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Segurança

Mistérios do Rio Teixeira permanecem

Mãe acredita que filho morreu afogado após ataque de cobra em Ipiranga do Sul

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Caso da Cobra (56).jpg
Por Antonio Grzybowski
Foto Antonio Grzybowski

A Polícia Civil de Sertão e o Pelotão Ambiental da Brigada Militar continuam investigando os fatos relacionados com a morte de Guilherme da Silva Andrade. A vítima de 12 anos morreu afogada na tarde do último ano de 2017 no Rio Teixeira, afluente do Rio Passo Fundo, localizado na divisa dos municípios de Ipiranga do Sul e Sertão. Durante a semana, enquanto policiais civis coletavam depoimentos de familiares e testemunhas, soldados do Pelotão Ambiental vasculharam as margens e o leito do rio na tentativa de localizar vestígios da presença de uma suposta cobra gigante avistada por muitas pessoas naquela região. 


De acordo com o sargento Gilmar Molinari, que comanda a operação ambiental, os trabalhos foram suspensos no início da noite de quinta-feira (4) e serão retomados nesta segunda-feira (8). O militar informa que durante quatro dias foram executadas ações em terra e na água. O objetivo era encontrar vestígios do réptil descrito por testemunhas como sendo de  "cor preta por cima e amarela por baixo", medindo aproximadamente três metros de comprimento. A suposta cobra gigante foi avistada por alguns familiares que realizaram o socorro dos dois irmãos que estavam morrendo afogados nas proximidades da propriedade onde moravam. Guilherme morreu e o corpo foi encontrado apenas no dia seguinte. O irmão Gustavo (15), foi salvo pelo tio Valdelir Pereira da Silva (37).


Clima de tristeza entre os familiares
Na manhã de sexta-feira (5) a reportagem do Jornal Bom Dia voltou ao local para descobrir fatos novos sobre o caso. Na propriedade onde Guilherme morava o clima ainda é de tristeza. No pátio da residência da viúva Olga Pereira da Silva (73), avó de Guilherme, estava a mãe do menino, Ângela Maria Sal da Silva (35), que há um ano optou por deixar o emprego de cozinheira e a vida atribulada na cidade de Passo Fundo. O objetivo era oferecer uma vida mais tranquila para os filhos no imóvel rural de propriedade da mãe e de um cunhado. Gustavo, ainda traumatizado com o ocorrido, permanece na casa de parentes, em Passo Fundo.


Guilherme estava feliz
Ângela conta que Guilherme era apaixonado pelo lugar e estava feliz por ter ajudado a construir a casa da família no local onde projetava viver para sempre. "Gui", como era chamado pela mãe e irmãos, era o segundo filho do primeiro casamento de Ângela, que gerou cinco filhos: Carlos Henrique (18), Gustavo (15), (Guilherme), Natália (6) e João Augusto (4). O adolescente estudava na 5ª série da Escola Municipal de Ensino Fundamental Dom João Becker e não pretendia ir muito longe nos estudos, pois  projetava trabalhar na agricultura e desenvolver a pequena propriedade da família. Também gostava de pescar. No dia anterior havia retornado de um acampamento com o tio. 


O drama do resgate
A mãe relata que o filho era carinhoso com todos, destemido e corajoso. No dia em que Guilherme morreu, todos almoçaram em casa. Por volta de 15h, Guilherme e Gustavo decidiram pegar os anzóis para pescar lambari no Rio Teixeira. A história é contada nos relatos de Gustavo. Ângela estava dormindo no momento em que foi chamada pela sobrinha Naikele (16), enquanto outros dois familiares tentavam o resgate dos dois irmãos. A dona de casa narra que ao chegar no leito do rio, Gustavo já estava sendo retirado da água pelo tio Valdelir Pereira da Silva, enquanto Guilherme não era mais visto. 


Gustavo não viu a cobra
Gustavo, que não sabia nadar, contou para a mãe e também para a Polícia Civil, que caiu no rio ao tentar desprender o anzol que havia ficado presos em galhos de árvore. Ele não viu a cobra. Guilherme, que sabia nadar, mergulhou para salvar o irmão, mas enfrentou problemas no local onde a profundidade estimada é de 2,5 metros. Inicialmente teria se debatido na água, enquanto outro familiar tentava lhe ajudar. A partir deste momento os relatos de todos que presenciaram a cena indicam que Guilherme teria sido atacado por uma cobra e desaparecido nas águas barrentas do rio. O corpo foi encontrado na segunda-feira (1), praticamente no mesmo local em que desapareceu. O resgate foi realizado pelos familiares que, mesmo com medo da suposta cobra, encontram o corpo com os braços e pernas parcialmente encolhidos em 180 graus. Ângela acredita que a posição dos membros indica o instinto de defesa do filho. Ao lado da sogra, cunhada, filhos e uma sobrinha, reitera que o ataque da cobra provocou o afogamento de Guilherme.


A presença do animal na região é confirmada pela cunhada Darlene Santos Soares (30), que mora na primeira casa ao lado do rio. Dona Olga, a matriarca da família que há 20 anos mora no local, também conta que já avistou a cobra em outras épocas. 


Investigação e trabalho preventivo
O sargento Gilmar Molinari informa que a Brigada Militar realizou diligências na região e que o capataz de uma outra propriedade também teria confirmado que viu o réptil em uma açude de uma fazenda. O militar acredita que com a possibilidade de calor nos próximos dias e o tempo seco, aumentam a chances da cobra aparecer ou o Pelotão Ambiental descartar a existência do animal no Rio Teixeira. Além da instabilidade climática, Molinari destaca que a extensão da região também dificulta o trabalho policial.


Sobre a investigação da Polícia Civil o delegado Adroaldo Schenkel, titular da 6ª Delegacia Regional de Passo Fundo e que responde interinamente pela delegacia da polícia do município de Sertão, informou nesta sexta-feira que diversas pessoas estão sendo ouvidas. Schenkel adiantou que até o momento não há indícios de crime na morte de Guilherme e nem que o afogamento foi provocado por ataque de alguma cobra. "Tentamos esclarecer esta questão, muito pelo aspecto preventivo. Diversas testemunhas dizem que viram a cobra, mas nada está confirmado", disse o delegado.
Adroaldo Schenkel também desmentiu os boatos sobre a existência de dois laudos do Instituto Médico Legal. "Foi realizado apenas um exame e emitido um único laudo que confirmou a morte apenas asfixia mecânica por afogamento ", finalizou o delegado.

 

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