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Rural

Erechim sem Festa Di Bacco

Por Rosa Liberman - rosa@jornalbomdia.com.br
Foto Rosa Liberman

Em fase de pré-maturação, a uva cultivada em Erechim começa a ser colhida no mês de janeiro. A princípio, de acordo com a Emater, a expectativa é de que a safra seja favorável, já que o clima tem contribuído para o desenvolvimento da fruta. Mas enquanto o produtor continua os trabalhos nos parreirais e o consumidor aguarda para saborear a fruta, uma novidade vai atingir ambos os lados. Depois de 16 anos não será realizada Festa Di Bacco em Erechim.

A decisão foi tomada pelo secretário de Agricultura, Leandro Basso. Segundo ele, a festa não está cumprindo seu papel de quando foi criada, que era comercializar a produção de uva, já que a área cultivada nos últimos 16 anos reduziu 80 hectares, passando de 160 para 70 ha cultivados. “Acreditamos que se pararmos um pouco e cada um assumir seu papel, vamos conseguir retomar o foco da festa. Além disso, sugeri a realização dela a cada dois anos, a exemplo do que acontece com a Frinape. Desta forma, quando há Frinape, temos o pavilhão da agricultura familiar e, no ano seguinte realizamos a festa. Somado a isso, junto com os parceiros, que são Emater, Sutraf, Comissão da Uva, grupos Avanti, Gile e Stela Alpina, queremos que a festa se torne um projeto de lei, assim como é o Acampamento Farroupilha, para o repasse de recursos, de acordo com a nova legislação de repasses”, explica. Desta forma, a intenção, segundo Basso, é que a Festa Di Bacco retome seu protagonismo em 2019.

Conforme o secretário, o repasse municipal para a festa nesse ano foi de R$ 50 mil e, para a realização em 2018 será de R$ 10 mil que serão utilizados na construção da estrutura para a comercialização da uva que irá acontecer em local ainda a ser definido entre o Santuário de Fátima, estacionamento do Daer ou na Praça Jayme Lago e terá a duração de quatro fins de semana. Basso comenta ainda que os passeios turísticos no Vale dos Parreirais serão realizados assim como a Festa de São Brás. E não estão descartadas possíveis apresentações artísticas e parcerias com o Sesc, disponibilizando brinquedos para as crianças, mas também não há nada confirmado. O que não irá acontecer é a eleição de corte, nem o desfile pelas avenidas da cidade.

 

Abertura da colheita sem data definida

 

A abertura da safra da uva também não tem data definida. Ela será no segundo ou terceiro fim de semana de janeiro, dependendo da maturação da fruta, na propriedade de Adão Centenaro, na Linha América.

Conforme o médico veterinário da Emater, Walmor Gasparin, a primeira Festa Di Bacco foi realizada no ano de 2002. Em sua opinião, a festa tem que ser grandiosa, com um bom planejamento, envolvimento toda a sociedade, porque se trata de um evento de Erechim. “Acredito que essa parada será boa para estruturá-la novamente”, diz.

O fundador da Associação dos Produtores de Uva do Alto Uruguai, Adelino Pezzin, lamenta a interrupção da Festa Di Bacco. Segundo ele, essa decisão pode ser fatal e vir a desestimular os produtores. “A produção já diminuiu muito e é preciso um estímulo aos produtores que cultivam este produto nobre. Saber que podemos comer uma uva gostosa da nossa região é muito bom”, diz.

A associação foi fundada nos anos 90, composta por mais de 60 produtores com o objetivo de fomentar a produção. “Levávamos produtores a Bento Gonçalves participar de cursos de capacitação com pesquisadores da Embrapa e as áreas cultivadas só aumentavam. Mas na realização da primeira Festa Di Bacco eu trouxe uvas de Flores da Cunha para mostrar diferentes variedades e fui impedido de apresentá-las, e foi assim que deixei a Associação”, conta.

 

“Festa mostra nossa produção”

Na Linha Batistella, Olinto Batistella e o filho Giovani cultivam 500 pés de uva Rainha Itália, Bordô e Niágara. Há alguns anos a área é mantida a mesma. Segundo ele, a produção estimada para este ano é de 3 mil toneladas, considerada boa em função das condições climáticas e também porque a fruta não teve problemas com pragas ou doenças. A colheita inicia em janeiro e segue até março. Olinto participou de todas as Festas Di Bacco vendendo a uva e também vinho doce artesanal que produz com a fruta trazida de Benjamin Constant do Sul. Somente no ano passado, o filho comercializou dois dias e depois desistiu devido às exigências de fiscalização com relação ao vinho. Mesmo assim, lamenta a interrupção da festa. “Muitos produtores tinham a festa como um local para a venda de seus produtos. Ela impulsiona e mostra a nossa produção”, diz. Agora, pretende comercializar a fruta e também o vinho na própria propriedade e em mercados. Segundo ele, o vinho também é levado para outros estados. A estimativa é de que sejam produzidos 20 mil litros. 

 

“Evento poderia ser abertura das comemorações do centenário”

Já o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Sutraf Erechim) e presidente da Festa Di Bacco, Adilson Szady, se diz contrariado com as decisões tomadas. “Quando convidamos o governo municipal para a abertura da festa neste ano nos foi solicitada a suspensão do desfile a fim de que ele fosse realizado em 2018 junto com uma grande festa, sendo a primeira do centenário do município. Concordamos com a decisão, mas ao longo do ano, após reunião que participamos com a prefeitura e demais integrantes que fazem parte da organização, nos informaram sobre a decisão de não realizar a festa, apenas a comercialização da fruta, sem escolha da corte, nem mesmo o desfile. Estamos no fim do ano e a programação ainda não está definida. Sentimos, pois poderíamos fazer a grande abertura das comemorações do centenário, com a exposição da produção de uvas do município, já que a agricultura é um dos principais setores que compõem a receita do município”, enfatiza.

 

“Desfile é o grande marketing da festa”

O coordenador cultural da festa, Charles Mauro Oldoni comenta que o desfile é o grande marketing da Festa Di Bacco e que a cada ano ela foi crescendo. O último, realizado em 2015, reuniu mais de 20 mil pessoas. Mil pessoas desfilaram, com 11 carros e 32 alas. “Hoje mais de 65% da população do Alto Uruguai é descendente de italianos e é uma grande festa, mas em função da recessão econômica, o desfile que era para ser realizado neste ano e foi transferido para 2018 em razão do centenário não vai acontecer por causa da restrição das verbas. A comissão organizadora da festa acabou decidindo apenas pela comercialização da uva em 2018”, declara.

 

 

 

 

 

 

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