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Rural

Na realidade, sobram desafios

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Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação podutores

Apesar do frio e da chuva nessa época do ano e as dificuldades em trabalhar em uma empresa a céu aberto, como é a agricultura, o campo não para. Aliás, algumas culturas intensificam o trabalho nesse período para tentar aumentar um pouco o rendimento das suas atividades, como por exemplo, o leite e a fruticultura, entre outras. 

Produtor de morango

Na família Talasca, da comunidade Linha Nova do município de Quatro Irmãos (RS), todo mundo participa dos cuidados e da produção de morangos, o casal Valderi Talasca e Isabel de Morais Talasca juntamente com a filha Gabrieli Talasca. E, ainda, se precisar contam com o apoio dos pais e do irmão.

Segundo Valderi, a família cultiva morangos há dois anos desde que deixou de trabalhar com o leite. “Resolvemos parar por causa da crise no setor, o preço baixo pago por litro, alto investimento. Queríamos investir em mais animais, mas a propriedade é pequena. Daí resolvemos mudar para os morangos”, comenta.

Até o momento a cultura de morango está satisfatória para a família, que consegue produzir uma quantidade boa num pequeno espaço. “Isso está gerando uma renda extra significativa, que ajuda nas despesas da casa”, explica.

Conforme Valderi, o investimento na estufa que acabou de ficar pronta foi de R$ 15 mil. “Tenho nela 1500 plantas, se eu chegar a produzir 650 gramas por pé nessa safra, eu já consigo tirar esse investimento”, observa. A estrutura é feita com madeira tratada para durar de 8 a 10 anos, sendo que as mudas devem ser trocadas a cada 3 a 4 anos. “Aí dá para se ter uma ideia que a margem de lucro é satisfatória”, salienta.

Ele explica que o cultivo de morangos não é a principal renda da família, já que é funcionário público no município de Quatro Irmãos e a sua esposa trabalha como doméstica, mas o rendimento dos morangos vem agregar e somar na renda no final do mês. A expectativa de Valderi para safra desse ano é colher em torno de 1400kg a 1500kg de morangos entre as duas estufas.  

Na avaliação do produtor sobre a agricultura e, em especial, a cultura do morango, “primeiro a gente tem que gostar daquilo que faz e fazer com amor. Segundo, procurar buscar informações para conseguir lá na frente melhores resultados, maior produtividade e estar sempre informado”.  

Hoje, a maior dificuldade na agricultura, para Valderi, é o alto custo de produção. “Combustível caro, sementes e insumos caros, e na hora de vender teu produto não tem preço. Se trabalha com incerteza e não sabe quanto vai ganhar lá na frente”, afirma. E, acrescenta, tem que ter políticas de apoio e incentivo ao produtor. “Não sei como vai ser daqui uns anos, não vai ter quem produzir e os filhos não vão querer ficar no campo. Quem vai produzir o alimento, vamos comer o quê? Isso me preocupa bastante”, enfatiza. Por fim, Valderi agradece a parceria da Emater de Quatro Irmãos pelo incentivo e apoio das extensionistas Joviane e Emanueli.

Segundo informativo conjuntural do Escritório Regional da Emater/RS-Ascar de Erechim, já iniciou na região a colheita do morango com frutos de boa qualidade e com abertura de novas áreas cultivadas.

Produtor de leite

Conforme o produtor de leite de Quatro Irmãos, Marcos Aurélio Koncikowski, que está há seis anos na atividade, o leite vem vivendo momentos altos e baixos nos últimos anos. “Mais baixos. A atividade vem de anos muito ruins, mas tem promessa de melhora”, afirma.

Utilizando mão de obra familiar e um sistema de produção misto com uso de silagem e pasto, Marcos produz hoje em torno de 20 mil litros por mês de leite. Ele destaca que é necessário investir na produção, mas que é muito difícil tendo em vista a instabilidade de preços, tanto do produto leite quanto da matéria-prima, ração, adubo, etc.

Hoje, o leite é a principal fonte de renda da família. O produtor lembra que geralmente os preços animam de junho a outubro, mas depois desse período chegam a ficar, às vezes, abaixo do custo de produção. “Teria que ter alguma garantia de preço justo. Mês passado foi R$1,30. Para esse pagamento do leite de junho vai ter aumento, mas ainda não sei de quanto”, observa.

Segundo informativo conjuntural da Emater/RS-Ascar, na bovinocultura de leite, as pastagens para cultivares de inverno estão com bom desenvolvimento vegetativo. O preço médio do litro pago ao produtor está R$ 1,10.

Trigo

De modo geral, as lavouras de inverno como trigo, cevada e aveia estão plantadas na região. As culturas estão em fase de germinação e desenvolvimento vegetativo, segundo informativo conjuntural da Emater/RS-Ascar. Alguns poucos produtores ainda estão plantando o trigo.

Conforme o técnico agrícola da Copercampos Tiago João Czarnobaj, que presta assistência técnica ao produtor de grãos erechinense Solani Rigo, a cultura do trigo em Erechim diminuiu de 30% a 40% do ano passado para cá e vem abaixando ao longo dos últimos anos.    

De acordo com Tiago, isso é reflexo do baixo preço pago pela saca de trigo e elevado custo de produção. “Nesse ano aumentou muito os insumos, o adubo subiu cerca de 30% em relação ao ano passado. Custo muito alto”, observa. Além disso, ressalta Tiago, o trigo é uma cultura de muito risco com incidências de doenças, fungos, geadas. “A tendência do trigo é diminuir ainda mais o plantio”, destaca. O técnico enfatiza que para o produtor que plantar trigo, ele não pode colher e vender a produção, “tem que estocar e vender no momento bom. Hoje, o trigo está a R$45 a saca e é compensador”.

De acordo com o produtor de grãos Solani Rigo, a cultura de trigo não dá grande lucratividade, mas pode ser importante no conjunto de toda produção de grãos ao longo do ano. Isso porque, com a cultura do trigo se fertiliza o solo com adubação que vai servir para a cultura de verão da soja. Além disso, o trigo serve para o controle de plantas daninhas difíceis de controlar, rotação de cultura, palhada e controle da erosão. Para Solani, o agricultor tem que ser empresário, tem que fazer diversificação, plantar milho, soja, trigo, insistir embora não esteja bom na hora de plantar. No entanto, ressalta Solani, o produtor tem que usar tecnologia na cultura para obter boa produtividade, e assim, “o lucro começa aparecer em cima desses detalhes”.

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