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Rural

Desejos de boa colheita e anseios por uma festa maior

Por Najaska Martins - najaska@jornalbomdia.com.br
Foto Najaska Martins

Está aberta oficialmente a safra da uva em Erechim. O início da colheita da fruta foi comemorado em cerimônia realizada na tarde de ontem (10), na propriedade dos agricultores Adão Centenaro e Celso Nossal, localizada na Comunidade de Linha América, no interior do município. Nem mesmo a chuva - que chegou tímida e depois foi ganhando corpo - foi capaz de tirar a alegria dos anfitriões que trabalham com a produção de uvas há meio século e receberam em sua casa os organizadores da Festa di Bacco, além de vizinhos e lideranças locais.

Os grupos Avanti, Gilé e Stela Alpina realizaram apresentações de canto e dança, exaltando a cultura italiana, responsável por ajudar na colonização do Alto Uruguai e por difundir o cultivo da uva na região. Em seguida, foram destacadas as mudanças da Festa di Bacco deste ano, que terá sua programação focada na comercialização e nos produtores de uva. A venda da fruta ocorrerá nos próximos cinco domingos, das 14h às 19h na Feira do Produtor, local que também contará com apresentações culturais.

Antes do corte da fita que marcaria a abertura da safra, as autoridades presentes falaram sobre a festa. O tom dos pronunciamentos se dividiu entre o desejo de uma safra positiva e o anseio por uma festa maior no ano em que Erechim comemora seu centenário. A primeira a falar foi a rainha Andreia Cechet, que salientou a importância do papel de cada um para o êxito da festa. "Temos um papel muito importante que é o de fortalecer os laços da agricultura familiar, de fomentar o desenvolvimento rural da nossa região e, assim, mostrar o que produzimos e o que temos a oferecer", destacou ao desejar uma boa safra.

Filha de Adão Centenaro e esposa de Celso Nossal, Maristela Nossal reiterou os agradecimentos e o orgulho pela família ser anfitriã da cerimônia de abertura da safra da uva. Resgatou o histórico da família na produção da fruta e falou de seu papel na continuidade da atividade. "Nossa uva está presente em todas as festas até aqui e entendemos que a festa é um momento importante para a comercialização, pois além de dar a divulgação, nos dá a oportunidade de conseguir vendas maiores", disse, ao desejar boas vendas aos produtores.

Expectativas para a festa nos próximos anos

O coordenador cultural da Festa di Bacco, Charles Oldoni, fez um resgate histórico e cultural da festa, que iniciou em 2001 e de lá para cá passou por diferentes momentos. Falou da importância de esta se manter como referência e de continuar nos próximos anos, além de citar questões como a diminuição do cultivo da uva e, por outro lado, do crescimento de cantinas e do fomento no turismo rural desde a primeira edição. "Essa festa tem que continuar", enfatizou.

Representando os produtores da fruta, Maurício Vicini reiterou o desejo de uma boa safra, ao ressaltar a permanência da festa no decorrer dos anos mesmo diante de dificuldades para sua realização. Também pediu para que o apoio do poder público para a realização da programação se mantenha nos próximos anos devido à importância da festa no estímulo à produção da fruta, além de agradecer por melhorias nas estradas do interior que por sua vez, garantem boas condições aos produtores.

O coordenador do Sutraf Erechim, Adilson Szady, reiterou o desejo de que fosse realizada uma festa maior neste ano em razão de ser o centenário da cidade e destacou a necessidade de mais diálogo para que a festa seja retomada com mais força nos próximos anos. Destacou também o trabalho dos agricultores ao pedir mais apoio e incentivo para a atividade. "Alguns agricultores iniciaram esta festa lá atrás e, graças a união com várias entidades, ela continuou até hoje. Precisamos manter um diálogo mais próximo com o poder público para que esta festa avance nos próximos anos", disse.

O gerente regional da Emater, Gilberto Tonello pontuou sobre a importância de reforçar o incentivo à produção da uva na região, ressaltando que a manutenção da atividade depende também deste fomento. Já o presidente do Legislativo erechinense, Rafael Ayub, além de colocar a Câmara de Vereadores à disposição para dialogar sobre a festa, reforçou o desejo de uma boa comercialização e de que a comunidade possa aproveitar a programação.

O secretário de Agricultura, Leandro Basso, utilizou a produção da uva como metáfora para explicar as motivações das mudanças na festa deste ano. Disse que atualmente o momento é de "poda", relacionando com o período de recessão econômica. "Neste exercício de poda a gente se renova. Quem observa um cacho de uva sabe que ele só é bonito quando os grãos estão unidos. Um cacho de uva ralo é o último que se compra, enquanto aquele que tem os grãos unidos é o mais admirado. Cada um de nós individualmente e cada entidade que representamos é um dos grãos de um cacho de uva e por isso precisamos nos unir para conseguirmos alcançar o que almejamos", disse.

Por fim, o prefeito de Erechim, Luiz Francisco Schmidt, ressaltou a importância da cultura italiana em Erechim e sua forte relação com a produção da uva. Também retomou a analogia feita por Basso com o cacho de uva e a sociedade destacando que "temos a obrigação de construir, mesmo não tendo a certeza de que conseguiremos avançar na velocidade que gostaríamos". Sobre o descontentamento de alguns produtores com as mudanças da festa, Schmidt falou que "mesmo que por ventura alguns produtores não tenham entendido o momento e tenham se afastado, saibamos que eles irão voltar, e é um papel dos que ficaram os reaproximarem. Temos que acreditar em nossa própria história e é esse espírito que deve prevalecer se quisermos avançar", finalizou.

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