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Rural

Censo agropecuário: coleta de dados atinge 70% no Alto Uruguai

Constatação até o momento é de redução no número de propriedades e alto investimento em tecnologia, o que já reflete na produtividade de grãos

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Por Rosa Liberman - rosa@jornalbomdia.com.br
Foto Rosa Liberman

O Censo Agropecuário no Alto Uruguai atinge 70% da coleta de informações. Baseado no quantitativo de estabelecimentos agropecuários do último Censo (2006), que eram 18.740, já foram trabalhados 13.236. A coleta de dados iniciou no dia 1º de outubro e a jurisdição do IBGE Erechim abrange 29 municípios. Eles foram divididos em três subáreas: Erechim, Jacutinga e Nonoai. Estão trabalhando 94 profissionais entre supervisores, coordenadores e recenseadores, com o prazo limite de conclusão o dia 28 de fevereiro. Dentro da coleta de dados já feita, o que chama a atenção é a redução no número de propriedades e o avanço da tecnologia no campo – item este que contribuiu para um novo cenário nas lavouras - aumentando a produtividade dos principais grãos cultivados no Alto Uruguai.

O coordenador do IBGE de Erechim, Admar Helinton Dornfeld ressalta que a constatação da tecnologia inserida no campo, com o maquinário e insumos, está refletindo na produtividade, principalmente da soja e milho. No ano passado o rendimento médio da soja foi de 60 sacas por hectare, com produtores que obtiveram até 75sc/ha. Enquanto que em 2006, o rendimento era de 40 sc/ha. No milho a produtividade média é de 150 sc/ha, sendo que teve um salto de 50% no rendimento, pois conforme o último Censo, a produtividade média era de 100 sc/ha.

Essa é a realidade da propriedade da família Vicini, que reside na Linha São Brás, interior de Erechim. Os irmãos Maurício e Everaldo cultivam juntos em 230 hectares destinados aos grãos, sendo 40 ha de milho e o restante com soja. E ainda, 1,5 ha de parreiras. No ano passado, segundo Everaldo, a produtividade se soja foi de 65 sc/ha e do milho de 170 sc/ha. Um avanço comparado com o que era obtido no último Censo. “Obtínhamos em torno de 50 sacas por hectare de soja e 140 sacas de milho/ha. Mas investimos nos últimos anos em maquinários, o que tem impactado no aumento da produtividade, menos perdas, mais eficiência, agilidade e menos tempo de trabalho. E o tempo hoje vale ouro”, diz.

Foram adquiridas nos últimos três anos, colheitadeira, trator, pulverizador e equipamentos, um investimento que passa de R$ 1 milhão. “Facilitou o trabalho, é mais rápido, prático e temos menos desperdícios”, acrescenta Everaldo.

Ao longo dos anos a família também aumentou a área cultivada. Em 2006 eram 70 hectares destinados aos grãos e, desde então foram adquiridas outras áreas e parte arrendada, o que propiciou o aumento das lavouras de grãos.

 

Coleta de dados

De acordo com o coordenador do IBGE de Erechim, tem alguns municípios que estão mais adiantados na coleta de dados, como Cruzaltense, Jacutinga e Barão de Cotegipe, que atingem 92%, Barra do Rio Azul 91% e Erechim 85%. Estes estão na reta final. Assim, quando concluído, os recenseadores serão remanejados para outras áreas.

Alguns municípios como Áurea, Severiano de Almeida, Três Arroios, Rio dos Índios, Trindade do Sul e Faxinalzinho, iniciaram os trabalhos no dia 20 de novembro. “Não tivemos inscrições de recenseadores para estes locais no primeiro processo seletivo. Por isso, tivemos que elaborar um segundo processo seletivo emergencial, no início de novembro”, explica. Para que não ocorram atrasos, os recenseadores que trabalham em locais que concluíram a coleta serão remanejados.

As informações coletadas no Censo Agropecuário vão estar disponíveis para toda população em torno de 60 dias após o término de apuração dos dados. Já a publicação destas informações acontece depois de dois anos.

A média de tempo para a entrevista por propriedade na região está variando entre 30 e 45 minutos, dependendo do tamanho do estabelecimento e da diversidade da produção. “Uma dificuldade encontrada foi que os trabalhos iniciaram em outubro, período em que os produtores estavam realizando o plantio da safra de verão. Por conta disso, muitas vezes os produtores não eram encontrados na propriedade, pois estavam na lavoura, e os recenseadores precisaram voltar mais de uma vez ao local. Com relação à resistência, tem sido muito pontual e praticamente inexistente, porque realizamos outras pesquisas a domicílios e o IBGE é bastante conhecido e tem credibilidade”, destaca.

 

Redução no número de estabelecimentos agropecuários

Segundo Dornfeld, o que tem chamado atenção é que de acordo com os dados obtidos até agora, percebe-se uma redução de 15% no número de estabelecimentos agropecuários com relação ao Censo 2006. Até o momento registrou-se 3.735 exclusões e 1.665 inclusões. Um saldo negativo de 2070 estabelecimentos. “Entre os motivos está o êxodo rural, embora seja de forma mais lenta, ele ainda ocorre. O envelhecimento do campo e a inexistência, praticamente, de jovens nas propriedades. Outro fator é que quando o casal se aposenta acaba arrendando a terra para terceiros e só trabalham para sua subsistência. E assim, o estabelecimento não é considerado agropecuário. Outro fator é quando a pessoa tem um pedaço de terra e arrenda várias outras áreas, mas é contabilizado como apenas um estabelecimento. E ainda, quando o pequeno produtor vende sua terra para um produtor maior e migra para a sede do município. São motivos quase irreversíveis que acabaram contribuindo para a diminuição do número de estabelecimentos agropecuários na região”, explica Dornfeld, acrescentando que, outra situação distinta é o caso de Rio dos Índios, que teve áreas alagadas. Neste local há 39% de redução de estabelecimentos.

 

 

 

 

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