Cerca de 200 alunos aprendem sobre diversas áreas do meio rural, com o objetivo de desenvolver os componentes curriculares da área técnica
O Colégio Agrícola Ângelo Emílio Grando de Erechim tem aproximadamente 200 alunos da região e atua com 14 unidades educativas de produção, com o objetivo de desenvolver os componentes curriculares da área técnica. As unidades englobam: administração e economia rural, agroindústria, avicultura, culturas, desenho e topografia, ervas medicinais, fruticultura, irrigação, jardinagem, olericultura, nutrição animal, silvicultura, suinocultura e bovinocultura.
A construção da instituição iniciou em 1954 e foi inaugurado seis anos depois. Em 1964 iniciou com o curso técnico em agropecuária, com denominação de Ginásio Agrícola de Erechim, até 1967. A parir de 1972 passou a oferecer somente o técnico em agropecuária concomitantemente ao ensino médio. Desde 2012 disponibiliza o técnico em agropecuária integrado ao ensino médio com regime de internato.
A instituição oferece uma infraestrutura de alojamento, lavanderia, cozinha, refeitório e padaria visando o bem-estar dos estudantes.
Bovinocultura
Na produção leiteira o sistema ocorre com a integração solo, planta animal, satisfazendo as necessidades nutritivas dos bovinos leiteiros. São realizadas práticas de manejo com bezerros, novilhas, vacas secas em lactação com ordenhas de acordo com as instruções normativas, visando obter um produto final de qualidade. Como atualmente existe um grande volume de informações a respeito de tecnologias disponíveis para a bovinocultura de leite, os produtores devem optar, conforme a professora Carmen Peracchi, pelo uso de técnicas que se adaptem melhor ao sistema praticado e, principalmente, os recursos e as estruturas disponíveis.
Segundo ela, independente do sistema de produção deve-se ter uma base de funcionamento constituído pela escolha do tipo de animal a ser utilizado e combinado com a disponibilidade de forragem ao longo do ano.
“As técnicas para os alunos são repassadas levando em consideração a teoria e a prática do manejo, desde o nascimento do bezerro, cria, recria e acompanhamento da produção e reprodução,” explica.
A professora afirma que o bem estar é uma nova ciência técnica indispensável aos profissionais que trabalham com animais. “Essa adaptação do animal com o ambiente, consequentemente, leva a melhoria na produção. O bem estar é um reflexo da dedicação com as instalações, manejo adequado, sanidade, alimentação e transporte que propicia o bem estar dos animais,” pontua. Para ela, avaliar o bem estar animal, significa levar em consideração a saúde física e suas necessidades, já que animais bem tratados expressam seu maior potencial produtivo. Também é preciso considerar a qualidade na relação entre produtor e animal, que se dá a partir de treinamentos e orientações quando se observa a melhoria no manejo e, consequentemente, na produtividade e qualidade do leite. Carmen finaliza explicando que o manejo é a tarefa realizada diariamente para a criação, produção e reprodução dos animais.
Agroindustrialização
A agroindustrialização contribui para evitar a transferência de renda do setor rural para o industrial. É uma alternativa que deve ser vista como parte de uma estratégia para a valorização da atividade agropecuária. A agroindústria compreende a seleção da matéria-prima, preparo, processamento, controle de qualidade, embalagem, armazenamento, distribuição e utilização dos alimentos.
De acordo com o professor Orlando Luís Klimaczewski, a agroindustrialização deve ser encarada como um avanço e diversificação de tecnologias. “Agrega valor aos produtos produzidos nas propriedades rurais e não ocorre a unificação de receitas em que cada produtor desenvolve a sua receita própria, com a diversificação de sabores,” afirma.
No Colégio Agrícola são abordadas várias áreas em relação a industrialização dos produtos que além de englobar o ensino da teoria e prática aos estudantes, serve como produção da alimentação que é consumida todos os dias no refeitório, pelos alunos, funcionários e professores. “O leite é transformado em queijo e doce de leite; o trigo produzido na escola é transformado em farinha para ser utilizado na padaria na fabricação de pães, bolachas e bolos; os suínos são transformados em carne e derivados; assim como na horta são produzidas hortaliças consumidas pelos estudantes e, os ovos são classificados para consumo no refeitório e na fabricação dos panifícios,” comenta.
Klimaczewski acredita na importância e necessidade de formação na área técnica em agropecuária. “As pequenas propriedades rurais estão desaparecendo e ai se enquadra a função do técnico, em assumir a propriedade da família e fazer com que ela seja rentável. Quanto mais técnicos teremos nas propriedades rurais, maior será o desenvolvimento e a permanência daquelas famílias que ainda residem no meio rural,” justifica.
Produção de alimentos
No setor de olericultura o aluno aprende na teoria e na prática como se produz hortaliças saudáveis, sem o uso de fertilizantes químicos para adubar o solo e sem agrotóxicos para controlar as pragas e doenças, utilizando a compostagem, húmus e biofertilizantes, diversificando produtos. Desenvolve ainda a fruticultura com o objetivo de mostrar as etapas que devem ser observadas e as técnicas adequadas para implantação de um pomar, a escolha das variedades, a qualidade das mudas e o preparo de covas, bem como as principais espécies de frutíferas que podem ser cultivadas na região.
O professor Valdecir Balestrin diz que nos últimos anos foi sendo gerado um consenso de que é necessário investigar e difundir formas sustentáveis de agricultura, embora ainda não exista uma definição do atual modelo produtivista em direção a sistemas agrários mais sustentáveis. Segundo ele, seria preciso considerar a inter-relação de uma série de aspectos - econômicos, sociais, ecológicos, políticos e culturais - da produção agrária.
“Neste contexto, cabe à educação, em especial, às escolas técnicas agrícolas uma apropriação mais estreita dos conceitos e práticas necessárias para assumir a postura que está sendo proposta. Só assim podemos considerar a visão de diminuir ou não utilizar agrotóxicos no meio rural,” frisa.
Balestrin comenta que atualmente os alimentos cultivados sem agrotóxicos estão sendo mais procurados, porém revela que nem todas as pessoas têm acesso a eles, em função do preço que ainda é muito alto. “Acredito que no momento em que todos tiverem conhecimento sobre a importância de uma alimentação saudável teremos uma mudança de paradigma, pois, afinal, quando cultivamos alimentos sem agrotóxicos estamos caminhando para uma sustentabilidade do planeta,” esclarece.
Conforme Balestrin, a instituição atua há vários anos com alimentos orgânicos, desde o manejo até a colheita. “Todos os restos culturais, esterco de bovinos e outros são usados no minhocário e depois empregados na adubação da horta, jardim e fruticultura. Usamos também fertilizantes para a fruticultura com fosfatos naturais, além de iscas confeccionadas pelos alunos,” afirma, acrescentando que o benefício ao agricultor está na qualidade de vida e em saber que o produto é de qualidade.