Escolas podem ter aulas sobre respeito e cuidado aos mais velhos
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) projeta que no ano de 2060, o Brasil terá mais de 58 milhões de pessoas na terceira idade. De acordo com o órgão, a expectativa de vida dos brasileiros também aumentará. Hoje, as mulheres vivem em média 78,5 anos, contra 71,5 anos dos homens. A perspectiva do IBGE é de que em 2060, as mulheres viverão, em média, 84 anos, enquanto os homens, até os 78.
Esse possível cenário daqui pouco mais de 40 anos é uma das justificativas para um projeto de lei que tramita no senado: o PLS 501/2015, que determina que escolas ofereçam aulas sobre respeito e cuidado aos mais velhos. A proposta, de autoria do senador Omar Aziz, do PSD do Amazonas, quer que temas como envelhecimento e do cuidado e respeito aos idosos façam parte do currículo da educação básica. “O projeto modifica a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e determina que especialistas em gerontologia - profissionais graduados em Psicologia, Serviço Social, Terapia Ocupacional, ou áreas afins que estudam o envelhecimento, — ensinem o conteúdo nas escolas”, destaca a Agência Senado.
Embora atualmente a proposta tramite em decisão terminativa – isto, é com valor de uma decisão do Senado - na Comissão de Educação, Cultura e Esporte, a iniciativa já é vista com bons olhos por profissionais que atuam com idosos. Psicóloga na Sociedade Beneficente Jacinto Godoi, conhecida carinhosamente como “Lar dos Velhinhos”, Eliana Santin ficou surpresa com o projeto. “Fiquei muito feliz quando soube e até emocionada. Acho fundamental que estes aspectos sejam abordados nas escolas e, de preferência, começando pelos alunos mais novos e seguindo até os mais velhos, pois só assim para conseguirmos ter um novo olhar aos idosos”, pontuou.
Sobre este novo olhar, Eliana explica que se trata de um resgate à visão positiva que se tem com os mais velhos. “Hoje a gente se preocupa com leis, com o lugar deles na fila da agência bancária, com o lugar deles no banco do ônibus. Mas e o lugar deles no mundo? Nisso a gente não costuma pensar. Às vezes esquecemos que idosos são pessoas, que têm direitos, que têm escolhas, que têm vontades e opiniões e que merecem ser respeitados por isso. Muito se fala em maus tratos aos idosos, mas não podemos deixar de notar que não respeitar suas decisões e descapacitá-los e até mesmo infantilizá-los, muitas vezes impedindo-os de fazer aquilo que desejam é também uma forma de maltratá-los”, afirma.
A opinião de Eliana também é compartilhada pela auxiliar administrativa do Lar, Vanessa Lise Dariva, que também defende que o ensino destes aspectos na escola é uma maneira de desconstruir o preconceito que se tem com os idosos e, ao mesmo tempo, de entender o envelhecimento como um processo natural. “Acredito que o respeito com os idosos é algo que sim, a gente começa a trabalhar ainda em casa. Porém a escola sem dúvidas é um lugar para reforçarmos nossos valores, de aprendermos ainda mais sobre isso. Se esse projeto vier a ser aprovado, sem dúvidas somará muito à sociedade, pois contribuirá para que as crianças e adolescentes entendam mais sobre o processo de envelhecimento e, consequentemente, tenham mais respeito e carinho com os idosos, permitindo assim uma convivência e interação mais saudável para ambas gerações”, afirma.
Troca de experiências por meio de visitas
Com uma frequência relativa, o Lar dos Velhinhos recebe visitas de estudantes – crianças e adolescentes – que vão até o lar em busca da troca de experiências. “Esses momentos costumam ser maravilhosos e ricos de oportunidades tanto para quem visita quanto para quem recebe os visitantes. Há uma grande troca de ensinamentos, já que as crianças e adolescentes desmistificam a ideia equivocada que têm dos idosos e, ao mesmo tempo, os idosos têm a oportunidade de contar suas histórias. Acredito que se tivermos esse projeto aprovado, a longo prazo essas situações vão se perpetuar e a convivência e integração entre gerações será cada vez mais harmoniosa”, completa Vanessa.
Troca de experiências entre gerações são comuns em visitas de crianças e adolescentes ao Lar dos Velhinhos