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Rural

Chuvas no limite para milho e soja do Alto Uruguai

A expectativa é para que se confirmem as previsões de tempo seco a partir desta quinta-feira (25), permitindo que os produtores rurais iniciem o tratamento químico nas lavouras

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Por Antonio Grzybowski
Foto Antonio Grzybowski

As chuvas do último período foram benéficas para as culturas de soja e milho na região do Alto Uruguai. De acordo com informações do engenheiro agrônomo Luiz Ângelo Polleto, assistente técnico da Emater regional, o volume de água já superou a média do mesmo período de 2017 e está contribuindo para o bom desenvolvimento do estado vegetativo das plantas, floração e formação das vagens de grãos. A expectativa é para que se confirmem as previsões de tempo seco a partir desta quinta-feira (25), permitindo que os produtores rurais iniciem o tratamento químico nas lavouras, prevenindo o surgimento de doenças, especialmente a ferrugem, que ataca as folhas e prejudica a formação do grão.

Na segunda-feira (22), segundo a Emater, Erechim registrou 12 milímetros de chuva, totalizando 160 milímetros na última semana. Nos 32 municípios da região o volume de água oscilou entre 160 e 360 milímetros. No acumulado do ano o Alto Uruguai tem 221 milímetros de chuva. No mês de janeiro do ano passado o total foi de 201 milímetros. O volume de chuva registrado deste terça-feira (20 não está contabilizado nesta reportagem.

O clima favorável - até agora - e o bom desenvolvimento das culturas de verão, confirmam as projeções do Brasil consolidar a segunda maior afra de grãos da história. O otimismo nas lavouras já influenciam nos preços para contratos futuros de grãos. Em Erechim a terça-feira (23) iniciou com a saca da soja sendo comercializada a R$ 63, um dígito acima do preço praticado na semana passada. A variação está longe de atingir os números de 2017, quando produtores deixaram de vender a saca antecipada por R$ 80. O preço médio foi de R$ 67. Com previsão de boa safra a tendência que os preços futuros se acomodem na "lei da oferta e procura".

A cultura da soja registrou aumento de 4% na região do Alto Uruguai. No total estão sendo cultivados mais de 243,4 mil hectares. A previsão é que a partir de março sejam colhidos 14, 6 milhões sacas e injetado aproximadamente R$ 1 bilhão na economia regional. A média prevista é de 60 sacas por hectare.

No ranking dos municípios com maior número de hectares cultivados estão: Sertão (32,5 mil); Quatro Irmãos (18,5 mil); Campinas do Sul (16,3 mil) e Getulio Vargas (13 mil). Erechim tem 9,7 mil hectares de área cultivada com soja. As menores áreas estão em Aratiba (881mil) e Itatiba do Sul (620 mil).  Luiz Ângelo  Polleto esclarece que o relevo é o principal elemento que influencia no volume de área plantada em cada município.

Milho
Os números também são otimistas nos 49,9 mil hectares de milho plantados na região. Mais de 80% das lavouras já estão na fase de enchimento de grãos e apresentando bom  índice de produtividade, graças ao excelente nível de irrigação proporcionado pelas chuvas de janeiro. A realidade é um pouco diferente para quem apostou na safra antecipada, que registrou perdas de até 15% lavouras de milho. A estiagem registrada entre os últimos dias de novembro e parte de dezembro, afetou a fase de floração e o consequente desenvolvimento natural das plantas e grãos.
Mesmo que tudo dê certo para os produtores de milho já é possível projetar que a região terá que importar milho do Centro-Oeste do Brasil, mais precisamente dos estados do Moto Grosso e Goiás. Além das possíveis quebras o Alto Uruguai reduziu a área plantada e a região deverá ter, pelo menos, dois milhões de sacas a menos na próxima colheita. 

O milho é o principal insumo utilizado na alimentação de animais nos setores de suinocultura, avicultura e bacia leiteira. A concorrência da soja e os preços pouco atrativos, influenciaram na decisão dos produtores rurais. Na manhã de ontem a saca do produto estava cotada em R$ 25,5.

 

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