danos por assistência técnica, como a Emater ou particular credenciada.

Conforme levantamento semanal realizado pela Emater, o trigo que ocupa 29.100 hectares está na fase de colheita ou maduro para colher. Já a cevada que tem área semeada de 9.517 hectares está em fase de maturação e colheita. Mais de 80% da área cultivada já está colhida. Em conversa com produtores, a expectativa é de que além da queda na produtividade, a qualidade seja inferior, direcionando a utilização do grão para ração animal. A previsão do Escritório Regional da Emater é de que na próxima semana passem de 500 as solicitações de Proagro.

No Sicredi Norte o valor financiado para a safra de inverno foi de aproximadamente R$ 32,5 milhões, incluindo as culturas de trigo, cevada, canola e aveia. Num total de 829 operações contratadas, até esta terça-feira (24), foram 137 acionamentos. Mas de acordo com a assistente administrativa da cooperativa de crédito, Juliane Salete Pezzenatto, espera-se que o número de Proagros chegue a 50% do total de operações contratadas.

De acordo com o gerente geral do Banco do Brasil, Odemir Bernardi, todos os bancos ou cooperativas que trabalham com o crédito rural podem se utilizar do Proagro. Ele explica que quando há um sinistro, o agricultor comunica o agente financeiro, o qual solicita uma perícia na lavoura e, posteriormente ela é encaminhada à instituição, quando acontece o pedido do ressarcimento. “Por exemplo, se a previsão era de colher 100 sacas por hectare e o clima afetou em 70 sacas, 70% será abatido no financiamento”, explica.

O gerente do Banco do Brasil da agência da Avenida Sete de Setembro, Lucio Hupalo, comenta que leva um tempo até os agricultores solicitarem o pedido depois que os problemas são registrados na lavoura. Até a tarde de ontem (25) eram poucos acionamentos, mas eles tendem a crescer. “Mas sabemos que existe uma movimentação”, diz, ressaltando que com relação ao número de operações contratadas a tendência é de que o acionamento de Proagro chegue a 50% ou mais”, pontua.

Lucio explica ainda que o produtor que financiou a safra de inverno tem a proteção do Proagro, que é uma espécie de seguro agrícola. “E no Pronaf além do Proagro tem o Proagro +, que além da cobertura do prejuízo cobre mais uma parte que seria referente ‘ao lucro que deveria ter’. Já o produtor que não financiou a safra está sem a cobertura. E de acordo com o gerente do Banco do Brasil, diminuiu o número de agricultores que financiaram nesta safra com relação ao ano passado.

 

Presidente do Sindicato Rural alerta agricultores

O presidente do Sindicato Rural de Erechim, João Picolli, destaca que o produtor deve estar atento ao formar a lavoura. “O volume de crédito pode ter diminuído porque o produtor está cultivando com recursos próprios e com isso, quando ocorrem intempéries, ele acaba arcando com os prejuízos”, salienta.

Também alerta os produtores a antes de iniciarem a colheita chamar seu técnico para inspecionar a lavoura e avaliar se a produtividade tende a se equilibrar ao projeto inicial ou se haverá perdas. “Neste caso, antes de colher, deve-se acionar seu agente financeiro, para o pedido de Proagro”, pontua.

 

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