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Rural

Lavouras de verão começam a sentir a falta de chuva

Com metade da área cultiva com milho em fase de floração, preocupação com o clima aumenta já que é o período em que as plantas mais precisam de água

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Por Rosa Liberman - rosa@jornalbomdia.com.br
Foto Rosa Liberman

As lavouras de verão estavam com bom desenvolvimento até o início da última semana, mas devido às temperaturas muito elevadas e a falta de chuva, a situação mudou. Agora, o momento é de preocupação com relação à falta de umidade, especialmente porque o período coincide com a fase mais crítica do milho, que é a fase de floração e, 50% da área cultivada está nesse estágio.

O agrônomo da Emater Nilton Cipriano de Souza comenta que a única chuva registrada nos últimos dias na região ocorreu no domingo (17), variando de 1mm a 16mm e de maneira desuniforme. Esse fato, somado ao predomínio do sol e temperaturas que variaram entre 17ºC e 35ºC na semana passada já trouxe reflexos no cereal cultivado.

No Alto Uruguai os produtores reduziram a área plantada com milho, passando de 56 mil hectares para 30 mil ha. No momento, 20% da área está na fase de enchimento de grãos e 50% em floração e, o preocupante é com a fase de floração, sendo o período em que a cultura mais necessita de água.”Está nos preocupando a questão de vários dias seguidos sem chuva e já se percebe o secamento de algumas plantas. Em certas lavouras é visível o sintoma, com folha seca até em cima”, diz.

Diante disso, possivelmente vai haver alguma quebra de rendimento nestas lavouras, mas ainda não é possível precisar qual o percentual de quebra, até porque, se ocorrer uma chuva de mais de 10mm e uniforme, minimiza os impactos. “O que preocupa é a previsão de pouca chuva”, acrescenta. A estimativa inicial da Emater era de obter 8.400 quilos/hectare.

Conforme levantamento estadual da Emater, na semana passada, as lavouras de milho estavam favorecidas com as condições climáticas, apresentando potencial produtivo acima da média. Mas Cipriano salienta que o cenário mudou.

O agricultor Alex Carlos Giacomeli cultivou 0,5 hectares com milho nesta safra no KM 10, Dourado. O cereal é para consumo dos animais da propriedade. No momento, a lavoura está na fase de pendoamento e Alex diz que se não chover nos próximos dias haverá perdas, pois a planta já está sentindo a falta de umidade. A colheita inicia em fevereiro.

 

Soja

A área cultivada com soja na região está com cerca de 95%  na fase de desenvolvimento vegetativo – período em que a planta é resistente a falta de chuva. Os outros 5% estão em floração e, neste estágio a planta já precisa de mais umidade. Por isso, os próximos dias poderão impactar também na cultura da soja, dependendo do comportamento do clima.

Cipriano destaca que são poucas lavouras de grãos irrigadas na região. Mas explica que seria uma boa opção. Entretanto, o grande entrave da implantação desta ferramenta deslanchar em lavouras de grãos é o alto custo. “Os produtores lembram da irrigação em períodos de seca. Como viemos de duas safras boas, o sistema acaba esquecido. Mas o custo acaba sendo diluído com o que ele vai colher ao invés de perder com a seca”, ressalta.

 

Pastagens

A situação das pastagens, de acordo com o agrônomo Vilmar Fruscalso, é razoavelmente boa, mas também apresenta problemas. “Em algumas localidades tivemos o registro de chuva no domingo, mas já é possível ver a perda de qualidade das pastagens. Elas estão mais fibrosas e, o impacto disso é na diminuição da produção de leite. A redução da qualidade nutricional reflete automaticamente na produção”.

Fruscalso diz ainda que é preocupante a situação das lavouras de milho. Se ocorrer perda nesta cultura a produção de silagem não será a mesma. “O animal vai comer a mesma quantidade, mas vai produzir menos”, salienta.

O Alto Uruguai destina 30 mil hectares ao cultivo de pastagens e são poucas as áreas irrigadas. “O produtor precavido e que dispõe de água na propriedade, tem essa alternativa que acaba se tornando uma segurança de produzir no mesmo ritmo, apesar de períodos de estiagem”, conclui.

 

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