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Rural

Reação de preço ainda não é sentida pelos produtores

Depois de seis meses, litro do leite tem primeira alta de R$ 0,04

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Por Rosa Liberman - rosa@jornalbomdia.com.br
Foto Antonio Grzybowski

 

A queda no preço do leite iniciada em junho chegou a ser levemente freada em novembro, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Desde junho, o valor do leite recuou 22,1%. Já o preço pago ao produtor referente ao leite entregue em outubro foi de R$ 1,003/litro, praticamente estável (-0,48%) frente ao mês anterior, considerando-se a média Brasil líquida. No Rio Grande do Sul, segundo dados apresentados pelo Conseleite, o valor de referência estimado para novembro é de R$ 0,8653, valor 4,36% acima do consolidado de outubro, que fechou em R$ 0,8292. A valorização foi puxada pelo aumento do leite UHT, que atingiu 8,15% no mês. Também tiveram aumento expressivo o queijo prato (7,76%) e o mussarela (5,91%). O valor nominal médio acumulado no ano (11 meses) indica queda de 6,72%. Considerando valores reais (levando-se em conta a inflação medida pelo IPCA), a redução no período chega a 9,61%. Em Erechim, de acordo com o médico veterinário da Emater, Walmor Gasparin, o valor recebido pelo litro está entre R$ 0,75 a R$ 1,10 - dependendo da qualidade e volume de leite.

Apesar desse aumento de R$ 0,04, o agrônomo da Emater Vilmar Fruscalso diz que para o produtor não altera em nada. “Esse valor é irrisório, sem mexer no bolso”, diz. Segundo ele, além do governo federal não interromper as importações de leite em pó, o consumo de leite e derivados cai em dezembro. “O consumidor busca por produtos natalinos e o leite tem queda nesta época” ressalta. Mas diz que a expectativa é de que a partir de janeiro comece haver uma recuperação de 5% nos preços e assim, subir gradativamente, atingindo o pico de preço nos meses de abril e maio, quando a produção de leite cai em torno de 30% na região.

Fruscalso salienta que essa recuperação de preços se deve a ocupação de parte da área que é destinada as pastagens no Alto Uruguai (30 mil hectares) à soja. Desta forma, a oferta de leite começa a diminuir na região.

Em função do cenário crítico da atividade, especialmente por causa do preço baixo e desestímulo, ocorreu o abandono da atividade de produtores nos últimos dois anos na região em 16,5% e no Estado de 22,9%. Mas o agrônomo salienta que parte dessa desistência também se deve a produtores que não querem se profissionalizar e não aceitam a fazer algumas mudanças básicas. Ao mesmo tempo em que o setor enfrenta uma severa crise e muitos estão abandonando a atividade, outros estão investindo. “Alguns produtores, apesar da crise, mas que tem a produção de leite como a principal fonte de renda, estão investindo em irrigação de pastagens, adquirindo equipamentos e instalações”, acrescenta.

No Alto Uruguai são 5.647 produtores comerciais, com 83.266 vacas e uma produção de 282.555.491 litros ano. A média é de 10 litros/vaca/dia.

 

 

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