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Rural

Até agora tudo normal

O calor dos últimos dias no Alto Uruguai, em pleno inverno, não trouxe prejuízos para as culturas de grãos e frutas

Pessegueiros já estão floridos
Cristiano e Aline
Tudo normal por enquanto, diz Nilton
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

O calor dos últimos dias no Alto Uruguai, em pleno inverno, não trouxe, ainda, prejuízos para as culturas da estação fria como grãos e frutas. A previsão, conforme os quadros meteorológicos do momento, é que o mês de agosto tenha um frio mais úmido, com geadas amenas, que não vão comprometer as culturas. No entanto, o produtor deve ficar atento, já que as mesmas projeções indicam uma primavera com temperaturas e chuvas acima da média, criando boas condições para aparecimento de fungos no trigo.

Projeções climáticas

Segundo o extensionista rural da Emater/Ascar, Nilton Cipriano de Souza, o prognóstico do clima para os próximos meses, conforme os quadros meteorológicos do momento, o mês de agosto terá um frio mais úmido com geadas amenas. “Nada que vai comprometer as culturas”, afirma.

Nilton observa que as mesmas projeções também indicam uma primavera com temperaturas e chuvas acima da média, o que não deve causar interferências na fruticultura. O alerta vai para os produtores de trigo, já que o excesso de chuva, muita umidade, origina um ambiente propício para o desenvolvimento de fungos. “A partir de agosto, então, os triticultores devem procurar assistência técnica para orientação”, comenta.

E, acrescenta, “isso é preocupante, porque na primavera, final se setembro, outubro, inicia a época de colheita do trigo, e também tem que ter alguns cuidados nesse período”, destaca.

Trigo

De acordo com Nilton, o trigo está em desenvolvimento vegetativo, já germinou e está crescendo. Até o momento não tem nenhum problema. Ele enfatiza que a partir da segunda quinzena de agosto começa a elongação do trigo, ou seja, “a cultura começa mostrar seu potencial produtivo, e aí sim poderá ter influência do clima na sua produção e produtividade”.  Até agora as culturas de inverno estão tranquilas, tanto trigo, cevada e aveia, com desenvolvimento vegetativo normal.

Agosto

A partir do mês de agosto, orienta Nilton, o produtor deve ficar atento a essas culturas, já que começam entrar num período crítico, principalmente, por causa do aparecimento de doenças fúngicas. “Ficar de olho e procurar orientação técnica para fazer as aplicações corretas na hora certa”, afirma.

Fruticultura

Conforme Nilton, até o momento a fruticultura segue normal. Cita o exemplo da laranja, que recentemente houve a abertura da colheita da safra da laranja valência em Itatiba do Sul. A fruta não sofre tanta influência do clima, nesse período, porque já está na fase final de maturação indo para colheita.

Ele acredita que vai ter uma boa safra nesse ano com uma produção média de 35 toneladas por hectare na região. O desafio é aumentar a produtividade visando chegar as 50 toneladas por hectare. “O que está sendo trabalhado com cursos e capacitações”, ressalta. Nilton acrescenta que o mercado de médio prazo da laranja está muito bom e há demanda pela fruta. “A região está se especializando e tem potencial para, inclusive, dobrar a produtividade”, enfatiza.

A laranja é a fruta com maior área plantada na região, e pode ser considerada a fruta símbolo do Alto Uruguai. A principal variedade cultivada é a valência. “Hoje, estamos com 2390 hectares plantados com perspectiva de aumentar quase mil hectares com novos pomares nesse ano”, observa.

Segundo Nilton, quanto maior for a amplitude térmica, isto é, com manhãs frias e tardes mais quentes, melhor será a qualidade da fruta. Essa amplitude térmica faz com que tanto a coloração como o sabor da laranja seja acentuado ficando mais adocicada. “Essa diferença é característica da região, principalmente, da costa do rio Uruguai onde a gente tem a fruta de melhor qualidade em todo o país”, explica. 

Pêssegos

A produção de pêssego não tem área muito grande na região, hoje está em torno de 800 hectares. Isso porque, observa Nilton, a cultura exige muitas horas de frio, em função da alteração climática que vem acontecendo, com elevação da temperatura, o produtor está abandonando o cultivo.

“Nessa época, o pêssego já quebrou a dormência, já floresceu. Em função dessa diferença de temperatura está antecipando a floração. Não há previsão de geadas fortes e tardias que poderá fazer com que essa floração seja prejudicada”, destaca.  

Produtor

O fruticultor de Erechim Cristiano Dariva observa que a floração está boa, mas está faltando frio. No entanto, enfatiza, se a baixa temperatura vier fora de época pode comprometer a produção. “O perigo agora é dar granizo ou uma geada forte”, afirma.  

A propriedade da sua família está localizada no Povoado Coan, que tem 20 hectares destinados à produção de frutas, ameixa, maçã, citros, sendo sete hectares para cultivo de pêssego. A produção é comercializada, basicamente, na Feira do Produtor. Se tudo correr normalmente, a expectativa para esse ano é uma safra muito boa, afirma Cristiano.

Cristiano explica que trabalha com uma produção menor por hectare para aumentar a qualidade da fruta. “A produção depende da qualidade que se quer colher, nos trabalhamos com 12 toneladas por hectare, com menos toneladas, para colher um fruto melhor e tentar vender bem”, salienta.

O fruticultor de 31 anos e começou a trabalhar cedo, tem 25 anos de experiência na fruticultura. Cristiano lembra que o preço médio do quilo da fruta pago ano passado foi de R$2,50. Hoje, a lucratividade da atividade é baixa, já que faz quatro anos que o preço é o mesmo e as despesas só aumentam todo ano. “Tá cada ano mais difícil trabalhar”,

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