Formação médica humanística foi tema do trabalho da aratibense Lara Matté que será apresentado na Coreia do Sul
O trabalho de uma aratibense, estudante do curso de Medicina na Unisinos, será apresentado neste ano em um evento na Coreia do Sul. Lara Matté produziu um artigo em que o foco de seu estudo foi a formação médica humanística. “Vejo esse tema com alta relevância na nossa formação como profissionais da área da saúde, onde o ouvir o paciente, conhecer o local em que está inserido e a realidade que ele é exposto, interfere no processo saúde-doença”, destacou a aluna.
O artigo será apresentado durante a 22ª Conferência Mundial de Médicos de Família, em Seul. O encontro é um dos maiores eventos de Medicina de Família no mundo e reúne especialistas, como professores, pesquisadores e profissionais, que trabalham na área da saúde. A ideia de trabalhar com o assunto surgiu enquanto Lara cursava a atividade acadêmica de Interação Indivíduo Comunidade - Saúde da Família, ministrada pelo professor do curso de Medicina da Unisinos, Elson Farias. A disciplina se desenvolve por três semestres, e propõe a entrada do aluno no cenário de prática da rede de atenção à saúde, por intermédio da atenção primária à saúde e equipes de saúde da família, do município de São Leopoldo.
Lara conta que a disciplina coloca os estudantes em contato com os pacientes, desde o início do curso, possibilitando que os alunos trabalhem seu poder de resolução, autonomia e protagonismo. O professor Elson conta que Lara destacou-se nas atividades com a família que ela atendeu e conseguiu ir além do esperado. “A estudante ajudou a mãe com o bebê pequeno com informações pertinentes e necessárias para o desenvolvimento e segurança da família”,
Mãe orgulhosa
A mãe de Lara, Márcia Matté, que atua no Centro Hospitalar Santa Monica, não esconde o orgulho pela filha e pelas suas escolhas voltadas à saúde pública. “Estou muito feliz e orgulhosa da Lara, por ter saído de Aratiba, de uma escola pública, aos 17 anos para morar em Porto Alegre sozinha. Passou em Medicina com muita luta e estudo depois de 3 anos de cursinho. Em São Paulo, na Faculdade das Américas já foi para os bairros trabalhar com população mais humilde E voltava contando que toda essa desigualdade social, aquela realidade mexia muito com ela. Acompanhava o médico do posto de saúde no atendimento aos pacientes”, relembra.
Márcia conta ainda que a volta de Lara para o Sul se deu no ano passado, quando ela foi aprovada na Unisinos, motivada pelo custo de vida em São Paulo e pela distância da família. “Ela veio para a Unisinos e já de cara se identificou com a saúde da família. Lá ela conheceu Sarai, que estava gestante e tinha diabetes, obesidade e fez seu acompanhamento, que acabou resultando no trabalho que foi selecionado. Também acho que a transformação da sociedade passa pela educação e conhecimento de seu povo, e então quando a Lara foi solicitada pelo professor a escrever este artigo, incentivei e ajudei, pois acho que precisamos de profissionais médicos mais voltado para a saúde pública, que defendam o SUS, e sem dúvida trabalhar estas questões na formação é imprescindível”, completa.